23 - Maia Dois??

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Sábado, 27 de Junho

Maya

Finalmente chegou o dia de abrir os resultados dos nossos exames que fizemos. Com o nascimento da minha sobrinha Clara ontem, ficou uma correria total e no fim acabamos nos esquecendo que eu e a Mel tínhamos feito o exame de sangue de gravidez. Como o Sal ficou com o filho ontem, não deu para nos reunimos na casa dele para saber o que deu. Bruno passou aqui para me buscar e a Mel iria no carro dela para a casa dele. Ao chegarmos, o Sal estava voltando do passeio com o Tonton, que está enorme, Mel chegou pouco depois de nos dois, nós duas nos sentamos no sofá e os rapazes ficaram em pé, Sal foi para a cozinha beber água e o Bruno foi para a janela.
- Vocês abrem ou a gente abre? - Pergunta Sal parando na frente do balcão que tem na cozinha com um copo na mão.
- Nós abrimos. - Diz Mel. Começamos a abrir o envelope. Estou muito ansiosa. Começo a ler e lá no final está a resposta que esperamos há dias. Eu e Mel vemos o resultado da outra e tinha dado o mesmo para nós duas.
- E então? Qual foi a resposta? - Pergunta Bruno vindo para mais perto de nós duas com as mãos nos bolso da calça preta. Olho para a Mel e depois suspiramos. - Parabéns futuro papais. Estamos grávidas. - Dizemos as duas juntas.
- Isso é sério? - Pergunta Sal sorrindo e a Mel concorda com a cabeça.
- Maya? - Bruno me chama e eu o olho. - Porque tu desligou a luz?
- Também queria saber, Mel. - Sal diz e eu estranho até ver os dois machões desmaiarem.
- Salvatore. - Chama Mel se levantando.
- Bruno. - O chamo me levantando também. Nós duas nos olhamos e acabamos caindo na gargalhada. – Isso porque os dois são machões em. – Digo rindo.
- Vem. Vamos pegar água.
- Pra que?
- Pra jogar nos dois e acorda-los. – Diz dando o sorriso do gato de botas. Adoro quando ela inventa essas brincadeiras doidas. Formos para a cozinha e cada uma pegou um copo de água. Pegamos da torneira, também não somos tão ruins assim. Chegamos na sala e jogamos ao mesmo tempo a água nos rapazes e eles logo acordam.
- Tá doida Melissa. – Pergunta Sal se levantando com o rosto todo molhado.
- Vocês desmaiaram, só quisemos ajudar. – Diz sorrindo.
- Tá tudo bem, Bruno? – Pergunto ajudando ele a se levantar.
- Tá sim. Eu só não tô acreditando no que ouvi. Claro, que desconfiávamos, mas ter a confirmação é diferente.
- Eu também tô meio assustada, mas não se tem muito o que fazer a partir de agora né. – Digo e me sento ao lado dele no sofá.
- É verdade, mas pensar que agora tem duas miniaturas nossas vindo aí, é muito legal, ao mesmo tempo que é estranho. – Diz Mel sendo abraçada por trás pelo Sal.
- Me tornei tia ontem e daqui oito meses vou ser mãe. – Digo meio assustada com a idéia.
- E eu que acabei de ganhar um filho, já vou ter outro. – Diz Sal rindo.
- Só quero ver o que dona Regina, dona Olga, dona Catarina e dona Solange, vão falar quando souberem que vão ser avós. – Diz Mel.
- Minha mãe vai ficar louca, tenho certeza. – Diz Bruno.
- Bom, isso a gente pode pensar depois, no momento a única coisa que precisamos saber e se os bebês estão bem. Pelas contas, estamos de 1 mês. Temos que marcar uma ultrassom e começar o pré-natal. Depois pensamos como vamos contar para os nossos pais. – Digo e eles concordam. Sal solta a Mel, pega o telefone e liga para o hospital que fizemos o exame para marcar nossas ultrassons.

Eu vou ser mãe.

Meu Deus.

- O que tanto tu pensa? – Bruno me pergunta.
- Tava pensando em como esse ano tá me surpreendendo. Primeiro, a Liz descobriu que tava grávida, depois, o Rafa contou que é gay, depois a viagem, o casamento, o Sal descobriu que é pai, a tentativa de abuso da Lara, agora a minha gravidez e a da Mel, o que será que esse ano ainda nos reserva em? – Olho para ele. Lembro exatamente desses dois dias.

Flashback On

Estávamos todos na casa da Liz, almoço de domingo, quando eu, a Liz e a mamãe formos nos deitar no quarto dela. Acabo por deitar na barriga da Liz e ficarmos conversando até eu sentir a barriga da mesma mexer.
- Ainda tem comida lá fora, Liz, vai comer. – Digo rindo.
- Mas eu não tô com fome não. – Diz seria.
- Mas tua barriga tá mexendo. Ou é fome ou é gases.
- Mas eu também não tô com vontade de peidar não. – Diz rindo.
- Ah, então não sei mais o que é. – Digo rindo ainda deitada na barriga dela.
- Tu não tem mais nenhuma idéia? – Pergunta sorrindo. O que mais faria a barriga de alguém mexer? A não ser que...
- VOCÊ TÁ GRÁVIDA, LIZ? – Pergunta mamãe sorrindo.
- Surpresa. – Diz abrindo os braços e rindo.

Flashback Off

- Eu lembro que a tia Regina ficou maluca com a notícia. Ela sempre gostou de casa cheia. – Diz Bruno rindo.
- Verdade. Mas acho que o momento mais emocionante foi a descoberta do Rafa mesmo. Ninguém imaginou. E quando os nossos pais o aceitaram como ele é, foi muito legal.

Flashback On

Estávamos eu e a mamãe assistindo filme, quando o papai chegou com o Rafa machucado.
- O que aconteceu com você meu filho? – Mamãe pergunta preocupado
- Melhor você dizer logo filho. É bom ela saber por você do que pelos outros, não acha? – Papai falou carinhoso com ele e o Rafa lhe olhou, suspirou e disse:
- Eu sou gay. – Ele disse e todos nós nos surpreendemos, menos o papai.
- Você é o que? – Mamãe pergunta.
- Eu sou gay, mãe. Me desculpa. – Diz e abaixa a cabeça.
- Rafael Angelin, olha pra mim. – Mamãe mandar e ele a olha. – Nunca peca desculpa por algo que você não fez. Eu te amo meu filho, independente da sua escolha. Você é parte de mim, e se você quer me dar um genro invés de uma nora, ótimo. Mas nunca tenha vergonha do que você é. – Mamãe diz chorando e abraça o Rafa que já estava chorando.
- Eu amo a senhora também. Amo todos vocês. Obrigado por me aceitarem.
- Você é nosso filho, sempre vamos te amar do jeito que você é. – Diz o papai e nos o abraçamos.

Flashback Off

- Falando no Rafa, ele já levou o namorado dele?
- O Josh terminou com ele na semana passada. Deu uma peninha do meu irmão. – Digo lembrando de como eu o Rafa ficou arrasado.
- Então foi por isso que ele me pediu um potão de sorvete de baunilha chorando.
- Sim. Eu tava no curso, não conseguir atender. Obrigado por ajudar meu irmão. – Digo e lhe abraço.
- Não há do que. Eu gosto do Rafa e oficialmente, ele é meu cunhado. – Diz rindo.
- Verdade. – Digo rindo também. – Bom, eu vou indo. Tenho que ir ver minha sobrinha. – Digo me levantando.
- Eu te deixo lá. – Diz se levantando também. Concordei, nos despedimos do casal sensação que disse que contariam tudo aos pais e formos para o hospital. Bruno me deixou na porta e foi embora dizendo que iria trabalhar em casa um pouco. Entrei e passei a tarde curtindo a minha sobrinha linda e fiquei me imaginando eu daqui uns meses com o meu ou minha filha. Nem sei ainda como vou dizer isso ao meus pais, eles pirar literalmente, principalmente mamãe. Estava conversando com a Liz quando simplesmente a mamãe pergunta:
- E você, Maya, quando vai me dar um netinho em? – Se eu disser que não me engasguei com o suco de uva que estava tomando, estaria mentindo. Mamãe veio me acudir enquanto a vaca da minha irmã somente ria da minha situação.
- Acho que está muito cedo pra falar sobre isso mãe. – Digo me recuperando.
- Não vejo a hora de ter um neto de cada filho, claro que do Rafa ainda vai demorar um pouco porque ele só tem 16 anos, mas eu espero. A Liz já me deu a Clarinha, vê se não demora muito pra me dar um senhorita Maya. – Diz mamãe rindo. Mal ela sabe se o que o próximo netinho dela já está a caminho. – Tenho certeza que o Bruno ia adorar virar papai logo.
- Opa, acho que perdi partes da história aí, como assim o Bruno? Maya, tu tá namorando teu melhor amigo e não me disse?
- Eu não tô namorando ele. – Digo e abaixo a cabeça. – Eutoapaixonadaporele. – Digo rápido e baixo.
- Acho que não escutei. – Diz rindo e eu revirou os olhos.
- Eu tô apaixonada pelo Bruno, ouviu agora?
- Eu não acredito, então quer dizer que eu posso ter o Bruno como cunhado?
- Calma que também não é pra tanto assim. – Conversamos a tarde toda que eu fiquei lá, elas quiseram saber tudo sobre eu e o Bruno e ficaram insistindo para eu contar para ele, mas eu vou esperar mais um pouquinho. Quem sabe nos dia que descobrimos o sexo do nosso bebê, eu me declare. É isso, vou fazer isso.

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