Depois de uma semana do dia em que supostamente perdera sua varinha, Harry se sentia tentado a se aproximar de Malfoy, mas nunca encontrava uma boa oportunidade. Na maioria das vezes o loiro estava cercado de sonserinos e Potter temia que a velha atitude de Draco voltasse por estar perto dos colegas de casa.
Ficou aliviado quando soube da recusa de Taylor em investigar o caso do perfume e acabou se tornando mais amigo da garota. Com Rony e Hermione começando um namoro eles ficaram mais distantes do garoto e Alice foi realmente uma boa companhia na semana que se passou. A garota sempre tentava o convencer de que seu receio em falar com Malfoy era sem fundamento e que se demorasse muito ia acabar o perdendo.
Ah como queria que ela estivesse errada. Sentiu seu coração doer quando em um de seus passeios pelos jardins viu o sonserino sendo "cortejado" por um corvino elegante. A cena era estranha e desconfortável, Draco estava sorrindo com as bochechas coradas enquanto o corvino tinha um dos braços enrolado em sua cintura e a outra mão escondida nos fios loiros.
Nunca imaginou uma cena como aquela, bom imaginou na última semana, mas era para Harry estar ali e não um corvino domador de cobras. Triste pela cena que viu correu a procura dos amigos, mas Rony e Hermione haviam novamente sumido, provavelmente deram uma escapada para namorar em algum canto da escola. Decidiu então correr para uma das únicas pessoas que vinha lhe escutando nos últimos dias.
Encontrou Taylor imersa em uma leitura em uma das mesas mais afastadas da biblioteca. Se sentou a frente da garota, que instantaneamente retirou o rosto do livro e o encarou preocupada, a tristeza em suas feições era clara como cristal.
_ O que aconteceu, Harry?
_ Eu o vi, Alice, assim como você disse, demorei demais, agora ele está lá morrendo de amores por outro.
_ Oh Merlin, Harry, como assim?
_ Estava andando pelos jardins quando o vi abraçado a um corvino.
_ Um corvino? _ perguntou se lembrando imediatamente de um sorriso irritantemente arrogante de seu colega, ou melhor, ex amigo, o qual sabia ter uma queda pelo sonserino_ como era esse corvino?
Questionou torcendo para não ser quem estava pensando, mas sabia que provavelmente era, do jeito que aquele maldito corvo era esperto.
_ Era um cara alto, cabelo preto, acho que tinha um colar ou algo assim no pescoço, não sei, Alice, estava preocupado demais vendo ele se agarrando com Draco.
_ Oh Merlin, vou matar aquele maldito magricela.
_ Você o conhece?
_ Receio que sim, pela sua descrição creio que seja Arthur Miller, o conheço desde a infância, nossos pais fazem negócios, mas faz um tempo que não conversamos e que não tenho notícias de sua família. Dominic me disse por alto que ele gostava do Malfoy, mas nunca pensei que aquele magricela iria tentar algo.
_ O que faço agora, Alice? Acho que o perdi de vez.
_ Não perca as esperanças, Harry. Pelo que conheço de Miller ele se cansa fácil, pergunte aos corvinos e corvinas com quem ele já ficou, nenhum deles tem uma boa lembrança.
_ Mas não quero que Miller o machuque.
_ Ora, Harry, se permita ser um pouco maldoso, pense que quando Arthur se cansar vai poder consolar seu sonserino.
_ Por que mesmo o Chapéu Seletor não te colocou na Sonserina?
Taylor riu do comentário do novo amigo, mas logo seu sorriso desapareceu ao ver White se sentando com eles.
_ O que faz aqui White?
Perguntou de forma fria, fazendo com que uma pontada de mágoa invadisse o lufano.
_ Notei que Harry estava magoado e vim ver o que aconteceu, também sou amigo dele Taylor.
De fato, outra pessoa de quem Harry havia se aproximado era de Dominic, sempre que Alice estava ocupada com seus estudos tomava um chá com o garoto sempre tão bem humorado.
_ Seu amigo idiota, o Miller, deu uma de domador de cobras.
_ Ah então é isso. Sinto muito, Harry, talvez eu tenha ajudado nisso.
Disse White chateado por provocar a tristeza do novo amigo.
_ O que quer dizer com isso?
_ Arthur me pediu ajuda, fez com que eu contasse a Malfoy que ele também investigava casos, e como ele ainda está querendo achar o ladrão de perfumes caiu na armadilha dele. Arthur pode ser bem ardiloso quando quer.
Explicou cabisbaixo, realmente se sentia mal pelo amigo, não apenas naquele momento, mas desde o chá em que Harry contou estar começando a sentir algo por Malfoy, se sentia um péssimo amigo por ter ajudado naquilo, mas Miller também era seu amigo e White sabia que não havia apenas planos maléficos naquela cabeça esperta, sabia que existia uma criança magoada e quebrada que se tornou um adolescente magoado e quebrado.
_ Então você ajudou nisso tudo?!
Taylor estava irritada, umas das poucas vezes em que se permitia perder a postura, não acreditava que seu doce White havia ajudado o magricela e magoar Harry, por mais que Arthur não tivesse como saber que isso afetaria mais alguém além de algumas admiradoras de Draco.
_ Sim, mas eu me arrependo, quando ajudei não sabia sobre os sentimentos de Harry, e Arthur também é meu amigo, você não o conhece tão bem quanto eu.
_ Você jogou Malfoy pra cima de um cafajeste, White.
_ Não fale assim dele! Como se vocês não tivessem sido amigos! Se você não tivesse essa mania horrível de afastar as pessoas saberia tudo o que aconteceu!
White estava magoado, dividido entre seu melhor amigo, o único que o protegia e se importava verdadeiramente com ele, uma recente amizade e sua paixão desde a infância. De um lado sua paixão estava chateada por ter ajudado em algo que magoou sua nova amizade, e de outro tinha ajudado um amigo a tentar ter algo mais na vida que tristeza e arrependimento. Triste e dividido se levantou e correu para o único lugar onde se sentia bem e seguro, deixando na biblioteca os dois com quem discutia perplexos.
Draco se sentia feliz nos últimos três dias, havia saído com Miller algumas vezes e chegado à conclusão de que o garoto era realmente interessante e cativante. Conseguiu até esquecer do ladrão de perfumes e dos olhos esmeraldas que o assombravam a anos, mas não totalmente. Ainda se pegava pensando em Potter de vez em quando, se sentiu imensamente culpado quando ao beijar Arthur pela primeira vez só conseguiu pensar no grifinório imprudente.
Sabia que no fundo não conseguiria superar Harry tão fácil assim, e Miller também sabia, sabia que Malfoy pensava em outra pessoa quando o beijava, sabia que seus pensamentos eram dirigidos a outro quando tinha seu olhar perdido, sabia que aquilo iria acabar logo e a única coisa que podia fazer era aproveitar os momentos em que realmente sentiu algo por alguém antes que eles acabassem. Sabia também que seria doloroso quando o momento de ser rejeitado chegasse, só esperava que não demorasse muito para essa dor passar.
No momento não queria pensar nisso, queria aproveitar seu momento de domador de cobras antes que aquela lhe desse o bote venenoso.
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Um Entre Mil Perfumes
RomansaUma poção que exala um perfume floral, um cheiro comum, mas ao mesmo tempo único. Harry nunca poderia imaginar que de sua poção sairia um cheiro tão peculiar, ainda mais a quem ele pertencia. Poderia ser qualquer perfume entre mil ou até milhões, mu...
