Plano de Aproximação

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Era aula de Transfigurações, mas Harry não prestava atenção no que a professora dizia, estava muito focado no que se passava em sua mente para escutar o falatório tedioso. A aula era um borrão desfocado em seus olhos perdidos, para qualquer um que o visse estava apenas super concentrado no assunto tratado, mas a realidade era outra. Com Miller fora de seu caminho poderia finalmente tentar algo, mas não seria simples, não era como se pudesse chegar em Draco Malfoy e simplesmente dizer "acho que estou apaixonado por você", não era assim que as coisas funcionavam. Com isso decidiu elaborar um plano de três passos, à primeira vista um plano fácil, mas em realidade muito complexo.

Utilizou aquela aula para planejar o que chamava de Plano de Aproximação. Consistia em três etapas, aproximação amigável, a qual já estava bem encaminhada, mas ainda não o suficiente para poder passar para próxima etapa; aproximação romântica, essa consistia em pequenas demonstrações de interesse que aumentariam a medida que a etapa fosse avançando; e, por fim, a terceira e última etapa, que seria a declaração. A última etapa estava planejada para o Natal, claro que teria que convencer Draco a não voltar para casa no feriado, o que incluía mais uma complicação em seu plano.

Outra coisa que temia era Miller. Apesar do relacionamento dos dois ter acabado, Harry ainda temia que Arthur tentasse uma reaproximação, não sabia o que o corvino sentia, apenas sabia que não ficava satisfeito facilmente e conversando com Alice, que havia conversado com Dominic, descobrira que Draco e Arthur nunca chegaram a "etapa final"(chamava assim pois deixava a realidade do que se tratava mais distante e o assunto mais confortável).

Para resolver a parte do plano que envolvia o corvino decidiu usar da arma MacGyver. Essa "arma" consistia em empurrar o grifinório para Miller. Já havia percebido os olhares que o ruivo jogava para Arthur, ele não era muito bom em esconder, apenas uma semana de convivência bastou para que percebesse o claro interesse escondido naqueles olhares. O problema era fazer com que Miller se interessasse pelo garoto quando parecia apenas ter um sentimento de pura amizade, pelo menos era isso que deixava transparecer, Arthur não era muito fácil de ler.

Com todos os acréscimos o plano simples de apenas três passos se tornou complexo, teria que conquistar Malfoy, servir de cupido e ainda arranjar um jeito de manter o sonserino na escola no feriado de Natal. Não seria fácil, ainda mais sozinho. Até pensou em pedir ajuda a Alice, afinal a garota já se provara ser muito boa em planos, mas andava ocupada nos últimos dias, não a via sem estar enfiada em um livro ou anotando algo, com certeza não a atrapalharia com seus planos esquisitos e mirabolantes.

Também pensou em pedir ajuda a Dominic, mas sendo ele tão ligado a Miller, e sua amizade sendo tão antiga que se tornava fácil para o corvino lê-lo, e vice versa, não podia arriscar colocar todo seu plano em risco. E obviamente não poderia pedir ajuda aos principais envolvidos.

Ao final daquela aula, que era a última daquela sexta-feira, saiu da sala determinado a colocar em prática a primeira parte de seu plano. Tentou achar Draco para continuar com sua aproximação amigável, mas não o encontrou, mesmo depois de muita procura. Partiu então para a outra parte daquela etapa. Achou Alex sentado à mesa da Grifinória, colocando um bolinho muito grande na boca, mas incrivelmente sem se engasgar. Não pode evitar a risada quando se sentou a frente do novo amigo, que o cumprimentou ainda com a boca cheia de bolo.

_ Oi, Harry, a que devo sua presença?

Perguntou assim que terminou de engolir o bolo, bebendo um grande gole de suco.

_ Queria te perguntar uma coisa.

Disse indo direto ao ponto, enrolações não eram bem vindas quando se tinha um prazo curto para o sucesso de seu plano, tinha apenas dois meses e não pretendia alongar aquilo para depois do feriado.

_ Pergunte.

Respondeu MacGyver encostando os cotovelos na mesa e entrelaçando os dedos das mãos. O garoto havia tomado uma expressão séria, o que fez Potter rir brevemente, ele achava que o assunto era sério, bom, era, mas não naquele nível.

_ Venho reparando a um tempo... Você sente algo pelo Miller?

Perguntou sem rodeios, surpreendendo o ruivo a sua frente, que logo ficou vermelho e desfez completamente sua pose séria, a substituindo por uma pose envergonhada.

_ Bom... Eu acho que... Mais ou menos... Não sei explicar..._ o garoto se perdia em seus pensamentos, ficando cada vez mais vermelho, mas logo um pensamento pareceu o atingir, o fazendo levantar a cabeça em um solavanco olhando desconfiado para Harry_ por que a pergunta? Por acaso se interessa por ele?

Perguntou em um obvio momento de ciúmes. Potter teve que rir, nunca pensou que alguém o perguntaria aquilo. Se interessar por Miller? Sim, o garoto era bonito, mas sério? Com certeza ele não era o tipo de pessoa por quem Harry se interessaria, bom, Draco também não, mas Arthur conseguia ser mais insuportável que o sonserino nos primeiros anos, não por zombar de Harry ou de seus amigos, e sim por ser extremamente metido e convencido, era irritante.

_ Não! Claro que não! _respondeu ainda rindo_ só venho reparando o jeito que você o olha, resolvi te ajudar, sabe, você é meu amigo agora.

_ Ah..., mas ajudar como?

Alex perguntou, mostrando claro interesse naquela proposta. Harry deu um pequeno sorriso lateral vendo que seu plano ia bem.

_ Tenho um plano que pode te ajudar, bom, não é exatamente um plano, é mais uma ideia.

_ E qual seria?

_ Com quantas pessoas você já saiu?

_ Por que isso é relevante?

_ Confie em mim.

O garoto suspirou.

_ Ok... Pra falar a verdade nunca sai com ninguém.

Respondeu um pouco constrangido.

_ Ok, isso vai ser um problema. Você por acaso não sabe flertar, sabe?

_ É... Acho que não.

_ Tá, isso definitivamente é um problema! Pelo que vejo e pelo que me contam Miller funciona muito na base do flerte. Precisamos acender seu fogo, sabe?

_ Acho que sim...

_ Vamos ter que dar um jeito de te ensinar a flertar. Temos duas opções, ou você tenta ir lá e ver se sai naturalmente ou vou ter que realmente te ensinar.

_ Não sei se tenho coragem suficiente pra ir lá e arriscar.

_ Onde está sua coragem Grifinória, Alex? Tem certeza de que prefere ter "aulas" extremamente constrangedoras comigo?

_ É, pensando por esse lado..., mas como faço? Só chego nele do nada e solto uma? Faz só uma semana que ele terminou um namoro.

_ Como se ele ligasse pra isso.

Soltou sem querer a fala repleta de preconceitos contra o corvino, recebendo um olhar raivoso de Alex. O ruivo sabia muito bem que Arthur ligava para o fim daquele namoro, viu claramente no dia que se conheceram que o corvino havia chorado e sua fala triste apenas confirmava isso. Ouviu Miller desabafar com ele a semana toda sobre o que sentia e como era estranho para o garoto tudo aquilo, ele afirmava que nunca havia sentido algo assim antes, que nunca havia realmente sentido algo diferente de tristeza ou raiva. Sabia que apenas flertes não o fariam sentir nada além de uma atração passageira e isso o preocupava. Sabia que o plano de Harry era superficial e baseado apenas no pouco que ele sabia de Arthur, mas aceitou de bom grado a sugestão, seria um começo, por mais que achasse que uma aproximação sutil no início seria melhor.

Ouviu o resto das sugestões de Potter, fazendo o garoto acreditar que tinha um plano genial. Não jogou fora todas as sugestões ditas, apenas as adaptou, mas claro que não contou essa parte para Harry, deixaria o garoto acreditar que era um bom estrategista, isso faria bem para sua autoestima. 

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