As joias da família Black

947 115 22
                                        


- Ei, James! – A menina o alcançava numa curta carreira.

Escutando a conhecida voz, James gelou. Rodopiando nos calcanhares, um forçado sorriso lhe tomava todo o rosto.

Trêmulo, estaria rindo demais?

No entanto, o que Lily queria?

Um calafrio lhe percorria a espinha diante as possibilidades. Quer dizer, quais as chances dela ter descoberto tão rápido? Bem... Ela era inteligente.

Colocando a mão em seu ombro, ela recuperava o fôlego perdido no pequeno trajeto. Assim como o melhor amigo, não era boa em esportes, por isto, qualquer esforço lhe esgotava.

Ficando desconfiada diante os dentes tão abertos, estreitou os olhos:

- O que você andou aprontando, Potter?

- Eu?

- Não vou lhe atormentar desta vez. – Procurando algo dentro da bolsa sem fundo, confessava. – Alias, acho até que lhe agradeço por me substituir na última semana.

James perdeu a voz. O chão. Sentia o corpo desmaiar, não se movendo por estar petrificado. Se ele estivesse doente, não poderia ser culpado por aquele crime, certo? Ou melhor, será que seu fantasma também seria aprisionado em Azkaban?

Todavia... Lily era uma boa pessoa. Até poderia ser um bom ombro onde chorar. Certamente, ela compreenderia sua tristeza... De certo modo, ela tinha parcial obrigação.

Quer dizer, ele já havia sido ela.

Existia certa ligação, nem que fosse pela quantidade de fios ruivos ingeridos nos últimos dias.

Segurando-lhe o antebraço, admitia num impulso:

- Lily, eu sei que foi algo babaca, mas você não entende como estou arrependido.

- Como assim, Potter? – Encontrando o objeto, puxou o pergaminho embrulhado num canudo, erguendo para ele. – Não vejo motivos para arrependimentos. Severus é alguém legal. E... – Esperando que ele pegasse o pergaminho. – O professor me falou que você havia me substituído, mas o relatório de vocês alcançou a nota máxima. – Batendo a ponta do papel contra a barriga do outro, aguardando que ele pegasse, brincou. – Fico até com inveja.

- Não foi meu mérito. – O riso se desfez. Fitando a aparência que era sua, ele era quem tinha inveja. Um tanto entristecido, completou. - Ele já havia feito o experimento duas vezes.

- Sim. – Retribuindo o sorriso, ela ponderou. – Severus é um garoto bastante esforçado.

----;;;

Observando o candelabro sobre a mesa, a cera da vela acompanhava o lento choro do garoto. Na realidade, as lágrimas só escapavam casualmente, percorrendo o inchado rosto já mortificado.

"Alguém está brincando com sua cara.".

Apesar da curiosidade, o coração temia desvendar aquele mistério.

"Eu não tenho culpa se é tão fácil...".

Fechando os olhos, por que havia nascido marcado para ser um alvo tão ridículo?

Talvez, aquele fosse o preço pago por ser... Um nada?

Então, assim como o estereótipo, seria grato se "nada" pudesse sentir.

Todavia, sentia.

E doía.

Libertando mais lágrimas, até quando a cabeça latejaria por conta daquela amargura?

Sete dias sem elaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora