Aula de poções

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- Senhor Snape, sua dupla faltou?

Cortando o silêncio, o desengonçado Peter quase derrubava ao chão a enorme quantidade de livro ao entrar esbaforido na aula.

Tropeçando, o professor nem teve coragem de repreender. Tinha certa pena do garoto.

Apenas indicando, com um olhar, a cadeira vazia ao lado de Severus, pediu:

- Sente-se ao lado dele, Pettigrew.

- Não! – Sirius protestou, pondo-se de pé. – Eu havia chamado o Peter antes. Ele não pode ficar com...

- Sente-se, senhor Black! – Repreendia a idosa voz, voltando a atenção ao quadro-negro. – A atividade é apenas uma revisão.

- Não. – Puxando o loiro gordinho pelo cotovelo, prendia num abraço contra o peito, insistindo num melancólico desespero. – Eu preciso do Peter, pois ele está me ajudando a superar o meu trauma com poções. O meu tio-avô, ele... – A voz embargada pelo medo, o cenho franzido em tristeza.

- Mas o senhor já tem uma dupla, Senhor Black. – Interpôs o professor, um tanto comovido.

Após alguns segundos de ensaiada reflexão, James começava a recolher o próprio material escolar, compadecido. Tinha responsabilidade de ajudar na recuperação do amigo.

Arrastando-se até a mesa do inimigo, ele fracassava totalmente em demonstrar infelicidade por aquela "ser a única alternativa", já que havia rachaduras de extrema felicidade na desmotivada máscara.

Quase sorrindo ao compartilhar a cadeira ao lado, lastimou:

- Desta vez, eu faço o grande esforço de ficar com o Ra... Snape.

Snape só revirou os olhos diante o teatro. Pondo-se na defensiva, levantou o livro na altura do rosto, objetivando ignorá-lo.

- Parece uma poção bem simples. – Arriscou James, separando os ingredientes conforme o professor listava na louça.

Colocando o caldeirão entre os dois, o rival permanecia com os negros olhos pregados na acinzentada folha, nem ao menos mudando a página.

A clássica desculpa para um nerd.

Irritando-se, James bronqueou:

- Somos uma equipe, não?

Arqueando a sobrancelha em resposta, Snape virou a página, continuando a interessantíssima leitura.

- Você não vai me ajudar? – Maldito! Se era para jogar sujo, James tinha muito mais experiência. Derramando algumas gotas de lágrima de dragão no caldeirão, alfinetou casualmente. – Lily me disse que você tem certa dificuldade para compreender o que a gente, da grifinória, fala. É um nível estranho de autismo.

Apesar de vagamente sem graça, Severus não cedeu.

Derramando as escamas de sereia sobre a mesa, James separava as violetas, instigando:

- Para falar a verdade, ela fala bastante sobre você.

- Não são escamas de sereia. – Delicadamente, repousou o livro ao lado do cotovelo, puxando o pequeno frasco de unhas alaranjadas. Derramando o conteúdo sobre a superfície, separava as mais espessas. – A maioria dos livros dizem que é escamas de sereia, mas isto só interfere no odor. O certo é com unha de Manticora.

No fundo da sala, uma explosão malcheirosa atraiu as tímidas risadas de alguns alunos. No entanto, separando os ingredientes com destreza, Snape não se distraía, observando atentamente cada resultado.

Os cabelos escuros recaíam como uma cortina ocultando o pálido rosto que o grifinório aprendia a admirar. Refletindo, James reparou que jamais o observou de perfil, tendo aqueles olhos vigilantes tão absortos. Os finos lábios balbuciavam os ingredientes quase inconsciente. Se fosse Lily ali... Ele estaria tão concentrado?

O coração apertou diante a suposição, maneando a cabeça para dispersar o pensamento, desembrulhou uma folha de pergaminho na intenção de fazer as anotações para o relatório.

Mexendo no sentindo anti-horário, o bruxo sacou a varinha quando percebeu o braço do rival derrubar os frascos já utilizados, enquanto se atrapalhava ao tentar escrever sem nem molhar a pena:

- Potter! – Usando o feitiço para impedir o estilhaço, assegurou. - Eu já tenho o relatório pronto. – Repousando os dois frascos ao antigo lugar, continuou. – Eu testei esta poção duas vezes na semana passada.

- Nossa... – Largando a pena, James sorria quase apaixonado. Quer dizer, os professores também ficavam fascinados quando o aluno era eficiente, por isto, não tinha nada relacionado em como aquele meio riso convencido ficava deslumbrante. – Você é incrível!

- Não era uma poção simples?

- Eu menti para lhe motivar, pois não imaginava como você é genial.

- Um momento. – Estreitando os olhos, não compreendia. - Você está me... elogiando?

- Não. Estou apenas ressaltando suas qualidades, pois é preciso muita competência para conseguir sucesso nesta receita e você conseguiu. - É. Estava o elogiando e tinhas várias coisas em mente, mas não verbalizaria tão fácil. Suspirando, rendia-se vencido. - Você é incrível!

Apoiando o rosto com uma das mãos, admirava o rubor extinguindo a inerente confiança. Um tanto sem graça, o sonserino buscava interpor, tremulando ao raspar o tronco azulado, mantendo a atenção focada ao borbulhar do caldeirão:

- Eu... Eu só estava... Curioso...

- Você é mesmo o louco das poções.

- Lily disse isto sobre mim? – Colocando o último ingrediente, indagou desconfiado.

- Ela disse que você deveria passar mais tempo comigo.

- Sério? – Retirando a concha de dentro da mistura, aquela afirmação o perturbava. Por que Lily iria querer algo do tipo? Considerando brincadeira, refutou. - Achei que ela soubesse como te desprezo.

- Eu acho que posso gostar de você.

- Não me faça ri, Potter.

- Achei que não conseguisse. – Brincou.

- Mas... – Extremamente preocupado, o receio pesava na expressão de Severus. Afinal, onde ela estava desde então? Temendo ser inconveniente por tocar em um assunto particular aos dois, arriscou. - Aconteceu algo? Ela não veio a aula desde ontem.

- Ah, sim. – Ela. Precisava resolver a história do rio, ou melhor, a história dos dois... Ou seria dos três? Coçando a nuca, engasgava-se com as próprias palavras, buscando arquitetar a esperada explicação. - Ela me disse que precisava conversar sobre algo que aconteceu entre vocês e... Por isto, não estava com cabeça para vim a aula. – Diante os olhos entristecidos como se pressentisse o remorso da garota, o entusiasmado rapaz completou. – Mas, ela queria te encontrar hoje... No jardim, as 16:00. Pode ser?

- Certo. – Concordou, baixando a cabeça, apreensivo.

Apesar das palavras de Regulus, certamente, ela havia se arrependido.

A poção apresentava a consistente cor violeta numa textura semelhante a pedra ametista. Alguns alunos já começavam a empilhar os livros para fugir junto ao ressoar do sino.

Puxando a mochila da parte traseira da cadeira, retirou um classificador marrom, entregando para o "companheiro" acrescentar o próprio nome, enquanto admitia:

– Eu tenho certeza que nunca vou gostar de você... Mas, obrigado...

Recebendo o papel, James forçou o riso, observando-o levantar.

Novamente, teria que ser Lily.

Entregando a atividade ao professor enquanto o sonserino deixava a sala, passou a mão direita entre os bagunçados fios de cabelo, perguntando-se num contido desespero: "Caralho, o que estou fazendo? ".

Sete dias sem elaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora