Dormitório das cobras - Parte 2

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- Eu sei que você está aí. – Arriscou, fitando o local de esguelha. – Eu não vou fazer esta maldita poção.

Dando um passo afrente, James retirou a capa de invisibilidade, permitindo que esta descansasse em seu ombro. Retribuindo o olhar, aguardava a sentença, visivelmente culpado e nada arrependido.

- Não adianta... Potter?

- Eu não estou aqui por ele.

Balançando a cabeça como um passarinho, Severus ponderava acerca dos motivos para o bruxo está ali.

Nenhum fazia sentido.

Sem contar que era quase duas da manhã, no dia seguinte haveria aula e... O desgraçado havia invadido seu dormitório com a porcaria de um cervo?

Cruzando os braços, ergueu a sobrancelha, aguardando a magnífica explicação.

Esta não veio.

Igualmente, em silêncio, James só o analisava. Entediado pela questão fixa em sua mente, refletia se realmente o amava ou estaria agindo por impulso como Sirius pontuou dias atrás.

Empunhando a varinha, após secar o uniforme alheio, permitiu que as janelas se fechassem, assim como a grande porta da saída principal.

Sobressaltado pela repentina atitude, o sonserino ainda pegou a varinha, mas foi desarmado por um rápido "expelliarmus".

Prendendo a respiração, o coração gelou.

O que James estaria pensando? Estaria zangado por Lily e resolveu bancar o perverso irmão mais velho? Aparentava perfeito para o papel.

Dando um passo para trás, tinha medo, ou melhor, certo receio pela própria vida e pelo mal que poderia ocorrer sem testemunhos ali. Se bem que... Pessoas nunca foram empecilhos para aquela arrogante criança.

Cessando os passos, Snape dissimulava o temor. Ou, ao menos, era isto que buscava transparecer com a cabeça erguida em igual desafio, embora as pernas tremulassem como uma árvore maltratada pelo vento duma tempestade de verão.

- Sabe, Severus... – Mantendo a varinha em posição de ataque, James ficava mais próximo. – Tem muitas pessoas contando mentiras ultimamente.

- Hm... É por causa da Lily?

- Tecnicamente, sim.

- São duas da manhã.

- Eu tenho a noite toda para conversarmos. – Deu de ombros, - Já estou aqui de qualquer forma.

- Regulus logo voltará.

- Está me tratando como um amante? – Tocando-lhe o queixo com a ponta da varinha, brincou. – Eu preciso de um beijo para me inspirar melhor neste papel. – Percebendo o outro revirar os olhos desacreditados, continuou por um abafado murmúrio. – Para falar a verdade, eu vim lhe pedir desculpa.

- Oi? - Descrente, estaria com algum problema auditivo. James Potter pedindo desculpa? Pendendo a cabeça para o lado, podia deduzir certo arrependimento debaixo daqueles óculos. Não! Todos sabiam como o garoto era mimado por seus pais, por isto, nunca deveria ter se arrependido.

No entanto, o bruxo continuou:

- Desculpa por transformar sua vida num inferno por não entender como minhas brincadeiras te machucam.

Snape gargalhou o interrompendo. Só poderia ter enlouquecido. Fitando o rival, considerou a única explicação plausível:

- Eu só posso estar sonhado.

Sete dias sem elaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora