Capítulo 3 - Lado Sombrio

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- O Pedro não está surtando. - Gabriela observa, seu tom de voz é sério. - Por quê? Não contaram tudo? 

- Então, ainda não cheguei nessa parte. - Antonella coça a nuca. 

- E que parte é essa? - Viro para a minha irmã esperando a resposta.

- Pode chegar uma intimação a qualquer momento. - Helena responde por ela e recebe a minha atenção.

- Alguém consegue me explicar essa porra direito ao invés de ser por partes? - Aumento o tom de voz. Estou impaciente, eles enrolam demais para contar o que está acontecendo. 

- Kaio, entra com a Antonella. - Gabi pede e eu viro de costas, não quero olhar para ninguém.

A cada segundo que o meu coração acelera e as minhas mãos tremem, tento lembrar do quanto eu preciso de ajudar para controlar essa raiva. Apoio as mãos no parapeito, os meus pulmões estão doloridos pela minha respiração ofegante. 

- Ela é obrigada a ir? - Pergunto sem me mover, mas Helena sabe que a pergunta é pra ela.

- Sim. Se ela não cumprir a intimação pode responder por crime de desobediência à ordem judicial. E a relutância pode acarretar uma condução coercitiva, no caso ela será levada a força e responder um processo criminal. 

- Como ela conseguiu sair do País? - Foi a vez da Gabriela perguntar.

Sua voz está trêmula e mesmo que ela se esconda atrás dessa sua armadura, eu consigo perceber o quanto por dentro ela está na mesma situação que eu. A diferença é que ultimamente não consigo lidar com isso.

- A Summer avisou que o David iria denunciar, pediu para que a Antonella fosse o mais rápido possível porque não estava conseguindo controla-lo.

Eu não ouvi isso. 
Eu quero me jogar dessa cobertura ao ouvir a audácia que esse moleque fez. Isso não pode estar acontecendo. Viro o meu corpo com tanto ódio, que as duas sobressaltam assustadas.

- O filho da puta que queria abusar da minha irmã, denunciou ela? Isso só pode ser brincadeira.

- E a chance dela ser intimada é grande, pois ele levou a jaqueta que a Antonella usou após o acidente. - Helena acrescenta. - Mas eu posso...

- Você? - Levanto as sobrancelhas. - Você não vai entrar nesse caso.

- Como é que é? - Os braços finos cruzam autoritários e eu balanço a cabeça.

- Você não vai se envolver nisso, Helena. Não vai fazer mais barulho, se alguém souber disso vai ser um prato cheio para a mídia...

- Quer colocar o caso da sua irmã na mão de outra pessoa? - Ataca - Quem mais do que eu daria o sangue para tirar a Antonella disso?

- Eu não quero você envolvida nisso, você tem uma carreira. Se algo der errado, você nunca mais vai advogar, sabe disso. Você tem uma imagem ótima...

- Eu vou advogar pra ela. - Concluí. 

Encaro os olhos azuis, eles estão bem abertos e percebo algumas lágrimas se formando. Helena não é o tipo de mulher que chora em uma discussão, muito pelo contrário, ela é ótima para rebater e manter a postura.

Elas não estão me contando alguma coisa, que eu com certeza vou descobrir.

- Eu amo você, Pedro. - Continua com a voz um pouco embargada - Mas eu vou contra a sua palavra por essa caso, e caso haja uma dúvida: o nosso casamento não vai ficar na frente disso. 

Da as costas antes que eu questionasse, e entrou. 

- O que está acontecendo com a porra da minha vida? - Estouro para a Gabriela.

O Império VasconcelosOnde histórias criam vida. Descubra agora