É um alívio.
Acho que é a única coisa que consigo pensar, ao ver Théo e Angélica descer do carro. O garoto encolhido contra a mãe, dois seguranças armados e um carro parado no meio do estacionamento fazendo uma barreira para que eles passassem em segurança. A mãe dele me olha aliviada, os olhos vermelhos me agradecem silenciosamente.
Pablo segura a porta do elevador para que possamos entrar. Dou uma última olhada no estacionamento e recebo um aceno positivo do chefe de segurança. Entro e vejo o meu meio-irmão assustado. Não é para pouco.
- Vai ficar tudo bem, Théo. - Garanto, e passo a mão no alto da sua cabeça.
Ele me ignora.
O semblante da Angélica entristece e em seguida afaga os cabelos castanhos do filho. A última vez que o vi, seus cabelos eram mais escuros, e ele não era tão alto assim. Somos parecidos, quando eu era da idade dele. Não tanto, mas somos... Sinto-me mal, e não sei ao certo porque. Talvez seja pelo modo que fui ignorado pelo carinha que me admirava. Éramos parceiros, mas alguma coisa mudou, e não foram só os centímetros a mais.
- Tem um quarto pronto para vocês, amanhã mesmo irei coloca-los em um jato para um lugar seguro. - Falo, assim que passamos pelo elevador.
- Poderá se livrar de nós mais uma vez, não é. - Théo ataca de repente. Sua voz é grossa para os garotos da sua idade.
- Me livrar? - Questiono.
- Não ligue, Pedro. - A mãe se apressa a dizer, ao chamar atenção do filho.
Meus olhos continuam nos dele, azuis e intimidadores, é, herdamos algo em comum do nosso pai. Claramente o gene dos Vasconcelos é forte.
- Eu não quero me livrar de vocês, Théo.
- Que seja - Joga os ombros pra cima - Quem se importa?
- Eu. Eu me importo!
- Meninos, por favor. - Angélica pede - Théo, não comece.
- Imagino! - Desdenha, medindo-me dos pés a cabeças.
Mas quem Diabos esse moleque acha que é?
- Chega! - Ela aumenta o tom de voz - Deixe-me conversar com o Pedro, vai tomar um ar e volte quando um garoto de onze anos estiver ocupando o seu corpo.
Assim ele faz, passa por mim com o peito estufado pronto para me enfrentar. Eu quase dou risada, porém a indignação é pior.
- Eu fiz algo? - Pergunto a ela.
- Não, claro que não! - Entrelaça os nossos braços, enquanto caminhamos até o sofá - Você sempre foi um lorde, um ótimo irmão e enteado. Obviamente nada graças ao teu pai. Théo está em um momento de revolta, começou entender as coisas e de alguma forma culpa você por deixa-lo sozinho. Não que você tenha feito... - Apressa ao dizer - Ele apenas está procurando alguém para culpar.
- Não sabia onde vocês estavam, eu os procurei.
- Eu sei. Não precisa estar na defensiva, você não tem responsabilidade nenhuma com nós dois, o que faz é mais do que deveria e eu serei eternamente grata por isso. Pela primeira vez em anos eu sai do campo de visão do Henry, e isso é libertador.
- Sinto muito por tudo que vocês estavam passando, mas preciso conversar com o Théo.
- Tudo bem, querido.
- Essa é a Helena - Indico com a mão, assim que a minha mulher aparece - A minha esposa.
- Olá, Angélica. Um prazer recebê-los! - Estende a mão em um cumprimento.
- Oh, ainda mais bonita pessoalmente! O prazer é meu Helena.
- Vou deixa-las se conhecer melhor. Amor, se puder mostrar o quarto deles...
- Claro!
- Já encontro vocês.
Guardo as mãos nos bolsos enquanto vejo as duas subirem conversando.
Eu estaria mentindo se dissesse que não me importo com o comportamento do Théo. Ora, eu contava histórias para ele dormir, o ensinei andar de bicicleta, ele era o garotinho amedrontado que corria para o meu quarto quando tinha pesadelos. Então me pergunto, o que mudou?
Eu sabia onde o encontraria.
Desde pequeno seu lugar preferido é aberto... Ele precisa se distrair com algo que não seja os próprios sentimentos. Duvido que isso tenha mudado, e comprovo que não, ao sair na varanda e vê-lo observando os arranha-céus.
- Posso estar enganado - Começo, seus ombros ficam tensos - Mas pelo que me lembro, éramos amigos.
- Amigos não abandonam amigos. - Responde, ainda virado de costas.
- Desculpa se foi isso que pareceu...
- Não pareceu, Pedro - Virou-se de repente - Isso é o que aconteceu.
- O que te faz pensar assim?
- Preciso dar mais uma justificativa além do seu sumiço? Acompanhei vocês pela televisão, pela rede social... Sempre felizes, enquanto eu e a minha mãe mudávamos duas vezes por mês. Eu não tenho amigos, tenho professores particulares...
- Eu sou o seu amigo! Eu sou o seu amigo, Théo - Reforço - Mas eu não sabia onde vocês estavam, procurei vocês por todos os lados, Théo.
- Não procurou o suficiente. - Suspira triste, os olhos azuis transbordam e meu coração se quebra ao meio.
- Me desculpa. - Peço, sinceramente. - Eu não queria... Eu prometo que vou resolver isso.
- Se livrando de nós?
- Você quer ficar? - Me aproximo, ele percebe e da meio passo para trás.
- Não. - Vira o rosto, sem saber se o que diz realmente é verdade.
- Você quer ficar, Théo? Porque eu gostaria que você ficasse.
- Não vou atrapalhar você! - Ataca, lágrimas escorrem pelo seu rosto - Sua vida é perfeita.
- Perfeita? - Solto uma risada inalada - O que sabemos sobre perfeição? Olhe só para nós.
- Para onde vai nos mandar?
- Onde você quer ficar? - Insisto.
A respiração dele fica mais funda. Está cansado, exausto de correr do cara que se diz teu pai. Eu o entendo, ainda não consegui entender a mente maníaca do Henry, e o peso na consciência me desequilibra. Eu poderia ter o procurado mais? Quem sabe, agora que vou ser pai, sei que não pararia de procurar se fosse o meu filho. Eu, como irmão, tinha a obrigação de protegê-lo.
- Eu quero ficar. - Sussurra entre lágrimas. Um beiço enorme se forma e eu me odeio por isso.
Puxo Théo, sem se importar se ele iria gostar ou não. O abraço forte, sua cabeça próxima ao meu tórax treme, enquanto ele chora.
- Me desculpa, carinha. Eu nunca mais vou deixar você ir embora, combinado? - Falo, emocionado.
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O Império Vasconcelos
Fiksi PenggemarPedro Vasconcelos é dono do maior império nacional, e há quem diga que internacionalmente sua empresa é muito conceituada e usada de exemplo nas palestras para empreendedores. Ele prioriza a família acima de tudo e protege com unhas e dentes, isso t...
