Capítulo 16

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- O que houve? - Kaio questiona quando deslizo o ecrã de bloqueio do meu celular.

- Antonella.

- O que foi dessa vez? - Toma um gole ralho do uísque. 

- Tabloides. - Bloqueio a tela e devolvo o telefone ao bolso lateral da minha calça social - Está torrando o meu dinheiro... de novo. Pelo jeito teve que sair com os seguranças carregando as sacolas da Chanel. - Sirvo o meu copo.

Kaio da uma risada curta e ao perceber que eu não estava achando a menor graça, muda o semblante para sério.

- Disse na mensagem que entendeu o do porque tantos seguranças, para carregar as sacolas dela. Você sabe que isso é uma afronta, né? Por ter aumentado a quantidade.

- Pedro, meu irmão... Antonella é a mais protegida de todos, ela sempre teve dois guarda-costas e três seguranças. 

- E mesmo assim aconteceu o que aconteceu. - Tomo de uma vez o líquido quente. O uísque desce rasgando pela minha garganta.

- Touché.

- Como está a Raquel? A sua mãe? Nós mal nos falamos. 

Paramos lado a lado, apoiando o nosso corpo na mesa do meu escritório. Kaio é poucos centímetros mais alto do que eu, um baita magricela esticado. 

- Ela está me evitando - Cruza os braços, ranzinza - Quer manter a gravidez em segredo. 

- Justificável.

- Mas eu não quero estar longe. Eu quero estar próximo, Pedro... É o meu primeiro filho, ou filha...

- A fama e a grana tem os seus contras, irmão. 

- Até que ponto tudo isso vale a pena? - Vira o pescoço, e sei que me encara. Mas prefiro não encara-lo. 

Kaio sempre sentiu-se incomodado com a perseguição. Ele nunca se acostumou com toda essa atenção, e é por isso que o seu nome sempre estava estampado em notícias sobre bebidas, festas e mulheres. 

Egoísta.
Mesmo que eu não queira pensar isso, é a única coisa da qual consigo pensar. Afinal, ele sempre aproveitou essa vida da qual diz não valer a pena. Sempre gostou da esbórnia, dos carros velozes, das suas motos e de toda as modelos famosas que a fama lhe deu.

- Dessa vez é diferente, Pedro. - Continua - Olha só o Henry atrás do filho, a Antonella ter que andar com diversos seguranças, você tem homens armados para te proteger. Você entende isso? Nós precisamos de homens armados para nos proteger.

- Muitas pessoas gostariam de ter isso. - Garanto ao olha-lo - Muitas pessoas gostariam de ter o que temos. Você é filantropo, sabe do que eu falo. E você ajuda milhares de pessoas por conta da estrutura que nossa família tem. Ao invés de reclamar, use-os a seu favor. Hoje eu vi uma mãe chorar desesperada, implorando por essa segurança. O próximo integrante dessa família estará protegido, eu daria minha vida por isso. 

- Estou a flor da pele, cara. Raquel não me atende, não sei nem o que houve sobre o pai dela...Minha mãe está em choque.

- Se quer um conselho: deixe a Raquel assimilar tudo isso, ela está carregando um milionário e quando o mundo todo souber, ela será atacada de todas as formas possíveis. Deixe-a se preparar para isso. Dê o tempo que for necessário e não atravesse esse limite que ela impôs. E quando ela estiver pronta, você estará lá por ela.

- E se ela nunca ficar pronta? 

- Lamento, irmão. Mas ninguém afastará um Ferraz de nós, então aviso desde já, que usarei o dinheiro para aproxima-lo. 

O Império VasconcelosOnde histórias criam vida. Descubra agora