Antonella
O frio na minha barriga se estendeu por todo o meu corpo.
Summer depor é um bom sinal, isso tornaria as coisas muito mais fáceis. Contudo, será que ela iria ser realmente sincera? Eles eram uma turma antes que eu chegasse, são amigos antigos e eu sou apenas uma estrangeira que apareceu na vida deles. Que infelizmente cruzou o caminho do Taylor...
Será que David também estaria lá?
Sentei no sofá, palavras baixas das quais eu não conseguia controlar saiam da minha boca, murmurando que talvez eu não queira encontra-lo novamente, nunca mais na minha vida.
O frio se torna em dor e pega toda a minha lombar, maldita dor dos infernos. Difícil definir o que não doía, todo o meu corpo dói, meu sangue, meus dentes, meus pulmões...
- Filha! - Mal percebo a minha mãe se aproximar e abaixar na minha frente.
Minha visão está turva, contudo ainda enxergo seus olhos cintilando preocupação. Eu quero lhe dizer, quero tanto que minha garganta arranha. Mas como diria isso?
- Isso é um bom sinal, filha. - Marco fala atrás da minha mãe, e por cima do ombro dele observo os olhos vermelhos e irritados do meu irmão mais velho, seu rosto enrubesceu intensamente.
- Deixa-a respirar. - Ele pede. Seus músculos estão rígidos e seus olhos pulam de uma coisa para outra.
- Quem mais vai depor? - Meu pai vira para a Helena.
Ela o encara, mas demora alguns segundos para responder. Parecia estar pensando em outra coisa.
- Bom, a favor, apenas a Summer. Conseguimos uma gravação mostrando a fuga, e temos grande chances de identificar você no carro.
- Isso mudaria as coisas? - Pergunto, com um nó na garganta.
- Totalmente. David afirma na acusação que não estava com vocês, disse que foi embora primeiro. Se conseguirmos imagens suas, podemos mudar as coisas. Tive acesso a autópsia do Taylor. - Da uma pausa e continua a me olhar.
- Tudo bem...
- Pulmões inchados, cheios de pintas vermelhas e face arroxeada indicando asfixia. No caso dele afogamento, então também estava cheio de água. Hematomas no nariz, tórax e estômago.
- Espera, não é possível. Foi apenas o nariz.
Helena transfere o olhar para outra coisa e fica pensativa. Todos na sala presentes a observa atentamente, afinal, isso é uma coisa da qual eu desconhecia.
- Nell, você tem certeza que enquanto se debatiam na água não houve colisão com o corpo dele?
- Não. Definitivamente eu não toquei nele depois...
- Então não estamos falando apenas de um acidente. - Pedro começa - Estamos falando de um assassinato?
- Possivelmente. - Helena concorda.
- Isso é impossível. - Retruco - Não matamos o Taylor, não o golpeamos...
- O que você viu mais naquela noite, Nell?
- Depois que eu o ma...
- Você.Não.Matou.Ninguém! - Pedro interrompe pausadamente - Foi um acidente, pare de se culpar por algo que não fez, Antonella!
- Sério? - Meus olhos queimam de raiva - E quem foi que apagou o cara, resultando no seu afogamento?
- Você não foi. - Helena responde tranquilamente - Com certeza não foi. Algo aconteceu naquele lago, algo do qual você não viu. Preciso mudar a sua defesa - Pegou sua pasta novamente, e como se fosse um zumbi, saiu do apartamento.
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O Império Vasconcelos
Fiksyen PeminatPedro Vasconcelos é dono do maior império nacional, e há quem diga que internacionalmente sua empresa é muito conceituada e usada de exemplo nas palestras para empreendedores. Ele prioriza a família acima de tudo e protege com unhas e dentes, isso t...
