Sinopse:
Depois que cada partícula de seus corpos e almas foram transportados para a mais sombria e perigosa dimensão, Nicholas e Sophia passarão por diversas situações insanas e macabras para retirar as Pedras de Prim do domínio da Coroa Negra, res...
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Capítulo Dezenove - Luta Espiritual
Ponto de Vista de Ryan Mckenna
A dor pulsante em minha cabeça me acorda abruptamente, fazendo-me abrir os olhos com um sobressalto, alarmado. A tontura que me atinge me faz ver o ambiente ao redor de forma turva, como se tudo estivesse distorcido, os objetos em um quarto familiar se multiplicando em uma visão fragmentada. Com esforço, fecho os olhos novamente, tentando recompor meus pensamentos, a mente enevoada pelo desconcerto.
Quando os abro uma segunda vez, minha visão foca em uma cena aparentemente tranquila, mas que logo revela algo fora de lugar: petecas castanhas repousam diante de mim, um detalhe tão simples, mas inusitado naquele contexto.
— Angelina... — Meu sussurro sai fraco e trêmulo, como se o som fosse um esforço para escapar da confusão em minha mente.
Me esforço para sentar, mas ao fazer o movimento, percebo, com um choque visceral, que minha mão direita está presa ao solo por algas que se enroscam com força, como se a própria terra tentasse me reter ali. Pressiono com mais força para tentar me soltar, mas uma estranha luminosidade amarela irrompe das algas, como um brilho enfeitiçado, fazendo-me crer que algo místico está em jogo.
— O que veio fazer aqui? — A voz de Angelina interrompe meus pensamentos, cortante e cheia de uma tensão que congela o ar. Ela me encara com um olhar desafiador, e o tom de sua voz, carregado de ameaças, torna a cena ainda mais surreal. — Diga ao seu chefe que, se ele quer me atormentar, terá de fazer muito mais que isso.
— Do que você está falando? — Pergunto, tentando entender. — Angelina, sou eu...
— Eu sei muito bem o que você está tentando fazer. — Ela me corta, sua expressão fria e decidida. — É impressionante como consegue se transformar nele, mas não sou tola. Não vou cair nesse truque. Suas técnicas não funcionarão desta vez.
Franzo o cenho, percebendo que ela, de algum modo, já está presa nesse espaço paralelo há tanto tempo que se tornou cega para a realidade ao seu redor. Suas palavras revelam o desgaste de uma mente que foi constantemente desafiada pela mesma repetição, como se estivesse condenada a reviver o mesmo erro inúmeras vezes.
— Eu não sei o que fizeram você ver, mas agora não é uma ilusão. — Tento explicar, minha voz cheia de uma urgência desesperada. — Sou eu. Ryan.
— Pare de joguinhos. — Ela esbraveja, virando-se abruptamente, como se quisesse se afastar de mim o mais rápido possível. Porém, em um gesto que me faz prender a respiração, ela toca seu braço, revelando um longo corte que ainda cicatriza, um sinal de dor recente. — Semana passada não foi suficiente? Eu já deixei claro para que não aparecesse novamente.
— O que houve com seu braço? — Pergunto, a raiva tomando conta de mim ao imaginar quem a teria machucado.
— Não finjas que não sabes. — Ela solta um suspiro pesado, e antes que eu possa continuar questionando, o som de gritos desesperados ecoa à distância. O som é tão estridente que quase sinto a dor que acompanha cada grito, e parece vir da superfície, aumentando minha apreensão. Angelina, com uma agilidade surpreendente, corre para a porta, sem nem ao menos me dar a chance de reagir.