Capítulo 14 - Presente em Tons Violetas

1.4K 213 3
                                        

Capítulo Catorze

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Capítulo Catorze. Presente em tons de violeta.



Ponto de Vista de Sophia Hummel

— Não foi isso que eu planejei para hoje. — Pela terceira vez, Nicholas expressa sua insatisfação, quase como se estivesse tentando apelar à razão que acredita que perdi. Sua voz carrega um tom entre a frustração e o desalento, ainda que velado por sua preocupação.

Encaro-o com firmeza, resoluta em minha decisão. — Você não pode decidir isso por mim, Nicholas. — Meus olhos encontram os dele, e noto a tensão em seu semblante. — Quero e vou ajudar. Não há nada que você possa fazer para mudar isso.

Ele me olha, exasperado, as mãos agora passando com força pelos próprios cabelos, em um gesto que reflete sua relutância em aceitar minha determinação. — Você tem ideia de quantos sacerdotes estão concentrados naquele local? — Sua voz carrega o peso de um segredo que hesita em revelar.

Antes que eu possa responder, um som suave e quebrado, como o de uma alma em prantos, invade o ambiente. Instintivamente, volto-me na direção de onde ele parte, e meus olhos se fixam em minha mãe. Lá está ela, tão forte e inabalável ao longo de toda a minha vida, mas agora com lágrimas descendo delicadamente por seu rosto. Confusa, franso o cenho, uma sensação de desconforto apertando meu peito ao vê-la assim, tão vulnerável.

— Mãe, está tudo bem? — Minha voz soa baixa, quase receosa, pois a intensidade de sua dor parece algo sagrado e intocável. O que poderia ter causado tal desolação?

Ela não me responde imediatamente; em vez disso, num movimento que demonstra toda a urgência e intensidade do seu sentimento, minha mãe envolve a menina misteriosa num abraço que parece durar uma eternidade. A pequena, por sua vez, devolve o gesto com a mesma intensidade, como se aquele abraço fosse a âncora que as mantivesse inteiras. Minha mente se agita em meio a um turbilhão de dúvidas, e mais uma vez franso o cenho, tentando desvendar o enigma diante de mim.

— Vocês se conhecem? — Minha pergunta, impregnada de perplexidade, corta o silêncio denso e faz com que ambas direcionem os olhares para mim. A emoção evidente no rosto de minha mãe contrasta com o visível nervosismo da menina, cujos olhos abaixam ligeiramente, relutando em encontrar os meus.

— Sophia, esta é sua... — Minha mãe tenta formular uma resposta entre lágrimas, mas sua voz é interrompida pela própria menina, que parece ansiar pelo controle da narrativa.

— Prima. — Ela diz apressadamente, quase num sussurro, o embaraço traindo qualquer segurança que quisesse transmitir.

O olhar que ela dirige à minha mãe é breve, mas o suficiente para atiçar minha desconfiança. Há algo não dito entre elas, uma verdade escondida sob a superfície. E em meu coração, sinto a quase certeza de que algo maior está sendo encoberto.

Asas MortaisHistórias para pegar e não largar. Descubra agora