Capítulo 23 - Origens com Louvor

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Capítulo Vinte e Três — Origens com Louvor


Ponto de Vista de Sophia Hummel

A surpresa domina meus pensamentos enquanto tento recuperar o fôlego, observando as figuras à nossa frente. O choque de estar viva — e em um lugar tão surreal — mistura-se com a necessidade imediata de compreender o que está acontecendo.

Os raios de luminosidade, impossíveis na lógica do nosso mundo, iluminam o ambiente com uma vivacidade que deveria ser inexistente no fundo do oceano. A redoma parece conter não apenas oxigênio, mas uma paisagem que contradiz todas as leis naturais.

Minha atenção logo é atraída pelos habitantes que avançam. Suas vestes rudimentares e as lanças afiadas em suas mãos são ao mesmo tempo um símbolo de primitividade e uma prova de sua capacidade de adaptação. A sensação de perigo é inegável, e meu corpo ainda fraco da experiência no oceano mal consegue reagir.

— Não façam nada brusco! — a voz do meu pai corta o ar, baixa e autoritária, enquanto ele ergue uma das mãos em sinal de paz.

— Quem são eles? — pergunto, minha voz carregada de incredulidade.

— Pessoas que sobreviveram às eras apocalípticas. — Ele olha em minha direção, seus olhos carregados de uma sabedoria quase incômoda. — Esta redoma... é um refúgio esquecido, protegido do caos exterior. 

Os habitantes se aproximam com cuidado, seus passos calculados, como se estivessem avaliando se somos ameaça ou aliados. Alguns cochicham entre si em uma língua que não reconheço, enquanto outros mantêm seus olhares fixos e desconfiados.

Eu, ainda cambaleante, apoio-me em Nicholas, com meu ventre agora uma evidência impossível de ignorar. Olho ao redor com a mesma expressão de confusão que todos nós carregamos, mas algo nos olhos de meu pai reflete uma estranha calma.

— Por que estamos aqui? — Nicholas finalmente quebra o silêncio, sua postura sempre vigilante.

— A resposta pode estar com eles. — responde meu pai, seus olhos fixos na figura que parece liderar o grupo que se aproxima.

Entre os homens e mulheres com lanças, destaca-se um homem mais velho, sua barba longa e entrelaçada com pequenos ornamentos de pedra. Ele carrega um cajado que parece ser feito de coral e ossos, e sua presença emana uma autoridade silenciosa.

Ele para a poucos passos de nós, levantando o cajado como um símbolo de poder e comando. Sua voz, rouca e profunda, ecoa pela redoma, e embora não compreenda as palavras que profere, sinto a gravidade em seu tom.

— Eles nos aceitarão? — murmuro para Nicholas, minha preocupação crescendo.

— Se não aceitarem... encontraremos outra forma. — Sua resposta é direta, mas seu olhar revela a mesma apreensão que sinto.

Asas MortaisHistórias para pegar e não largar. Descubra agora