Sinopse:
Depois que cada partícula de seus corpos e almas foram transportados para a mais sombria e perigosa dimensão, Nicholas e Sophia passarão por diversas situações insanas e macabras para retirar as Pedras de Prim do domínio da Coroa Negra, res...
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Capítulo Dezoito — Angelina?
Ponto de Vista de Sophia Hummel
— Que desenhos são estes?
Minhas palavras ecoam suavemente no silêncio do túnel, enquanto meus olhos percorrem com minúcia as enigmáticas figuras esculpidas e pintadas nas paredes de rochedo desgastado. A esfera de luz que conjurei flutua serenamente, espalhando um brilho pálido que realça os detalhes intrincados das imagens gravadas.
Diante de mim, uma cena de peculiar simbolismo se desenrola: figuras humanoides se destacam, algumas adornadas com asas sombrias e outras com asas resplandecentes, em tons mais claros. A distinção parece clara — anjos da noite e anjos de luz. Ambos, em meio à multidão representada, parecem unir-se numa celebração reverente, direcionada a uma luz celestial de tonalidade suave que emerge entre as nuvens. Apesar da simplicidade dos traços, há uma narrativa implícita que sussurra esperança e devoção.
A esfera luminosa parece agir por vontade própria, movendo-se lentamente como se fosse atraída pela continuidade dos desenhos que revestem as paredes do túnel. Em seu trajeto, ela desliza por representações de montanhas imponentes, a densa floresta negra, uma cidade flutuante nas nuvens, um castelo majestoso, e outros elementos que remetem aos mistérios desta dimensão peculiar. Entretanto, sua trajetória cessa abruptamente, fixando-se sobre uma imagem específica.
Um arrepio percorre minha espinha, frio e implacável, ao reconhecer a figura. Meus pensamentos são invadidos por fragmentos de uma lenda antiga, cuja recordação traz mais temor do que clareza. O monstro representado nas paredes não é outro senão Mórdio, o ser colossal e monstruoso que as forças das trevas anseiam por despertar.
Permaneço imóvel, fitando o desenho com crescente inquietação. Mórdio é retratado como uma criatura imensa, envolta por uma fumaça negra densa, que parece pulsar com maldade. Seus olhos, dois abismos de escuridão, irradiam a ameaça de um julgamento implacável, enquanto sua boca exibe dentes afiados como espadas gigantes, ávidos por derramar sangue inocente.
A realidade me atinge com força: a guerra que enfrentamos está longe de seu desfecho — ela apenas começou. Nossa busca pelos Olhos de Prim é uma corrida desesperada contra o tempo, enquanto Jeremy, certamente, já se prepara para o ritual que libertará o anjo da morte. Temos que ser mais rápidos que ele, embora o desafio pareça impossível. Não faço ideia de onde o segundo Olho possa estar escondido neste vasto castelo.
Desvio meu olhar para meus companheiros. Vejo que todos observam os desenhos com a mesma intensidade, partilhando, talvez, do mesmo pressentimento sombrio. Retomo o controle da esfera de luz, guiando-a mais adiante no interior do túnel, enquanto uma sensação de inquietação se intensifica dentro de mim.
— Não parece seguro, mas não temos escolha. — Minhas palavras soam quase como um aviso, enquanto examino o ambiente com atenção redobrada.
Prosseguimos pelo túnel, e o som de nossos passos ecoa ao nosso redor, traindo nossa presença. Contudo, algo chama minha atenção: pequenas poças de água começam a aparecer no solo, refletindo a luz pálida. As paredes e o chão estão úmidos, evidenciando que, há pouco, uma grande corrente de água passou por ali. Sinto a tensão crescer dentro de mim. Este túnel parece ser uma saída para algum sistema de tubulação aquática.