Capítulo 27 - O Rastro de Sofrimento

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Capítulo Vinte e Sete — O Rastro de Sofrimento


Ponto de vista de Sophia Hummel Mezollo

As chamas se alastram como serpentes famintas, consumindo tudo em seu caminho. A fumaça densa começa a invadir o ambiente, e os gritos de desespero ecoam, misturando-se ao som do crepitar do fogo. Meu coração martela no peito, e meus olhos buscam desesperadamente por Nicholas entre a multidão que se dispersa em pânico.

— Nicholas! — Grito com todas as forças que me restam, mas minha voz parece ser engolida pela cacofonia do caos ao meu redor.

Tento correr em sua direção, mas um empurrão me desequilibra, fazendo-me cair ao chão. Sinto o calor das chamas se aproximando, e o desespero ameaça me paralisar. Respiro fundo, lutando contra o medo que me domina, e me levanto rapidamente.

Ao longe, vejo Nicholas. Ele está cercado por homens com lanças e facões, seus olhos ainda negros como a noite. Mesmo em meio ao tumulto, sua presença é imponente, quase sobrenatural. Ele luta com uma ferocidade que não reconheço, movendo-se como uma sombra entre os atacantes, derrubando-os um a um.

— Deixem-no em paz! — Tento correr até ele, mas sou barrada por uma mulher que agarra meu braço com força.

— Você trouxe isso para nós! — Ela grita, seus olhos brilhando de ódio e medo.

— Eu não fiz nada! — Retruco, tentando me desvencilhar.

Antes que ela possa responder, houve um estrondo ensurdecedor, espalhando fragmentos de objetos por todos os lados. O impacto faz com que ela me solte, e eu corro em direção a Nicholas, desviando das pessoas que passam correndo e dos escombros que continuam a cair.

Quando finalmente me aproximo, vejo que Nicholas está ferido. Um corte profundo em seu braço esquerdo faz o sangue escorrer, mas ele parece não se importar. Seu olhar encontra o meu, e por um momento tudo ao redor desaparece.

— Vá! — Ele grita, sua voz carregada de urgência.

— Não sem você! — Respondo, determinada.

Antes que possa alcançá-lo, uma explosão de luz atravessa o ambiente. Uma figura emerge das sombras — uma mulher envolta em um manto branco que reluz como a própria lua. Sua presença traz um silêncio instantâneo, como se o tempo houvesse parado.

— Basta! — Sua voz ecoa com autoridade, e todos, incluindo Nicholas, ficam imóveis.

Eu reconheço a mulher de imediato de lembranças antigas. É uma figura que vi em sonhos e visões, uma entidade divina que parece carregar o peso do mundo em seu semblante sereno.

— Este lugar foi corrompido pela ganância e pela traição. — Ela declara, seus olhos percorrendo a multidão. — Vocês culparam inocentes por seus próprios pecados.

As palavras dela parecem cortar o ar como lâminas. Alguns caem de joelhos, chorando e suplicando por perdão. Outros se entreolham em silêncio, consumidos pela vergonha.

— Não! — a mesma senhora de momentos atrás ponha suas mãos a sua cabeça, desesperada ao olhar em sua volta. — Tudo destruído. Eu me dediquei por anos para que este seja um lugar de acolhimento da palavra de Deus. Construímos tudo de pouco em pouco, com muito suor e batalha. Anos de esforços sendo jogados fora em questão de segundos pelo fogo voraz. Para aonde eu irei agora? 

— Ás vezes, diante de situações, a vida nos obriga a desapegar de nossas próprias zonas de conforto. — A mulher ainda flutuando diz. 

— Mas eu não estou pronta para deixar a minha. — A senhora se levanta e se vira em direção ao fogo que avança, e ergue os seus braços em rendição, enquanto pronuncia as suas últimas palavras:

Asas MortaisHistórias para pegar e não largar. Descubra agora