Capítulo 1 - Bem-vindo(a) à Sombria Dimensão

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Capítulo Um — Bem-vindo(a) à Sombria Dimensão

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Capítulo Um — Bem-vindo(a) à Sombria Dimensão.

Atualmente...

Os arranhões que marcaram meu corpo, consequência do impacto com os diversos galhos e espinhos, ardem intensamente, como se cada um deles fosse um corte profundo e sangrento. Em um gesto instintivo, enrosco os braços em torno do meu rosto, na esperança de me proteger, e fecho os olhos com força, determinada a evitar que qualquer fragmento de graveto atinja meus olhos. A gravidade, implacável, continua a me empurrar ladeira abaixo, em meio à lama e ao pavor da imensa floresta sombria que me cerca.

Por fim, meu corpo é lançado para frente, e caio sobre uma vasta poça de lama. Com o coração disparado, levanto-me rapidamente, meus instintos gritando para que eu me mantenha alerta. Limpo a lama grudenta que adere à minha pele, e meu olhar se volta, novamente, para o solo. A cor avermelhada da lama me surpreende, parecendo uma gosma sanguínea, pontilhada por pequenos pontos brancos que cintilam à luz que ainda não compreendo.

Franzo o cenho, o nervosismo tomando conta de mim, e me esforço para focalizar meu olhar com mais clareza no ambiente ao meu redor. A escuridão que envolve o local é opressiva, dificultando a visualização coerente do que se encontra diante de mim. Contudo, um lampejo de memória surge, trazendo à tona uma das preces que estudei nos livros da biblioteca do Sr. Strik. Com a voz trêmula, mas decidida, pronuncio as palavras sagradas, clamando a Deus em busca de auxílio. Instantaneamente, uma pequena esfera de luz branca surge ao meu lado, revelando-se uma extensão da minha intenção, uma manifestação da conexão entre minha mente e o mundo ao meu redor. Finalmente, consigo observar o ambiente assustador em que me encontro.

Árvores de troncos finos e folhagens avermelhadas me cercam, como guardiãs sombrias do segredo daquela dimensão. O solo é tão escuro que dá a impressão de carvão, cada grão refletindo uma tonalidade negra como a escuridão que me envolve. Logo, meus olhos captam pegadas marcadas na lama vermelha, indícios de que alguém já percorreu este mesmo caminho antes de mim. Em um ímpeto de desespero, procuro por Nicholas, lembrando-me de que ele atravessou o portal ao meu lado. No entanto, não consigo avistá-lo em lugar algum.

Enquanto tento controlar minha respiração agitada, tomada por pensamentos pavorosos e angustiantes, percebo que essa tarefa é quase impossível. Estou, de fato, na outra dimensão — na sombria dimensão que tantas vezes me foi descrita, que tanto me assombrava, um lugar que não é apenas um mero cenário de pesadelo, mas o centro de uma antiga profecia e o lar de seres tenebrosos. O terror e a incerteza se entrelaçam, e a verdadeira gravidade de minha situação começa a se desvelar, como uma sombra se projetando sobre meu coração.

Sinto um forte arrepio percorrer minha espinha, um alerta visceral que anuncia a iminência de um perigo desconhecido. A incerteza sobre o que devo fazer permeia minha mente, mas a ideia de permanecer parada em meio à escuridão da floresta não parece ser uma opção viável para minha proteção. O frio é tão intenso que consigo observar o vapor condensado da minha respiração se elevando sob o gélido ar, uma manifestação visível do temor que se apodera de mim.

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