Sinopse:
Depois que cada partícula de seus corpos e almas foram transportados para a mais sombria e perigosa dimensão, Nicholas e Sophia passarão por diversas situações insanas e macabras para retirar as Pedras de Prim do domínio da Coroa Negra, res...
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Capítulo Vinte e Dois — O Tempo está se esgotando.
Dias após...
Ponto de Vista de Bianca Mezzolo
Os zumbidos insistentes ecoam nos confins de meus ouvidos, criando um som ensurdecedor que me deixa atordoada. Minha visão, obscurecida pela tontura, reflete o caos que se instala ao meu redor após a explosão da bomba que detona nas proximidades. Cambaleio em busca de equilíbrio, apoiando-me nas árvores que encontro pelo caminho, enquanto luto contra a vertigem que ameaça me derrubar.
Mesmo diante dessa desorientação sufocante, apresso meus passos. O perigo é palpável — pressinto a presença dos sombrios, cuja aproximação é tão inevitável quanto aterrorizante. A floresta onde me encontro é um domínio de trevas, habitado por criaturas perversas e inumanas, uma verdadeira armadilha para os desavisados.
Com movimentos rápidos e precisos, encontro refúgio em uma toca subterrânea disfarçada por um amontoado de terra. Abandonada há tempos por seus criadores, tornou-se um abrigo improvisado para mim e Nicholas. Assim que cruzo a entrada, fecho a porta com um movimento brusco, abafando o som de mais uma explosão que estremece o solo e ameaça desmoronar a frágil estrutura que nos protege.
Exausta, deixo meu corpo deslizar até o chão, encostando-me na porta como quem encontra um último suporte. O peso dos dias de luta parece me esmagar, enquanto a rotina de sobrevivência incessante exaure qualquer traço de esperança. Não vivemos, apenas existimos.
Desde que a luminosidade emanada do castelo nos lançou para este cenário infernal, minha percepção de tempo e espaço foi diluída. Estamos em uma floresta na dimensão dos mortais, mas, ao contrário do que se esperaria, essa dimensão também foi tomada pelo sobrenatural. O caos impera aqui, conduzido por forças que transcendem o entendimento humano.
Na calada de uma das noites sem fim, um fenômeno assombroso manifestou-se nos céus. Um cavaleiro, montado em um cavalo vermelho e empunhando uma espada gigantesca, apareceu claramente à vista de todos. A partir desse momento, a guerra tomou conta da terra. Nações inteiras caíram em batalhas intermináveis, e o ódio espalhou-se como uma praga, convertendo a civilização em ruínas.
Após dias de pesquisa e busca incessante por respostas, nos deparamos com escritos antigos que sugerem algo terrível: o cavaleiro é uma representação do segundo selo bíblico rompido. Segundo as profecias, ele traz a discórdia, a guerra e o ódio, arrancando qualquer resquício de paz da terra e incentivando os homens a se matarem uns aos outros. Embora faltem provas concretas, todos os indícios apontam para o cumprimento do apocalipse.
Enquanto esses pensamentos perturbadores rondam minha mente, respiro fundo, tentando manter a calma. Meu estômago, porém, interrompe esse esforço com um rugido faminto, lembrando-me da necessidade urgente de encontrar comida. Caminho até uma pequena caixa de papelão onde guardamos nossos mantimentos, apenas para descobrir o que já temia: está vazia. A frustração me consome. Precisamos caçar, ou a fome nos consumirá antes que as sombras o façam.