Capítulo 30 - Abandonar Zonas de Conforto

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Capítulo Trinta - Abandonar Zonas de Conforto



Ponto de vista de Sophia Hummel Mezzolo

— Porém, não temos ninguém melhor do que Jonathan e Patrícia para conseguir liderar o grupo que está presente no momento.

À medida que o grupo se preparava para seguir em frente, um peso apertava meu peito. A decisão de deixar Jonathan, meu pai, e Patrícia para trás, encarregados de orientar o povoado, não era algo fácil de digerir. Eu sabia o que aquilo significava: um passo inevitável, mas doloroso. E os dois seriam os pilares, as âncoras para aqueles que ainda estavam presos à escuridão de um mundo limitado pela redoma.

O povoado, aqueles a quem conseguiram sobreviver a catástrofe anterior... Como poderia descrever o povoado? Era um lugar onde o tempo parecia ter parado, onde as pessoas não viam a claridade do dia há tanto tempo que haviam perdido a noção do que era viver fora de suas zonas de conforto. Não sabiam o que esperar do mundo além de suas fronteiras, e, honestamente, eu também não sabia. Eu apenas sabia que, de alguma forma, aquilo precisava mudar. Eles precisavam entender o que estava além, mas mais importante, precisavam entender que estavam vivos, e que, para continuar vivendo, precisavam evoluir.

— Às vezes, a vida nos obriga a sair da zona de conforto para podermos evoluir. — Josh diz, enquanto observava meu pai e Patrícia. Todos nós sabemos que eles eram os únicos que poderiam ensinar ao povoado o que significava ir além do que sempre conheceram. Mas a tarefa que tinham pela frente não seria simples. Como poderia ser? Como guiar alguém a uma nova realidade quando, durante tanto tempo, essa pessoa nunca soubera o que havia fora de seu pequeno mundo seguro?

Aos olhos de muitos, o povoado parecia protegido, mas eu sabia que essa proteção era uma prisão. E os dois seriam os encarregados de ajudar essas pessoas a se libertarem de seus próprios medos e apegos. Cada um deles estava preso a algo, à segurança de um lugar conhecido, à ideia de que o controle sobre o mundo era possível. Mas a vida fora da redoma era incerta. Não havia segurança ali. Havia apenas o desconhecido. E, para caminhar por esse desconhecido, era preciso ter coragem. Coragem para deixar para trás o que nos limitava, o que nos impedia de ver o mundo em sua totalidade.

O povoado precisava aprender, precisava enfrentar a vida além das paredes que construíram, mas isso exigiria mais do que apenas orientação, exigiria a capacidade de se desapegar. E isso era o mais difícil: deixar ir o que nos prende, o que nos dá uma falsa sensação de segurança. Eu mesma ainda me perguntava se estava pronta para fazer isso.

Eles precisavam aprender a viver sem a redoma, sem a proteção de suas certezas. E os dois tem dentro de si a força para ser essa transformação. Mas também sabia que, ao deixá-los para trás, estávamos todos um pouco mais vulneráveis, à mercê de um mundo que nem todos sabiam como enfrentar.

Eu podia sentir a tensão no ar. O povoado não sabia o que estava por vir, mas eu sabia. Eles teriam que enfrentar a dor do crescimento. O medo do desconhecido. O desconforto de abandonar a zona de conforto. Mas não havia outra escolha. Para que houvesse evolução, para que houvesse um futuro, essa era a única forma.

— Às vezes, a vida nos obriga a sair da zona de conforto para podermos evoluir... — Repeti isso para mim mesma, como um lembrete. Porque eu sabia que era verdade. E, no fundo, sentia que essa missão, essa transição, não era apenas para o povoado. Era para todos nós. Nós, que também estávamos deixando para trás a segurança daquilo que conhecíamos para seguir adiante. Ninguém estava imune a esse processo. Era algo que todos teriam que enfrentar, os medos, os apegos, as zonas de conforto que nos impedem de crescer. Eu sentia isso em cada um de nós, no grupo.

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