Capítulo 11 - Com fé, seguimos

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Capítulo Onze — Com fé, seguimos

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Capítulo Onze — Com fé, seguimos



Ponto de Vista de Nicholas Wachowski

Subitamente, um pigarreio firme e inesperado nos arranca da quietude tensa em que estávamos mergulhados. Ao erguer o olhar, somos surpreendidos pela figura de uma mulher à nossa frente. Ela aparenta ter a mesma idade de Amélia, mas é seu porte altivo e sua expressão segura que chamam atenção. Seus olhos azulados, profundos como o oceano, destacam o tom castanho rico de seus cabelos crespos e moldam com perfeição sua pele morena, que resplandece mesmo nas sombras da cidade.

— Amélia, há quanto tempo! — ela exclama, aproximando-se com passos decididos, e o calor de sua voz revela uma cumplicidade antiga. Num instante, as duas mulheres se abraçam, a força daquele gesto evocando a solidez de uma amizade de longa data, daquelas construídas nos alicerces da confiança e do companheirismo.

— Agradeço que você tenha vindo, minha amiga — Amélia responde, com um tom que traz um misto de gratidão e apreensão. — Sei que está se arriscando muito por isto, Aurora.

— Deixe disso! — Aurora rebate com um sorriso, seus lábios escuros curvando-se com tranquilidade. — Amigos servem para esses momentos. Agora, vamos logo, antes que os sacerdotes comecem a desconfiar.

Ela nos conduz até uma velha picape estacionada à frente, sua pintura gasta e manchada revelando uma história de incontáveis viagens pelas estradas ásperas. Aurora gesticula com uma leveza quase despreocupada, mas seus olhos revelam o alerta necessário para o que estamos prestes a enfrentar.

— Espero que ninguém seja alérgico a feno — brinca ela, um leve riso escapando dos lábios. — Enchi a carroceria com ele para garantir que vocês fiquem ocultos.

Enquanto Aurora se acomoda na cabine da picape, nós, obedientes e ligeiros, subimos na carroceria, enterrando-nos em meio ao feno seco e áspero. As plantas ceifadas pinicam a pele, exalando um odor de campo e tempo que contrasta com a densidade sombria ao redor. Tento me acomodar o melhor que posso sob a cobertura improvisada, ajustando minha posição ao perceber que nos aproximamos dos sacerdotes sombrios que vigiam a fronteira de entrada na cidade.

— Identifique-se e informe a carga que está transportando — ordena um dos sacerdotes, sua voz ríspida e imponente ressoando como uma lâmina afiada. Posso perceber a crueldade em seu tom, típica daqueles que foram consumidos pela escuridão.

— Apenas uma camponesa sombria, Aurora Bolton, trazendo alimento para seus animais selvagens — responde Aurora, com uma confiança ensaiada, a voz suave mas implacável. Os passos dos sacerdotes se aproximam, e percebo, pela movimentação entre o feno, que eles começam a revirá-lo, buscando qualquer sinal de contrabando.

— Com licença, senhores — prossegue Aurora, um toque de pressa calculada em suas palavras. — Meus cavalos estão famintos, e não tenho tempo a perder.

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