Capítulo 28 - Asas Escuras

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Capítulo Vinte e Oito — Asas Escuras

Ponto de vista de Sophia Hummel Mezzolo

Repentinamente, minha visão começa a se embaçar, como se uma névoa tomasse conta do ambiente. Uma tontura forte e agressiva me atinge, e, por alguns instantes, perco totalmente o controle sobre o que vejo. O mundo ao meu redor se distorce, criando uma sensação de desorientação, como se eu estivesse observando tudo através de um vidro rachado.

Flashback On

Ponto de vista de Sophia Hummel Mezzolo — 4 anos de idade

Aquiete-se! — a voz de minha mãe, firme e autoritária, ecoa pelo quarto. Ao meu redor, o ambiente acolhedor, com suas decorações suaves e aconchegantes, me proporciona uma sensação de segurança.

Meus olhos se voltam instintivamente para a esquerda, ao ouvir o estrondoso barulho vindo do armário. Vejo, em choque, uma das prateleiras cair no chão com um estrondo. Minha irmã, pendurada no suporte, parece alheia ao perigo, como se estivesse brincando com algo que não fosse real.

Você vai cair! — minha mãe alerta, tentando alcançá-la, mas sua voz soa distorcida, abafada pelo som do caos ao redor.

Antes que ela consiga alcançar minha irmã, o inevitável acontece: minha irmã escorrega. O momento parece desacelerar diante dos meus olhos, e eu não posso desviar o olhar. A gravidade a puxa para baixo, mas algo extraordinário acontece. Antes de atingir o chão, ela pronuncia palavras em uma língua estranha, quase como um latim perfeito. As palavras fluem de sua boca com uma clareza assustadora.

De repente, suas costas se arqueiam, e grandes asas negras surgem, estendendo-se com uma beleza sobrenatural. Elas são vastas, com penas de um tom tão escuro que parecem absorver a luz ao redor. Fico completamente hipnotizada, observando cada detalhe das asas, como se estivesse vendo algo que não deveria existir.

Nunca tinha visto algo assim. A cor escura das suas asas me causa uma curiosidade intensa e uma certa admiração. Uma parte de mim se sente deslumbrada, enquanto outra, um pouco invejosa, deseja que eu também tivesse o poder de fazer algo tão extraordinário.

Olho para minhas próprias costas, onde deveriam estar minhas asas. Mas, em vez da grandeza que minha irmã exibe, encontro apenas pedaços de papel cintilante amarrados com fios, que mal se comparam ao que minha irmã acaba de mostrar. Mesmo que eu tente com todas as forças, nunca consegui fazer as minhas crescerem, nunca consegui fazer a magia funcionar como ela fez.

Mas, no fundo, eu sei que um dia eu também conseguirei. Um dia, vou expandir minhas próprias asas, e quando isso acontecer, será a melhor aventura de todas.

Flashback Off


Repentinamente, sou tomada pela realidade, como se um véu invisível fosse levantado, permitindo que meus sentidos se agudizassem de uma vez. Minha visão se foca com uma precisão extrema nos mesmos olhos curiosos e aventureiros à minha frente. Ela... Ela está ali. Com suas feições exatamente idênticas às minhas, realmente se assemelha a mim de maneira assustadora, e a revelação começa a se formar em minha mente. Agora eu entendo o motivo de tantas pessoas terem me confundido com ela desde o início da minha jornada. Claro, ela deveria ser a minha... Irmã gêmea.

Uma irmã gêmea. Eu tenho uma irmã com os mesmos traços, os mesmos olhos, o mesmo sorriso, a quem dividi tantas memórias de uma infância juntos. Memórias essas que, por anos, foram escondidas de mim, mas agora, aos poucos, começam a ressurgir.

Asas MortaisHistórias para pegar e não largar. Descubra agora