Sinopse:
Depois que cada partícula de seus corpos e almas foram transportados para a mais sombria e perigosa dimensão, Nicholas e Sophia passarão por diversas situações insanas e macabras para retirar as Pedras de Prim do domínio da Coroa Negra, res...
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Capítulo Dez — O Perdão é Necessário
Ponto de Vista de Nicholas Wachowski
Toda a minha percepção da realidade parece ter sido imobilizada, como se o fluxo do tempo houvesse se estancado, deixando-me suspenso em uma quietude quase insuportável. Meus olhos, incapazes de focar em qualquer coisa concreta, vagueiam pela vastidão do futuro que, antes tão definido, agora se desmorona em um abismo de incertezas.
Sophia está grávida.
A revelação, sutil como uma brisa inaudível, se instalou em minha mente com a mesma suavidade de um toque, mas não posso negar o peso avassalador que ela carrega. O gesto enigmático de minha mão sobre sua barriga, embora tímido e desprovido de palavras claras, trouxe consigo a confirmação de algo que eu já temia, uma verdade que despontou diante de mim como uma lâmina afiada. Uma explosão de sentimentos conflitantes se seguiu, rasgando minha mente, preenchendo-me com uma perplexidade que não sabia como lidar.
Embora tais revelações sejam, no fundo, apenas especulações baseadas no meu instinto, eu não desejava, nem um pouco, descobrir algo tão grave e profundo dessa maneira. A verdade que me assola é cruel e, ao mesmo tempo, inevitável. A própria natureza de Sophia, sua força e sua fragilidade, torna a revelação ainda mais complexa. Como poderia eu, um ser das trevas, um príncipe destinado a governar as sombras, parabenizar alguém por ser o pai de um bebê que, a partir de agora, se torna o portador de um futuro que nem a minha própria essência é capaz de compreender? Dizer-lhe a verdade, expressar essa nova realidade, parece mais uma tarefa impossível do que uma responsabilidade.
Eu sei, sem sombra de dúvida, que o filho é meu. Lembro-me com clareza de cada momento em que nossas ações não estavam imersas em qualquer tipo de precaução. O que se seguiu a essas ações, no entanto, não era algo que eu estivesse preparado para aceitar ou enfrentar. O que minha mente não pode engolir é o pensamento de que a concepção de uma criança, nascida de anjos cujas naturezas são diametralmente opostas, é possível. Essa ideia, por mais que se apresente com os contornos da verdade, se apresenta também como uma monstruosidade de pura irracionalidade. Como poderia ser viável?
Isto não pode estar certo. Esta realidade não pode ser verdadeira. Há algo de extremamente errado em tudo isso. Não posso olhar para uma situação tão bizarra com a serenidade que seria exigida de mim. Não importa o quanto eu deseje acalmar minha mente ou reduzir o turbilhão de emoções que me consome. Eu não posso me esquecer daquilo que sou. Eu não sou humano, e, mesmo que minhas emoções possam se parecer com as de qualquer mortal, minha essência, minha natureza, permanece inalterada, cravada nas trevas, governada pela maldição de ser o Príncipe das Trevas. Isso impõe uma realidade implacável: qualquer um que se aproxime de mim corre um risco iminente. Não há como negar. O perigo é inerente à minha existência.
Penso nas crianças que conheci, Jaxon e Jazmin, seres adoráveis, mas que já possuem uma certa independência, capazes de seguir seus próprios caminhos sem necessitar de constantes cuidados. Mas um recém-nascido? Uma criança inocente, que dependerá de mim de uma maneira que eu não sei como processar? Não consigo sequer imaginar as tarefas diárias que isso demandaria: choro, fraldas, noites sem sono. Isso não é para mim, não faz parte da minha natureza. Esse fardo é insignificante diante da magnitude das questões que cercam minha existência sombria e eterna.