Sinopse:
Depois que cada partícula de seus corpos e almas foram transportados para a mais sombria e perigosa dimensão, Nicholas e Sophia passarão por diversas situações insanas e macabras para retirar as Pedras de Prim do domínio da Coroa Negra, res...
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Capítulo Vinte e Um — Os Selos
Ponto de Vista de Sophia Hummel
Meus olhos piscam repetidamente, como se a simples ação de abrir e fechar as pálpebras fosse suficiente para dissipar o nevoeiro que turva minha visão. Em meio a uma intensa luz vermelha, inúmeros vultos sombrios cruzam apressados de um lado a outro, suas formas borradas e fugidias. O que vejo não tem clareza, mas a sensação de urgência e desconforto é palpável.
Com um esforço desmesurado, fecho os olhos, pressionando-os com força, buscando ao menos algum alívio para a dor que me consome. A angústia toma conta de meu ser enquanto tento compreender a natureza dessa visão agônica. Quando volto a abrir os olhos, o mundo ao meu redor lentamente se firma diante de mim, como se eu estivesse saindo de um torvelinho de névoa. Gradualmente, a visão se estabiliza, e a claridade avermelhada que antes parecia tão opressiva começa a se tornar familiar. Aos poucos, consigo discernir a vastidão do espaço ao meu redor: um imenso vácuo negro, cujo único ponto de luz é essa claridade desconcertante.
Minha vista, ainda enfraquecida, insiste em vasculhar os limites da cena que se desdobra diante de mim. Forço a percepção, tentando enxergar além da luminosidade ofuscante. E então, noto um grupo de sombras escuras, em uma corrida apressada, movendo-se na direção oposta à minha. Meus olhos seguem suas formas indistintas, e logo uma nuvem cinzenta, vasta como um manto, começa a se aproximar. Ela se expande diante de mim, como se estivesse se transformando em uma tela colossal, projetando uma cena sombria: o interior de um quarto.
As sombras, como entidades sem forma, saltam para dentro da nuvem e se aproximam de uma mulher que, com a cabeça baixa, soluça em desespero, as mãos enterradas em seus cabelos. As sombras a cercam, e, quase como por comando, a luminosidade do quarto se apaga, diminuindo sua intensidade até se tornar um mero reflexo distante.
— Você é inútil! — Zomba uma das sombras, com uma voz distorcida, que ecoa no ar como um trovão.
— Eu sou inútil! — A mulher repete, como se não soubesse distinguir suas palavras da confusão de seus próprios pensamentos. Ela não percebe as sombras que a consomem, tão absorta está em sua dor. Sua mente, uma prisão de autoacusação, parece ceder àquelas vozes malignas.
— Mate-se! — Ordena outra sombra, sua voz carregada de ódio, como se quisesse quebrar a última centelha de esperança na mulher.
— Eu não aguento mais! — A moça grita entre os soluços, e, em um movimento abrupto, leva um revólver negro até a cabeça, com um gesto desesperado.
O som do disparo rasga o ar, estridente e fatal. O corpo da mulher cai inerte, mas o espírito que a anima persiste, permanecendo em um estado de confusão, imóvel, como se não soubesse que a morte a tomara. Sua alma, assustada e perdida, é rapidamente engolida pelas sombras, que a arrastam para fora da nuvem e a conduzem para o vácuo escuro, um abismo sem fim.