Sinopse:
Depois que cada partícula de seus corpos e almas foram transportados para a mais sombria e perigosa dimensão, Nicholas e Sophia passarão por diversas situações insanas e macabras para retirar as Pedras de Prim do domínio da Coroa Negra, res...
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Capítulo Doze — Uma Noite Fora do Comum
O choro agonizante da criança reverbera como um martelo em minha cabeça, esvaziando todo o raciocínio lógico que eu me esforço para manter. As veias pulsando na testa parecem prestes a estourar, uma sensação de frustração crescente que me corrói de dentro para fora. Eu abro os olhos, e o sangue parece pulsar em minhas veias, alimentando minha raiva. Como ela pode me deixar tão furioso? Como pode ser tão pequena e, ao mesmo tempo, carregar uma imensidão de chatice dentro de si? Cada grito, cada choro, parece um ataque à minha sanidade.
O odor que chega às minhas narinas é o golpe final. Estou engolindo merda. Literalmente. O ar se torna denso, pesado, e parece que cada respiração me custa um esforço a mais. Eu me aproximo cautelosamente, mas assim que sou visto, a criança para de chorar. Seu olhar inocente, completamente desprovido de malícia, me tira do sério de uma forma que só poderia ser compreendida por alguém que já conheceu uma raiva de um tipo que não se sabe de onde vem, mas se sente como se tivesse se alimentado de um ciclo de frustração interminável.
Ela estende os bracinhos pequenos em minha direção, como se me pedisse colo, e por um momento, minha expressão se suaviza. Merda, por que isso sempre acontece? Um sorriso involuntário se forma nos meus lábios ao perceber que, por mais que sua presença me agite, há algo nela que lembra Sophia. As duas têm mais em comum do que parece à primeira vista. Ambas são capazes de virar minha vida de cabeça para baixo com a mesma facilidade com que um raio atravessa um céu limpo.
Eu respiro fundo, tentando me ancorar, tentando encontrar um pouco de paciência. Ela realmente herdou os fios dourados de cabelo e os olhos cor de caramelo de mim. Não há como contestar, ela é minha filha. Uma pequena coisa incrivelmente adorável, mas que me faz querer arrancar os cabelos. Seu riso, a expressão genuína de alegria, quebra a parede que eu cuidadosamente construí. Ela tem o poder de me fazer sorrir, e isso me deixa, de alguma forma, impotente diante dessa imensidão de sentimentos conflitantes.
Cuidadosamente, eu a suspendo no ar, mas logo sou atingido por uma surpresa inesperada: ela urina. A fralda, ou melhor, a falta dela, me faz perceber que, pela primeira vez, a frustração com algo tão trivial se torna insuportável. Por que Sophia não a colocou a fralda? A raiva se manifesta em um palavrão que sai de minha boca quase sem pensar, mas a pequena parece se divertir, gargalhando da minha insatisfação. Como pode alguém se divertir com algo tão... humilhante? Ela parece não ter a menor ideia do que está acontecendo.
Por um momento, no entanto, deixo de lado a minha frustração ao perceber que, apesar de tudo, sua risada tem algo de inesperadamente agradável. Como se as risadas dela tivessem o poder de silenciar, por breves segundos, o caos na minha mente. Ela me olha com aquela admiração nos olhos, como se eu fosse o ser mais importante do universo para ela. Algo tão puro e simples, mas que, na minha natureza cheia de sombras e imperfeições, é capaz de provocar algo completamente desconhecido: um sentimento de ser importante para alguém. O que, por si só, já seria o suficiente para me deixar perplexo.