Capítulo 6

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Neji acordou de repente com a sua consciência dizendo que ele precisava sair dali. Olhou para o seu peito e teve a mais bela visão de Hinata deitada em si, o longo cabelo esparramados pelo lençol, a mão pequena repousava sob seu abdômen, assim como a coxa grosa em seu quadril. Sorriu e respirou fundo, não queria deixá-la acordar sozinha depois de ter tido sua primeira noite com um homem, contudo, precisava. Os empregados entrariam no cômodo para acordar a rainha e não seria nada agradável ter o seu pescoço em jogo. Saiu com cuidado do colchão macio, cobriu a Hyuuga e vestiu-se depressa saindo do quarto em seguida. Tinha que chegar aos seus aposentos sem encontrar ninguém e conseguiu, respirando aliviado ao se jogar em sua cama.

Sentia-se o homem mais sortudo do mundo e ao mesmo tempo o mais azarado. Não poderia dar certo em hipótese alguma, e se arrependeu por ter ouvido Tsunade. Ele colocou sozinho, em uma noite, duas pessoas em risco e não se perdoaria caso alguém descobrisse e quisesse se voltar contra a sua rainha, mas o sorriso que não abandonava seu rosto ao lembrar dela, da noite, dos toques, o cheiro... céus, sua rainha era perfeita; sua Hinata era perfeita.

Tratou de se vestir para começar o seu dia de guarda. Passaria as horas ao lado dela, sentindo novamente a proximidade que na noite passada era imensa, ficaria de olho nos pretendentes e aproveitaria um pouco mais de sua companhia. Já pronto seguiu para o quarto de Hinata e ao entrar viu a movimentação de criadas para todos os lados. Hoje seria um dia longo, os convidados tomariam o desjejum com a rainha e seguiriam o rumo para suas próprias terras — sorte a sua — mas haveria o lado amargo que sempre acompanharia a vida de Neji. As propostas também seriam deixadas com o pequeno conselho que leria cada uma delas e escolheria o melhor partido para sua Rainha.

— Azar o meu — sussurrou notando a aproximação da Hyuuga. Abriu a porta e fez sua reverência quando sua majestade passou.

Hinata passou a sua frente e seguiu para o local onde aconteceria sua execução, ou o café matinal de despedida dos seus ilustres convidados. Assim que entrou pelas portas todos os presentes se levantaram, reverenciando a rainha. Sorriu contida para alguns e pediu para que se sentassem. Estranhamente, Itachi estava ao seu lado, e Tsunade Senju do outro, ao lado delas de pé, um Neji um pouco diferente do normal.

— Bom dia, Tsu, dormiu bem? Espero que seus aposentos tenham a agradado. — A única ali com quem poderia ser ela mesma, tirando Neji, claro. Tinham anos de amizade e a distância não mudava nada entre as duas herdeiras.

— Dormi muito bem, Hina. Como sempre, me sinto em casa quando venho te visitar.

— Então é um dom seu, fazer-nos sentir em casa? — O Uchiha era charmoso e curioso de uma forma agradável.

— Temo que seja culpa de minha mãe, senhor Uchiha.

— Itachi, ou se quiser me chame de Ita, majestade. — Pegou a mão da morena deixando um beijo nas costas. Neji revirou os olhos automaticamente e foi pego pela Senju que acabou tossindo na xícara de chá que bebia, chamando a atenção de todos.

— Desculpem meu descuido. — Tsunade queria rir, como nunca riu na vida. Estava na cara do moreno que ele queria matar o Uchiha ali mesmo na mesa. Seu tio Tobirama o agradeceria mais tarde.

Hinata retirou sua mão das do moreno agradecendo o cumprimento com um sorriso pequeno. Itachi era um cavalheiro e seria o rei perfeito ao seu lado, caso seu coração já não tivesse dono. Sorriu para a amiga, continuando os assuntos de sempre. Treinos, aulas, tratados e os velhos do conselho. Havia muitas coisas em comum; ser herdeira e mulher, em um mundo de homens velhos, de pensamentos ultrapassados e toda a história de legado, nome, futuro e herdeiros.

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