Neji acordou de repente com a sua consciência dizendo que ele precisava sair dali. Olhou para o seu peito e teve a mais bela visão de Hinata deitada em si, o longo cabelo esparramados pelo lençol, a mão pequena repousava sob seu abdômen, assim como a coxa grosa em seu quadril. Sorriu e respirou fundo, não queria deixá-la acordar sozinha depois de ter tido sua primeira noite com um homem, contudo, precisava. Os empregados entrariam no cômodo para acordar a rainha e não seria nada agradável ter o seu pescoço em jogo. Saiu com cuidado do colchão macio, cobriu a Hyuuga e vestiu-se depressa saindo do quarto em seguida. Tinha que chegar aos seus aposentos sem encontrar ninguém e conseguiu, respirando aliviado ao se jogar em sua cama.
Sentia-se o homem mais sortudo do mundo e ao mesmo tempo o mais azarado. Não poderia dar certo em hipótese alguma, e se arrependeu por ter ouvido Tsunade. Ele colocou sozinho, em uma noite, duas pessoas em risco e não se perdoaria caso alguém descobrisse e quisesse se voltar contra a sua rainha, mas o sorriso que não abandonava seu rosto ao lembrar dela, da noite, dos toques, o cheiro... céus, sua rainha era perfeita; sua Hinata era perfeita.
Tratou de se vestir para começar o seu dia de guarda. Passaria as horas ao lado dela, sentindo novamente a proximidade que na noite passada era imensa, ficaria de olho nos pretendentes e aproveitaria um pouco mais de sua companhia. Já pronto seguiu para o quarto de Hinata e ao entrar viu a movimentação de criadas para todos os lados. Hoje seria um dia longo, os convidados tomariam o desjejum com a rainha e seguiriam o rumo para suas próprias terras — sorte a sua — mas haveria o lado amargo que sempre acompanharia a vida de Neji. As propostas também seriam deixadas com o pequeno conselho que leria cada uma delas e escolheria o melhor partido para sua Rainha.
— Azar o meu — sussurrou notando a aproximação da Hyuuga. Abriu a porta e fez sua reverência quando sua majestade passou.
Hinata passou a sua frente e seguiu para o local onde aconteceria sua execução, ou o café matinal de despedida dos seus ilustres convidados. Assim que entrou pelas portas todos os presentes se levantaram, reverenciando a rainha. Sorriu contida para alguns e pediu para que se sentassem. Estranhamente, Itachi estava ao seu lado, e Tsunade Senju do outro, ao lado delas de pé, um Neji um pouco diferente do normal.
— Bom dia, Tsu, dormiu bem? Espero que seus aposentos tenham a agradado. — A única ali com quem poderia ser ela mesma, tirando Neji, claro. Tinham anos de amizade e a distância não mudava nada entre as duas herdeiras.
— Dormi muito bem, Hina. Como sempre, me sinto em casa quando venho te visitar.
— Então é um dom seu, fazer-nos sentir em casa? — O Uchiha era charmoso e curioso de uma forma agradável.
— Temo que seja culpa de minha mãe, senhor Uchiha.
— Itachi, ou se quiser me chame de Ita, majestade. — Pegou a mão da morena deixando um beijo nas costas. Neji revirou os olhos automaticamente e foi pego pela Senju que acabou tossindo na xícara de chá que bebia, chamando a atenção de todos.
— Desculpem meu descuido. — Tsunade queria rir, como nunca riu na vida. Estava na cara do moreno que ele queria matar o Uchiha ali mesmo na mesa. Seu tio Tobirama o agradeceria mais tarde.
Hinata retirou sua mão das do moreno agradecendo o cumprimento com um sorriso pequeno. Itachi era um cavalheiro e seria o rei perfeito ao seu lado, caso seu coração já não tivesse dono. Sorriu para a amiga, continuando os assuntos de sempre. Treinos, aulas, tratados e os velhos do conselho. Havia muitas coisas em comum; ser herdeira e mulher, em um mundo de homens velhos, de pensamentos ultrapassados e toda a história de legado, nome, futuro e herdeiros.
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Casulo de Seda
FanficHinata sabia de côr todas as suas responsabilidades como rainha, mas nenhum conselho retrógrado, um mar de exigências, regras ou futuros pretendentes poderiam parar um amor que nasceu discreto e tomou proporções gigantescas. Em um mundo onde uma mul...
