Anna Cooper viveu sua vida inteira com restrições, seus pais nunca a deixavam sair de casa ou fazer amigos, eles alegavam que as pessoas de fora eram maus e a machucariam. Quando completou 18 anos com a ajuda de uma das empregadas e do motorista da...
Faz cinco meses que voltei para esse inferno e desde então muitas coisas aconteceram. Minha saúde está completamente instável. Desde o dia em que matei o Christopher venho tendo diversas crises de pânico. Em uma delas cheguei a cair na escada. Os primeiros meses foram os mais difíceis, porém depois que Victor liberou Lia para me atender tudo melhorou um pouco. Tenho inclusive praticado guias atividades físicas, claro que tudo bem de leve já que estou grávida.
Sobre a gravidez... tem sido muito difícil. Quando entrei na 24° semana quase perdi minha filha, graças a doutora ela está bem. Agora que estou com 34 semanas tudo tem sido mais difícil, as contrações de treinamento, as dores que sinto no corpo e meu ânimo também. E sobre o nome da minha princesa, Victor não me deixou escolher, apenas me comunicou e disse que eu não tinha que concordar.
Minha relação com o Victor vai de mal a pior. Todas as vezes que tentamos conversar, acabamos brigando. Graças ao bom Deus ele também não tem me procurado para transar, acho que devido a gravidez ser de risco, ele prefere evitar. Estamos inclusive dormindo em quartos separados, é óbvio que as vezes ele vem e dorme do meu lado, mas nada além disso.
Infelizmente hoje temos um evento para ir. Pelo que Olivia me falou é um leilão da máfia. Não, eu não quero ir, mas Victor deixou bem claro que não tenho escolha. Para evitar desgastar meu amocional mais ainda, decidi ir e aceitar que perdi mais uma vez.
Visto o vestido que escolhi, me olho no espelho e acaricio minha barriga. Em breve minha filha estará em meus braços.
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- A senhora está linda. - Olivia fala.
Nesses meses Olivia tem andado muito estranha. Toda vez que falo da gravidez, ela fecha a cara e muda o tom de voz. Quando perguntei se havia algum problema, ela negou e disse que estava muito feliz por mim.
- Obrigada. - ela me entrega a bolsa.
- Senhor ferrara está esperando lá embaixo.
- Ok.
Saio do quarto, desço as escadas e dou de cara com Victor vestindo um terno azul marinho muito bonito. Não posso negar que Victor é bonito, mas assim que lembro de tudo que ele me fez, não consigo ver mais sua beleza.
- Como estão minhas duas princesas ? - fala acariciando minha barriga. - Valentina ! - ele chama minha filha ela rapidamente responde chutando minha barriga.
É incrível, basta ela ouvir a voz do Victor que já começa a se mexer.
- Não precisa ficar com ciúmes. - ele fala sorrindo para mim.
- As pessoas sentem ciúmes de quem amam, eu não amo você. - falo e saio andando para o carro.
Entramos no carro e fomos rumo ao leilão.
Chegamos em um salão muito bonito, área aberta. Os convidados já tinham chegado. Havia muitas mulheres também, é incrível que tenha mulheres que são felizes levando esse tipo de vida.
- Comporte-se. - sussura em meu ouvido.
- O leilão irá começar ! - um senhor anuncia.
O leilão começou e para a minha surpresa estavam leiloando armas, joias e propriedades particulares.
- Você quer alguma coisa ? - nega.
- Vamos sortear a exclusiva Ilha de Europa. - o senhor anuncia. - lace inicial, 50.000 euros.
- 100.000. - Victor levanta a placa.
- 200.00. - uma senhora levanta também.
- 300.000.
- 400.000
- 400.000 euros. - ele bate o martelo. - dole 1, dole 2, dole...
- 1.000.000 de euros. - Victor diz e todos ficam surpresos.
- 1.000.000. - o senhor faz uma pausa. - vendido parao senhor Ferrara. - todos aplaudem.
Por que gastar tudo isso em uma ilha ?
Sinto um mal estar e devido ir ao banheiro.
- Preciso ir ao banheiro. - falo com Victor e levanto.
Caminho até o banheiro com um pouco de dificuldade. Entro me olho no espelho e quando estou caminhando até a cabine, sinto um líquido escorrer pelas minhas pernas. Levanto o vestido e vejo que minha bolsa estourou.
Tento andar, mas começo a sentir contrações.
- Ai. - gemo de dor.
Tento caminhar e acabo caindo sentada no chão.
- Alguém me ajuda ! - grito.
Minha filha estava prestes a nascer e eu nada podia fazer.
- SOCORRO ! - grito.
Aos poucos minha força se esgota e me entrego a dor que estou sentindo.
- Calma filha. - tento conversar com ela.
Sinto a falta de ar e o despero tomar conta do meu corpo. Não posso ter uma crise de pânico agora. De repente tudo fica escuro.
Victor narrando
Estou sentado assistindo o leilão e nada da Anna voltar. Agoniado com tanta demora, levanto do meu lugar e vou até o banheiro. Ao me aproximar, percebo uma certa agitação.
- O que está acontecendo ? - ouço uma mulher perguntar.
- Parece que acharam uma grávida desmaiada no banheiro.
Na mesma hora sinto meu coração apertar. Minha esposa e filha precisam estar bem. Empurro todas aquelas pessoas, entro no banheiro e vejo Anna deitada no chão com a bolsa estourada.
- O que o senhora faz aqui ? - uma mulher me pergunta.
- Sou o marido dela. - falo. - Já chamaram a ambulância ?
- Sim.
Fico do lado da Anna até a ambulância chegar levar ela para o hospital. Chegamos no hospital e Anna foi encaminhada para a área da maternidade.
- Olá, o senhor é o que da paciente ? - a médica me pergunta.
- Sou seu marido.
- A paciente está com a bolsa estourada, fizemos alguns testes e chegamos a conclusão de que faremos uma cesariana para garantir a segurança das duas.
- Eu posso entrar ?
- Pode, o infermeiro o ajudará a colocar a roupa. - ela fala e sai.
Depois de terminar de me preparar finalmente entro na sala e encontro Anna anestesiada.
- Tentamos mantê-la acordada, mas a paciente pode não aguentar e acabar tendo outra crise. - a médica fala. - Vamos começar. - ela avisa.
Olho para a Anna que dorme em um sono profundo e fico pensando em tudo que vivemos. Hoje consigo entender que o que fiz foi errado. Eu destruí essa pobre menina. Mas não tenho culpa, a culpa é deste maldito sentimento, que não me permite esquecê-la. Agora tudo será diferente, Valentina chegou para nos unir e selar nossa união por toda as nossas vidas.
Depois de refletir sobre tudo que aconteceu nos últimos anos, sou interrompido pelo choro da minha Valentina.