Capítulo 28

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Jae era o terror da casa, literalmente.

Ele havia comido os chinelos de todos de casa, destruído o pomar do meu pai, rasgado um dos livros que minha mãe tinha esquecido no chão da sala e bom, o coelho rosa que tinha comprado com o outro Jae tinha se tornado sua pelúcia e já não tinha mais uma das orelhas ou rosto porque ele comeu tudo.

Sabia que por ser filhote ele daria trabalho, mas toda vez que meu pai me olhava, via o arrependimento brilhar em seu rosto, mas quando não estava perto ouvia dizer que estava satisfeito porque agora eu não ficava mais trancafiada no quarto, o que era óbvio porque os gritos que eles davam quando Jae aprontava não me deixar mais sossegada na cama, o que realmente era bom.

Jae dormia agora em cima da minha barriga enquanto eu lia um livro, momento raro e único do dia, acabei percebendo que não estava lendo e sim olhando para o seu rostinho calmo enquanto cochilava. Sorri acariciando o topo da sua cabeça e percebi que estava muito grata por tê-lo, ele tinha me dado algo por qual sorrir novamente ou o que pensar além do meu romance trágico. Por causa dele estava voltando a uma rotina normal e talvez até melhor.

— Filha, está dando o horário.

— Sim, já vou, mãe.

Como meus pais queriam que eu me distraísse mais, me deram a oportunidade de tirar minha habilitação desde que visitasse uma psicóloga. Fazia um mês que só eu pegava o carro agora e andava para cima e para baixo sendo o motorista deles.

— Ei, Jae. — Fiz carinho nele enquanto o chamava tentando despertar. — Está na hora.

Ele bocejou antes de sair da cama e fugir da minha vista, ele sentia quando tinha que visitar a veterinária. Rindo, corri atrás dele pela casa até conseguir o capturar e enfiar sua coleira. Seria uma tortura ter que o entregar para a médica para castra-lo, mas sabia que era para o seu bem.

Dirigi até o centro da cidade e cheguei na clínica, levaria algumas horas até ele ser liberado, então aproveitei para fazer a compra para minha mãe. O mercado estava cheio por conta do horário, mas não me importei. Descobri que as sessões de terapia me ajudaram a encarar a multidão sem me preocupar, tinha ficado tanto tempo dentro de casa que tinha perdido o jeito de me misturar.

Para o meu azar, a loja começava a vender produtos do BTS e parecia que sempre que olhava o único que tinha era com o rosto de Jungkook estampado, sempre fugia desses corredores do medo dos sentimentos que poderia me consumir quando visse o seu rosto.

Era estranho, mas ele se parecia como um sonho, mal conseguia lembrar da sua voz ou do seu rosto, era tão distante que preferia que continuasse assim por muito tempo.

O carrinho estava cheio quando decidi pegar a fila do caixa, umas garotas à minha frente olhavam uma revista e conversavam.

—Já faz meses e não sei como ainda não aceitaram, e não divulgaram nenhuma foto. — Percebi que a foto que elas olhavam tanto era de Jungkook, puxei o carrinho com força e fugi quase correndo.

Eu estava bem, muito bem. Não tinha porque me preocupar, fazia tanto tempo que não tinha porque me lembrar.

Naquela noite, Jae ainda estava desmaiado em sua caminha por conta da cirurgia e dos remédios. O silêncio reinava em casa e percebi que isso não era bom, precisava de algo para fazer.

Comecei a mexer em algumas coisas do meu guarda roupa quando encontrei meu celular, o celular que eu não usava há meses. Minha mãe ainda reclamava que eu devia voltar a usá-lo porque às vezes precisava falar comigo e era impossível porque eu não tinha um aparelho. Quer dizer, tinha, mas não tinha coragem de ligá-lo.

Ele é um idol ♪ BTSHistórias para pegar e não largar. Descubra agora