DEZENOVE

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Dirigir nunca foi tão agoniante, sair do deserto de Nevada até Los Angeles em uma via totalmente cheia mesmo com o tempo ruim, está se tornando um pesadelo

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Dirigir nunca foi tão agoniante, sair do deserto de Nevada até Los Angeles em uma via totalmente cheia mesmo com o tempo ruim, está se tornando um pesadelo. A chuva cai firme, a cada vez que eu me permito observar o céu ele está mais escuro e tenebroso.

Sinceramente eu odeio chuvas, eu evito sempre que posso dirigir enquanto uma delas se faz presente no ambiente, mas hoje foi inevitável. Apesar de tudo, um alívio é marcado em meu peito, por eu estar indo embora pra minha casa. Toda ferrada, mas estou indo.

O que vão pensar quando eu chegar assim? Totalmente machucada, com o rosto inchado e minhas roupas sujas. Eu literalmente cheiro a peixe podre. Meu carro irá precisar ficar 3 dias no lava jato para tirar esse cheiro de sebo.

Começo a planejar desculpas em minha mente sempre que paro em um sinal. Provavelmente Savannah está trabalhando, querendo ou não já é segunda-feira, a empresa está a todo vapor. Entro em meu bairro, as lojas estão fechadas, poucos carros e ônibus passam pela rua. Alguns jovens se espremem em baixo de um pequeno guarda-chuva à minha esquerda, me desbloqueando memórias da minha adolescência.

Meu terror e amor era voltar da escola quando estava chovendo, eu sentia um frio tremendo, seja nos Estados Unidos ou no Brasil. Meus amigos sempre abriam seus guarda-chuvas e me apertavam debaixo. Íamos falando bobagens do colégio até em casa, na época eu morava em Nevada, e todos os meus colegas de classe moravam no mesmo bairro que eu. Eram os ápices do meu dia, eu podia sentir aquele brilho da felicidade dentro de mim, mesmo estando ensopada e com frio.

Minha vida era mais colorida antes de eu saber a verdade, antes de eu descobrir o que ele fez, antes de eu ser quem eu sou hoje.

Desço do meu carro e pego um sobretudo de lã no banco de trás, entro no prédio apressada e rezo profundamente para que não tenha ninguém no elevador. Orações negadas, minha vizinha do penúltimo andar estava lá. É uma senhora doce e gentil, sempre me tratou como uma neta. Todas as vezes que ela faz um bolo diferente, ela deixa dentro de um pote na minha porta, o bolo e logo em cima um bilhete. Às vezes está escrito "Bom dia, ou até um Está Linda Hoje querida!. " É algo importante pra mim de qualquer forma. Eu nunca tive uma avó para me fazer essas coisas.

— Olá Any.. não te vejo há algum tempo! — Ela estava agasalhada, e segurava as bolsas do mercado do centro. Sorri para ela meio sem jeito, ela não pode notar meu olho roxo, droga.

— Estava bem ocupada, Cláudia! — Respirei fundo virando o rosto.

— Está machucada Any? O que houve? – Ela pareceu pensar. — Não me diga que algum namorado a agrediu, vamos denunciá-lo já! — Eu sorri.

— Não, Não, Claudia.. eu sofri um pequeno acidente em minha última viagem de trabalho, está tudo bem! — Ela pareceu se conformar, e logo o elevador abriu a porta em seu andar.

— Se cuida meu bem! — Ela saiu, e eu sorri. Aquilo foi fofo.

Continuei no elevador, até meu andar, a porta foi aberta revelando meu pequeno corredor. Me arrastei por ele, e abri a porta com uma pequena dificuldade. Minha casa cheirava a guardado, parece que ninguém esteve aqui por meses, mas só faz 3 dias. Não fiz pausas durante meu caminho até o banheiro do meu quarto, fora a hora que joguei minha bolsa sobre a cama.

One Objective: Kill you or Love you Onde histórias criam vida. Descubra agora