Pandora Duncan
— Pandora? — alguém chamou o meu nome.
Daniel?, eu queria perguntar. Você está aqui?
Mas meus lábios não fizeram menção de funcionar.
Eu quase não sentia meu coração pulsando.
Meus pulmões quase não estavam funcionando.
Meu corpo estava se movendo?
Eu queria chorar de alegria.
Não sabia quanto tempo havia ficado aprisionada, porém pela fadiga em meus músculos, sabia que havia sido muito.
Cifer iria me pagar.
Aquela besta maldita!
Eu sabia que estava na caverna, porém meus olhos mentiam para mim, pois tudo o que eu enxergava ao meu redor era um lugar feito de lava... lava, rochas e chamas.
E sangue. Muito sangue. Rios de sangue. Cachoeiras...
Queria sair dali. Daquele calor. Daquele odor pútrido. Daquela atmosfera mórbida.
Senti uma mão presa em meu pé e eu o puxei com força, porém a mão apenas forçou-o, fazendo-me cair no chão enquanto ela me arrastava.
Eu berrei de medo, de pânico, porém não conseguia me segurar a nada. Eu estava sendo arrastada a um rio ácido por um ser que estava em estado de decomposição eterno.
Olhei para minha mão, para meu anel e minha tatuagem, na esperança que eles pudessem me salvar daquela situação infernal, porém eles não estavam mais em minha posse, na verdade, meus braços estavam cobertos de sangue, sangue de outras pessoas.
Olhei para o chão, aos meus pés, e percebi que havia marcas de sangue ali também, assim como nas paredes.
Apertei meus olhos e vi que não eram apenas marcas de sangue. Eram nomes.
Quem?
— Pandora? — novamente me chamaram e eu senti uma mão em meu braço, um formigamento naquele lugar, o calor emanando daquela mão aquecendo meu corpo gelado.
Minha visão ficou negra e eu me senti uma boneca de pano caída.
A mão me puxou para cima, apenas tentando retirar meu rosto do chão, e eu vi os olhos da pessoa que estava vindo em meu resgate.
Frederico?!
Como ele...?
Eu não sentia meu corpo, apenas pequenas pressões.
Ele passou os braços pelos meus ombros em um abraço terno e eu senti vontade de abraçá-lo de volta, mas não consegui.
— O que aconteceu? — ele perguntou, passando a mão em minha testa.
Senti dor.
Eu senti dor!
Ele me olhou preocupado, porém tudo o que eu sentia era alivio, pois se eu sentia dor, significa que um dia, eu conseguiria sentir meu corpo novamente.
— Você a acordou — a voz enojada de Cifer ecoou pela caverna.
Ele estava como um gato preto.
Eu bem que poderia quebrar o pescoço dele.
— Por que ela estava dormindo? — Frederico perguntou em sua mortal ingenuidade
VOCÊ ESTÁ LENDO
Pseudomágica
FantasyPandora Duncan, a tentação encarnada, é uma bruxa em treinamento que não sabe fazer uma bruxaria. Frederico Bertolini, notório por sua má fama com as mulheres, descobriu que não viveria para completar vinte anos. O que os dois têm em comum? Uma tard...
