Couro novo, pena preta
Pandora acordou depois da queda que deveria ter quebrado todos os seus ossos.
Não estava em nenhum lugar que reconhecesse, porém sabia que não estava mais fora de seu habitat natural.
Ela estava em casa, na Terra, viva.
Deu certo.
A garota começou a chorar compulsivamente, tentando controlar os soluços que escapavam pelos seus lábios mesmo que ela os estivesse mordendo.
Deu certo e ela viveu. Deu certo e ela estava de volta. Deu certo e ela era humana. Deu certo e Frederico estava vivo. Deu certo e ela conseguiu encontrar um equilíbrio para o mundo.
Beatriz teria que engolir seu orgulho e suas atitudes de superioridade para com os pecadores que conseguissem se redimir e fossem aceitos no Paraíso. E pronto, nada mais a garota queria saber. Uma vez fora daquele círculo paranormal de informações privilegiadas, ela realmente gostaria de sair dele, sem pensar ou questionar o andamento de sua história.
Respirou fundo, contudo não foi fundo suficiente e ela precisou voltar a chorar, deixando o desespero de uma semana de angústia ser liberado de seu sistema.
Era tão bom abrir seus olhos, mesmo que inchados e vermelhos, e perceber que ninguém mais dependia de suas ações. Ela se sentia mais livre, mais leve, mais forte.
Ela sobreviveu ao impensado. Quem não se sentiria bem com aquilo?
Aos poucos conseguiu recuperar sua lucidez e olhou ao seu redor e percebeu que estava em uma praia. Levantou-se, retirando a areia de sua calça, enquanto andava para descobrir sua atual localização.
Uma mulher ruiva estava correndo pela praia, e foi nesta direção que Pandora andou, tentando interceptá-la em seu trajeto antes que ela fugisse e a garota ficasse, mais uma vez, sozinha.
— Com licença — ela chamou, porém a mulher, com seus fones de ouvidos, não a escutou — por favor! — ela gritou, finalmente chamando a atenção necessária.
— Sim? — a mulher perguntou, retirando os fones e sorrindo cordialmente.
— Eu estou perdida, onde estou?
Ao invés de encontrar um olhar de reprovação, ela viu um sorriso surgir nos lábios da mulher, um sorriso cúmplice e entendedor.
— Conhece os Estados Unidos? — a mulher perguntou — então, estamos na ilha ao lado.
— A ilha perto do Havaí? — apenas para garantir a informação, Pandora perguntou.
— Exatamente — a mulher riu — a festa de ontem foi boa, não foi? Até não se lembra de onde está.
As bochechas da garota coraram imediatamente com o comentário. Fazia muito tempo desde a última festa que frequentou. Muito aconteceu desde então. Parecia até que eram vidas separando os fatos — e, de fato, eram.
— Não é isso, eu... — mas não havia como explicar o que aconteceu sem aparentar ter perdido a lucidez — eu apenas... quero ir para casa.
— Casa, esse é um bom lugar para ficar quando estamos tristes, não é? — a mulher tocou o nariz de Pandora e a garota percebeu que ainda estava com o rosto inchado pelo choro anterior — fique tranquila, de lágrimas eu entendo muito bem, apenas quero saber uma coisa: foi um garoto?
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Pseudomágica
FantasiPandora Duncan, a tentação encarnada, é uma bruxa em treinamento que não sabe fazer uma bruxaria. Frederico Bertolini, notório por sua má fama com as mulheres, descobriu que não viveria para completar vinte anos. O que os dois têm em comum? Uma tard...
