Pandora Duncan
Subi as pressas a escada de casa.
Eu precisava dele. Precisava desesperadamente apenas ouvir a sua voz — mesmo que fizesse apenas alguns dias que eu não o via.
Abri a porta do meu quarto como se ele estivesse em chamas e eu tivesse apenas cinco segundos para pegar o que eu precisava.
Nicole estava dormindo ali, porém seu sono era tão pesado que eu sabia que ela não acordaria mesmo que eu derrubasse um piano ao seu lado.
Retirei meus sapatos e abri minha gaveta, pegando um papel.
Não, não era nada extremamente importante para a bruxaria, porém era importante para mim naquele instante. Eu só queria me sentir segura e agora, sem Daniel, eu só tinha um homem em quem confiava.
Disquei o número com dedos trêmulos. Aquele papel deveria estar com minha mãe, porém ela pensa que o perdeu.
— O que aconteceu? Estão todas bem? — a voz do outro lado da linha me inundou de esperanças. Esperanças de que tudo poderia ficar bem.
— Pai, sou eu — eu comentei, respirando com força.
Aquela era a linha de emergência que apenas nós tínhamos. Era a linha para acionar apenas quando algo realmente estivesse acontecendo. E estava.
— O que houve, filha? — ele estava preocupado e sonolento.
— Eu... — parei de falar sentindo lágrimas em meu rosto.
— Pandora, o que houve?
— Eu descobri minha magia hoje... foi horrível, papi! Eu senti toda essa energia fluindo dentro de mim, querendo sair e de repente eu estava machucando pessoas! Eu queria machucá-las, mas não de verdade, entende? Apenas estava com raiva e agora eu não sei o que eu faço!
— Já falou com sua mãe sobre isso?
— Não. Eu tenho medo do que ela possa falar, afinal ela nunca pareceu muito animada com o fato de eu, eventualmente, descobrir minha magia.
— Fale com ela, não pode tentar entender isso por si só.
— Você acha que eu vou ficar bem?
— Sempre, minha menina, você é uma guerreira, sempre batalhando pelo que quer e fazendo o que é certo. Eu sempre vou te apoiar, em qualquer momento e situação — ele suspirou — sinto mundo não estar tão presente em sua vida.
— Tudo bem, o importante é que você ainda está aqui e você ainda é meu pai. Eu te amo, papi.
— Eu também e não se esqueça, pode me ligar a qualquer momento.
— Mesmo?
— A qualquer momento, pequena.
Eu desliguei o celular e amassei o papel contra a minha mão.
Eu estava apavorada, mas isso não significava que fosse acabar aqui, pois, infelizmente, estava apenas começando.
Começando o que?
Ouvi uma tosse forte vinda do corredor.
Oh não.
Eu queria correr, abrir a porta em um estouro e abraçar minha avó como se ela fosse a parte de mim que estava prestes a me deixar, pois ela estava.
Eu fiquei alguns segundos na porta apenas ouvindo sua respiração, ouvindo seu coração batendo, os passos de minha mãe, a cama ranger, a tosse seca... era como se eu estivesse lá e ao mesmo tempo não.
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Pseudomágica
FantasyPandora Duncan, a tentação encarnada, é uma bruxa em treinamento que não sabe fazer uma bruxaria. Frederico Bertolini, notório por sua má fama com as mulheres, descobriu que não viveria para completar vinte anos. O que os dois têm em comum? Uma tard...
