XLII - Frederico Bertolini

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Frederico Bertolini




Por mim se vai à cidade dolente, ardente, insistente, pungente, crescente, constante, latente, angustiante, nauseante, atordoante. Sempre eterna!

Por mim se vai à eterna dor — qual dor? Onde está o amor? Sem pudor? Oh, que odor! Vês apenas terror. Qual andador? Um trator? Como és animador! Som de motor? Não, computador! Ventilador? Secador? Lavador! Passas pelo corredor? Aquele corretor? Não, vendedor! Modelador? Coletor! Que horror! Dessabor! Infindável sofrimento.

Por mim se vai à perdida gente, carente, eloquente, ouvinte, recente, valente, irreverente, vigente, absente, atraente, contente, farsante, Prudente, competente, tolerante, deferente, diligente, fragrante, insolente, quantitativamente ou qualitativamente. Apenas sem rumo.

Justiça moveu meu alto Criador — mais um perdedor? Qual vencedor? Instigador! Perseguidor? És o portador? Massageador? Incriminador! Louvador! Mais um pecador? Outro receptor! Quem é o narrador? Criaste um governador? Não eras opressor? Viva o ditador! Ora arrasador, ora poluidor. Sabes do falador? Matracador? Aquele marcador? Ganhador? Não, ele é mais um.

Que me fez com divino poder, temer, entreter, resplandecer, acolher, nascer, morrer, entardecer, obscurecer, viver, comer, beber, saber, ler, derreter, haver, deter, querer, perder, vencer, lazer, gemer, trazer, prender, desfalecer, fazer. Ou mais humano.

O saber supremo e o primeiro amor — olha o calor! Mas que ardor! És um profanador! Sentiste o teor? Chores pela flor! És um ator! Um autor? Bolor? Faças o favor! Fedor de licor! Tu és major? Falta de humor! Tens que se impor! Traje a rigor? Mais um setor! Voz de tenor! Aquele visor? Não tens valor! Preciso de um tutor. Quanto vapor! Sei de nada.

Antes de mim, coisa alguma foi criada, amada, atada, achada, acabada, exaustada, entregada, levada, resgatada, enamorada, falada, salvada, quilhada, enteada, relevada, terminada, ultimada, ignorada, obrigada, perpetuada, abraçada, saraivada, dada, felizarda, governada, humilhada, nadada, lamuriada. Primeiro e último.

Exceto coisas eternas, e eterno duro eu — quem é Tadeu? O que é meu? Ou és teu? Não vejo no breu! Sons de pneu? O nome é Abreu! Só antecedeu! Nos braços de Orfeu! Ela padeceu? O Romeu? Eras o apogeu! O hebreu? Apenas abasteceu! Permaneceu? Lá no coliseu? Mais um europeu! Jubileu? És Odisseu? E acabo de morrer.

Deixai todas as esperanças, oh, vós que entrais, tratais, lavais, encalhais, corais, ensaiais, cantais, dançais, arrumais, consigais, conversais, descomeçais, supratemporais. Então saia!

Por mim se vai à cidade dolente — Meu dente! Na fonte? Encante! Qual estante? Avante! Estás ciente? Não és crente? O sol é poente! Estás doente? Em frente! Urgente? Descascado batente? Com o comandante? Lá na fronte? Não és decente! Durante? Corpo docente? Lua minguante? Extasiante! Mas que gigante! Apenas inocente? Mais para picante!

...




A/N:

Frederico enlouquecendo bem aos poucos. Será que Pandora chegará a tempo de salvá-lo? Ou melhor, será que ela chegará a tempo de conseguir salvar os dois?

Fiquem ligados, pois os próximos capítulos serão eletrizantes - e talvez de partir o coração.

Obrigada pelo carinho e por continuarem a votar <3

Um beijoo



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