Pandora Duncan
Era como se eu estivesse caindo mesmo que meu corpo não tivesse se movido um centímetro para o lado. Tudo ficou negro e eu me encontrei perdida no ébano de sussurros e compilações com a sutil esperança que uma voz familiar pudesse me guiar de volta para luz. De volta para o conhecido. De volta para a minha realidade.
De repente eu senti como se a minha queda não fosse apenas uma queda, e sim um giro, e eu estivesse de ponta cabeça para um vulto que estava parado bem a minha frente.
Senti meu estômago revirando e segurei com ainda mais força as minhas mãos, sentindo a relíquia entre elas.
Será que foi ela quem fez isso? Ou foi outra pessoa?
Será que os Guardiões me encontraram?
Então, enfim, senti um baque forte contra meu peito, arrancando-me o fôlego e me lançando para trás, porém eu não bati contra a parede nem contra a quina da cama, pois eu estava apenas estava sentada, exausta, na cama por uma ginástica que eu não pratiquei.
Passei a mão sobre minha cabeça e percebi que eu suava.
— Bruxas possuem a magia, ourives possuem a matéria. Cada um controla o seu meio a maneira que consegue. Sempre foi e sempre será assim — Lúcifer olhou para Frederico e o mesmo o olhou intensamente de volta — qual o nome do ancestral de Jason, você sabe?
— Apenas sei as iniciais. DA — ele comentou observando novamente a relíquia em minhas mãos como se quisesse ter certeza que via o que realmente pensava ver.
O que acabou de acontecer?
— Vocês sentiram isso? — eu perguntei ainda sem fôlego.
— Se você se refere ao vento frio, sim — Lúcifer comentou como o brincalhão que era — mas se quer dizer da sua primeira experiência em viagem temporal, não.
Viagem... temporal?
Então é por isso que eles estão falando a mesma coisa de antes?
— Como...? — eu comecei a perguntar, contudo me parei no meio da frase, eu não queria saber todos os detalhes de como eu havia feito algo que eu prometi a Lúcifer jamais fazer.
— Espera, teve uma viagem temporal aqui e agora? — Frederico indagou perdido em nossa conversa — como eu não senti nada disso?
— Por que não era você quem estava manuseando a relíquia — Lúcifer comentou com desprezo — e nem pense que se fosse você mudaria algo, pois apenas um Viajante pode manipulá-la.
— Então por que os Guardiões querem minha relíquia se eles não podem usá-la?
Aquilo estava virando um festival de perguntas sem resposta que frustrava a nós três, pois o quanto mais chegávamos perto de descobrir algo, outras indagações vitais apareciam em nosso caminho, mudando nosso rumo.
— Você acha que é a única Viajante? — o gato miou alto, rindo de minha inocência.
— Você disse que nasce uma a cada trezentos anos ou mais... você...
— Sim, eu disse isso, mas nunca disse que você era a única viva atualmente — ele explicou — existe apenas uma relíquia para os Viajantes, porém não existe apenas um Viajante para a relíquia, por isso que você precisa cuidar desta coisa com a sua vida.
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Pseudomágica
FantasiPandora Duncan, a tentação encarnada, é uma bruxa em treinamento que não sabe fazer uma bruxaria. Frederico Bertolini, notório por sua má fama com as mulheres, descobriu que não viveria para completar vinte anos. O que os dois têm em comum? Uma tard...
