XXV - Pandora Duncan

680 94 15
                                        

Pandora Duncan






O que?

Lúcifer foi um pouco dramático demais com as suas revelações e eu não pensei isso.

— O que é isso em minha mente? — coloquei os meus dedos sobre as têmporas fechando meus olhos.

— Ah, boneca, vou logo jogar as cartas na mesa para acabar com o drama de vocês — ele pulou do banco traseiro para o dianteiro — nunca precisei dizer tudo isso para uma Viajante, nunca, mas parece que tudo com você é diferente!

Eu prendi a respiração enquanto sua cauda balançava de um lado para o outro.

— O que você ouve em sua mente é o pensamento do seu colega aqui do lado, e aposto minha pata direita que ele também a escuta — Lúcifer falou calmamente, mas eu já estava surtando.

— Como assim ele escuta o que eu...? Isso não é...? Meu Deus do céu então...? — eu podia sentir minhas bochechas corando.

— Ah, não se preocupe, isso só acontece quando emoções muito fortes passam por você ou quando você precisa de ajuda — ele comentou.

— Então ela não sabe tudo o que eu estou pensando?

— Nem tudo, só algumas coisas que você se deixa partilhar.

— E como eu faço para não compartilhar nada? — eu perguntei e percebi o olhar perturbado de Frederico em minha direção.

— Não confia em mim?

— Confio, mas...

— Então qual o problema em seu saber o que você pensa? A menos que você pense muito em mim e tenha vergonha de...

— Não é isso! Eu só quero minha privacidade sem ter que medir até mesmo o que eu estou pensando.

— O único jeito dessa ligação se romper é se ele morrer — Lúcifer esclareceu.

Nós nos olhamos por um instante analisando as chances e as oportunidades, medindo os pesos e testando as possibilidades de algo dar muito certo ou muito errado.

— Eu acho que estou bem com você sabendo o que eu penso — constatei depois de um minuto de silêncio.

— Eu também — ele murmurou como se a ideia de morrer, mesmo que até minha mãe e minha avó o tivessem alertado sobre esse futuro breve acontecimento, o assustasse mais do que qualquer outra coisa.

E assustava a qualquer um.

Até mesmo isso me assustava.

Lancei a Lúcifer um olhar questionador bem discreto, tentando descobrir se ele estava falando tudo isso porque era uma verdade indiscutível, ou se ele apenas queria convencer Frederico a nos acompanhar por outros motivos que ele ainda não havia revelado a minha pessoa.

No entanto ele não me olhou, então não consegui entender suas intenções obscuras.

— Mais alguma coisa que eu precise saber? — perguntei sem fôlego.

— O resto é com Emanuelle.

— Quem é Emanuelle? — Frederico perguntou.

— Uma bruxa que vai me ajudar — eu respondi.

— No que?

— A saber quem sou.

— Crise existencial?

— O de sempre — eu gracejei sem querer falar sobre o assunto — então, você vem conosco?

— Preciso primeiro avisar minha mãe que eu estou trancando a faculdade.

— Eu tranquei minha matrícula hoje.

— Ela não ficará contente.

— Não ficará.

— E mesmo assim eu o farei, pois sou o filho rebelde — ele falou com seriedade, porém eu comecei a rir, pois até mesmo sério, Frederico conseguia arrancar um ou dois sorrisos de meus lábios — obrigado por não desistir de mim quando toda a população feminina desistiu.

— Eu não chuto cachorro abandonado — eu cocei a orelha dele como se ele fosse um desses.

Ele colocou a língua para fora e eu ri da sua imitação.

— Obrigada por aceitar minhas esquisitices — eu comentei com um sorriso tímido.

— Eu sabia com quem estava lidando quando fui a sua casa pela primeira vez. E nunca me arrependi de tê-lo feito — ele sorriu.

— Mesmo sabendo o que o espera?

— Mesmo sabendo que a morte me espera.

Eu segurei a mão dele e a afaguei tentando pensar em algo bom a dizer, mas nada veio em minha mente, pois nada do que eu pensasse em dizer ou tentasse dizer seria tão eficiente quanto esse nosso breve silêncio de entendimento.

— Eu estou aqui — eu tentei assegurá-lo.

— Ganhei um guarda-costas?

— Uma amiga, Fred, uma amiga que se preocupa com você mesmo quando você me queima com cigarro.

— Também é bom ser seu amigo quando seu ex resolve bater em mim.

Eu sorri com aquilo e religuei o carro.

— Para onde, Cifer? — eu acelerei.

— Não vai gostar do que eu tenho a dizer.

— Por que não?

— Vai ficar irritada.

— Onde?

— Estamos nos Estados Unidos, não é? — ele não esperou pela resposta confirmando — temos que ir ao Alasca, digamos que ela prefira terras mais... desérticas.

— E como você pretende que eu chegue lá em... ah.

— Sim, ah.                                     

— O que é "ah"? — Frederico perguntou sem entender nosso raciocínio.

— É a relíquia que a nossa querida Viajante possui — Lúcifer sorriu, ou eu acho que aquilo era um sorriso.

— Não sei usá-la — eu aleguei.

— Não há melhor momento do que o agora.





A/N:

Um update nunca fez mal a ninguém hehe

Sei que nesse capítulo nada acontece, mas acreditem em mim .. quando as coisas começarem a acontecer .. vocês vão querer me matar :DDD

Beijinhos

PseudomágicaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora