Frederico Bertolini
Meus dedos estavam sangrando, mas isso não me incomodava mais, ao menos, não tanto, pois eu finalmente havia conseguido retirar as pedras que tampavam a outra parede e estava bem a frente dela.
Por mim se vai à cidade dolente,
Por mim se vai à eterna dor,
Por mim se vai à perdida gente,
Justiça moveu meu alto Criador,
Que me fez com divino poder,
O saber supremo e o primeiro amor,
Antes de mim, coisa alguma foi criada,
Exceto coisas eternas, e eterno duro eu.
Deixai todas as esperanças, oh, vós que entrais!
Animador! O Inferno de Dante Alighieri está me dando boas vindas.
Inferno..., novamente aquela voz dentro de minha cabeça?
O que ela queria?
Ou melhor, a quem ela pertencia?
Respirei fundo, pensando que agora tudo estava feito e eu voltaria a normalidade, porém não consegui, pois, agora que a frase estava a minha frente, eu queria destruí-la.
Não estava falando metaforicamente.
Meus dedos começaram a tremer. Eu comecei a ofegar. Era um desejo tão forte dentro de mim, que eu não conseguia mais enxergar direito, apenas via a pedra, quebrando, rompendo, trincando, caindo, despedaçando-se, e nenhuma sinfonia parecia ser tão bela quanto aquela.
Quando percebi o que estava fazendo, meu punho já estava contra a parede, contudo, assim como a outra, eu não enxerguei muitas resistências, ela apenas desmoronou com o meu toque.
~*~
Era uma bifurcação.
Por que nunca acabava?
Eu destruí a parede, deveria poder me sentir livre desta... maldição que me prendia mas agora eu queria entrar.
De um lado eu ouvia gotas de água caindo, do outro eu não ouvia nada.
Esquerda, a voz dentro de minha mente me guiou.
Como o cético que sou, ou, ao menos, o cético que eu queria ser, assim como Jason, eu deveria ir pela direita, encontrar as gotas de água e acabar logo com essa tortura mental, porém...
E se tudo fosse apenas um sonho?
Um sádico sonho?
Um pesadelo?
Por favor, eu tinha certeza que conhecia aquela voz que ecoava em minha mente, porém eu não tinha certeza se ela era aquilo que eu ouvia ou se era diferente.
Antes que eu pudesse me impedir, já estava andando para a esquerda, aceitando os conselhos da voz em minha mente e me aventurando até o lugar qualquer que estivesse a minha espera.
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Pseudomágica
FantasíaPandora Duncan, a tentação encarnada, é uma bruxa em treinamento que não sabe fazer uma bruxaria. Frederico Bertolini, notório por sua má fama com as mulheres, descobriu que não viveria para completar vinte anos. O que os dois têm em comum? Uma tard...
