Frederico Bertolini
Não foi a sua voz. Não foram seus olhos. Não foi o seu calor. Não foi o gosto de seus lábios... foi o aroma de verão, primavera, inverno e outono que eu senti assim que despertei.
Abri, com cautela, meus olhos para perceber que eu estava deitado em uma grama macia e confortável, com os cabelos castanho-escuros de Pandora Duncan escorrendo pela minha pele.
Prendi minha respiração assim que percebi que estávamos ambos suados e nus, algo que só poderia significar uma coisa...
Eu não havia morrido?
Tentei passar minhas mãos pelos cabelos dela, contudo, antes que eu os sentisse contra minha pele, eles desapareceram de cima de mim e meu glorioso dia havia sido obscurecido por uma nuvem cinzenta.
Sentei-me no chão e senti minhas costas doendo, meu rosto ardendo e minha bochecha em chamas, como se eu tivesse apanhado repetidas vezes de um adversário que eu não pude me defender.
— Frederico Bertolini — eu ouvi meu nome ser chamado e virei meu rosto, enxergando um homem com vestes brancas, cabelos negros, compridos e olhos relativamente puxados, também escuros.
Ele me lembrava uma daquelas figuras egípcias que saíam de filmes, contudo eu não me recordava de qual deles ele poderia ter fugido além de "A Múmia", e eu tenho certeza que a múmia em questão era careca, e não possuía cabelos longos.
Coloquei a mão sobre a minha cabeça e suspirei, tentando encontrar sanidade neste sonho louco que eu estava vivenciando.
Será que este era o meu pós-vida? Ser assombrado por múmias e pessoas desconhecidas que sabiam meu nome?
— Sim? — eu respondi, ao perceber que o dito cujo em questão estava esperando que eu reconhecesse a sua presença de qualquer maneira.
Nossos olhares se encontraram e eu tive certeza, por um breve momento, que eu o reconhecia de algum lugar.
— É um prazer reencontrá-lo, velho amigo — o homem se aproximou de mim com uma mão estendida e um sorriso nos lábios.
Quem era ele?
— Quem é você? — eu verbalizei meus pensamentos antes que perdesse a coragem de perguntar.
— Meu nome é Innocus — ele levantou seu queixo como se aquilo devesse significar muito para mim — mas você me conheceu como Lúcifer.
Eu nunca conheci ninguém chamado Lúcifer, afinal, aquele era um nome extremamente infeliz para uma pessoa ter, porém o homem se apresentou com tanto fervor que eu...
— Lúcifer? — eu senti meus lábios se abrindo, sem que eu conseguisse fechá-los novamente — o gato de Pan?
O homem, Innocus, Lúcifer, ou seja lá qual fosse seu nome, me cumprimentou com um aceno de cabeça, concordando com a minha pergunta.
— Eu enlouqueci — sussurrei, sentindo minha pressão baixar.
~*~
Senti algo pesado contra meu peito, pensei ser Pandora, porém, quando abri meus olhos, percebi que era Innocus, ou Lúcifer, o homem egípcio com muitas identidades.
— Saia de cima de mim — eu resmunguei o empurrando.
— Finalmente, acordou — ele gracejou — homens são um pouco mais fortes do que um desmaio, meu amigo.
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Pseudomágica
FantasyPandora Duncan, a tentação encarnada, é uma bruxa em treinamento que não sabe fazer uma bruxaria. Frederico Bertolini, notório por sua má fama com as mulheres, descobriu que não viveria para completar vinte anos. O que os dois têm em comum? Uma tard...
