XXXII - Pandora Duncan

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Pandora Duncan




Lúcifer e Emanuelle pagariam muito caro por tudo aquilo.

Eu estava congelando naquele lago.

Respirei fundo, sim eu conseguia respirar ali, talvez fosse alguma propriedade mágica daquele lago ou da água. Eu jamais saberia.

Nadei mais um pouco até o fundo, sentindo a pressão da água sobre o meu corpo ficar mais intensa, dificultando meus movimentos, assim como em meu sonho.

Apertei com mais força a relíquia em minhas mãos e senti que, ao contrário do esperado, ela estava quente e vibrava. Eu ainda sentia os ponteiros girando.

Precisei parar um pouco e olhar para cima, com certeza eu estava nadando há bons minutos e ainda não havia chegado nem na metade do meu percurso... e a lua estava quase em seu ápice.

Tomei um pouco mais de coragem e voltei a nadar quando senti meu dedo indicador tocando algo gelado, mais gelado do que a própria água, e gelatinoso que começou a me puxar.

A gelatina ficou esbranquiçada e opaca quando eu já estava dentro dela, presa em sua densidade que não me permitia mover um braço para o lado ou para frente.

Ela começou a entrar em minha boca, invadindo meu esôfago e congelando meu interior. Eu não conseguia mais respirar direito...

Tentei ofegar ou arfar, mas não pude, a gelatina já havia obstruído todas as passagens de ar que eu poderia tentar utilizar, convulsionei algumas vezes a procurar de ar, porém foi inútil... meus olhos... pesados... apenas um cochilo...

~*~

— Maleki? — uma voz conjurou novamente meu espírito a não desistir de viver.

Abri meus olhos e percebi que não estava mais no lago da Convergência, e sim em um campo deserto que eu tenho certeza já ter visto antes, porém não me lembrava de onde, nem quando.

Havia um casal a minha frente com roupas do Egito antigo, mãos dadas, ouro para todo lado no corpo deles, desenhos... minha tatuagem na mão da mulher.

Toquei em minha nuca, e percebi que eu estava vestida com algo que lembrava um cobertor, enquanto eu ainda estava deitada na areia.

Levantei-me com calma para andar na direção deles, contudo uma parede invisível me impediu de dar mais um passo.

Eu berrei para que me vissem, porém eu estava sem voz.

Onde eu estava?

A relíquia em meus pés.

Peguei-a com delicadeza e senti o seu peso mais leve do que antes, eu a abri e... estava vazia. Sem paisagens. Apertei alguns botões em desespero, mas nada funcionava.

Como? Isso só pode significar que... eu voltei para antes da sua criação.

Tu não deverias estar aqui — o homem, comentou com o mesmo sotaque de minha avó.

O que? Eu conseguia entendê-los?

Senti lágrimas escorrendo em meu rosto quando eu apertei ainda mais o cobertor sobre meu corpo e voltei a observá-los, sob o Sol do Egito antigo, antes mesmo da criação das pirâmides.

Ela parecia aflita, preocupada, e ele estava aflito, preocupado. Havia uma grande diferença.

Tu não podes me deixar. Não deves! Tu queres seguir por um caminho obscuro — ela segurou a mão dele com raiva — e o que acontece comigo? Com o nosso amor? Tu vais abandonar tudo o que lutamos por isso?

PseudomágicaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora