Capítulo 7

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Tive que  esconder o riso e botar a minha melhor cara de paisagem ao deixar a minha sala e caminhar para a loja. Achei melhor não olhar de novo para Alec alguns passos atrás de mim.

— Jia! —  Falei indo em direção a senhora muito bem-vestida e coberta por belas jóias que examinava algumas peças ao canto do salão. — Que bom vê-la! 

A mulher me acolheu num abraço carinhoso.  

 — Querido! Está cada vez mais bonito, menino! 

— São os seus olhos!   —  Murmurei envergonhado, eu não era tímido, porém, eu não sabia muito bem como reagir a elogios.

— Meu bem, sabe que a minha filha vai se casar, certo? 

— Claro! Será o evento do ano! 

A família Penhallow era do ramo hoteleiro, tradicional e muito, muito rica. E a sua única filha iria se casar com outra filha  de magnatas. Com certeza seria o evento do ano por ser uma união LGBT,  que apesar de ser algo comum nos dias de hoje, ainda não é muito bem recebido no meu meio, a maioria das famílias ricas prezam pelo "tradicional", eu tive a sorte de minha família ter me aceito quando eu me assumi.

— Bom, eu dei às noivas a viagem de lua de mel, mas eu queria algo especial que elas pudessem ter na casa delas. E logo me lembrei de você e a sua linda loja, que tem artigos preciosos! 

— Me sinto honrado, Jia! Deixe-me apenas levar o meu amigo até o carro e serei todo seu!

Foi então que a mulher notou Alec próximo a nós. O seu olhar o percorreu todo, demoradamente, com muito interesse, tive que conter um riso. 

— Senhora. — Sabendo que era apreciado, Alec endereçou um sorriso torto e um curvar sutil de cabeça para a senhora. 

— Meu jovem.  — Jia retribuiu, sem esconder a sua admiração. 

— Eu volto logo! — Anunciei, segurando o braço dele e já pronto para seguir rumo à saída. 

— Alec? 

Quando ouvi a voz de um homem chamar por Alec, o senti ficar tenso sob os meus dedos e antes de se voltar lentamente para a voz que o chamava, ele balbuciou um palavrão que eu  nunca teria coragem de pronunciar em voz alta. 

Franzindo o cenho, notei como o queixo dele se retraiu ao fitar um espantado Sebastian Verlac. Alec travou no lugar por um momento, encarando o loiro à sua frente como se fosse uma aparição. 

— O que faz aqui? — O loiro perguntou, com  os seus enormes olhos castanhos escuros fixos na mão de Magnus, ainda pousado no meu braço. 

— Estou trabalhando! — Respondi sério, nada confortável com aquela situação.  —  Eu realmente tenho que ir, Magnus —  Falei olhando para o asiático que tinha uma expressão confusa  no rosto e me encaminhei para a porta, sem olhar para trás. 

Lancei um sorriso rápido para o Sebastian, que não  foi retribuído e me apressei para ir atrás de Alec, que não diminuiu os seus passos, mesmo quando notou que eu vinha em seu encalço.

Muito estranho. 

Não gostei da forma como ele reagiu ao loiro. De repente era como se eu, Magnus Bane, não existisse. Mesmo depois de... Bom, de ele quase  ter me fodido em minha sala. 

—  De onde conhece o Sebastian? — Não resisti a perguntar. 

Percebi que o outro tomou uma respiração profunda antes de murmurar sua resposta. 

— De muito tempo atrás.

Bom, estava claro que ele não queria falar sobre o assunto, mordi o lábio, sem saber direito como agir. Eu não o conhecia, eu não sabia o que havia entre ele e o loiro em minha loja. 

For You (Malec)Onde histórias criam vida. Descubra agora