11. Fantasmas do passado!

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​― Então? Não fazia a mínima ideia de que também andavas por cá! ― exclamou ela, com um semblante genuinamente surpreendido.

​― Espera lá... Tu estás a estudar aqui? ― perguntou Francis, atordoado com a visão.

​― Claro! Transferi-me há duas semanas. Já não conseguia ficar lá sem t... ― ela hesitou por uma fração de segundo, corrigindo-se de imediato: ― Quer dizer, não fazia sentido continuar naquela faculdade. Os meus pais deixaram-me alugar um apartamento aqui perto e vim para cá.

​― O quê?

​― Não ouviste o que eu disse?

​― Ouvi, claro, mas...

​― Olha, amor, agora tenho mesmo de ir. Tenho uma aula a começar ― atalhou ela, afastando-se apressada, como se quisesse evitar dar mais explicações.

​― Ok... ― murmurou Francis, quando ela já se encontrava a alguns metros de distância.

​O rapaz permaneceu estático no meio do refeitório, com a mente a fervilhar em mil e uma direcções. O que é que ela está aqui a fazer? Não havia mais nenhuma faculdade no estado onde ela se pudesse meter? E tinha de aparecer logo agora? Bolas!, pensava ele, praguejando mentalmente.

​Foi arrancado abruptamente dos seus devaneios quando uma mão lhe pousou no ombro, sobressaltando-o.

​― Francis! ― chamou David.

​― O que foi? ― reagiu Francis, na defensiva.

​― "O que foi?" pergunto eu. Porque é que estás com essa cara de quem viu um fantasma? ― estranhou David, avaliando a postura tensa do amigo.

​― Nada, não é nada... Olha, e tu? Está tudo bem? ― perguntou Francis, mudando drasticamente de assunto.

​― Comigo sim... Ok, vou fingir que não notei esse teu ar apavorado.

​― David! ― chamou Alexia, que se aproximava da mesa acompanhada por Samantha. ― Como é que estás?

​― Estou bem, e vocês? ― devolveu ele.

​― Óptimas! ― respondeu Alexia, com o entusiasmo habitual.

​― Sam? ― insistiu David, estranhando o silêncio de Samantha, que evitava a todo o custo cruzar o olhar com o dele.

​― Ah, olá ― murmurou ela, desviando os olhos do vazio e focando-se finalmente no namorado.

​― Posso falar contigo a sós? ― suplicou David com o olhar.

​― Claro. Lex, vemo-nos mais logo ― cedeu Samantha, afastando-se com David em direção à saída do refeitório.

​― O que é que achas que se passa com a Sam? ― perguntou Alexia a Francis, que ainda parecia ter a cabeça noutro planeta.

​― Eu... não faço a mínima ideia.

​― Milena! ― exclamou Alexia, acenando para a amiga que entrava naquele momento no refeitório, visivelmente à procura deles.

​Milena caminhou até à mesa e sentou-se na primeira cadeira vaga.

​― Lena, ontem não te vi o dia todo. Onde é que te meteste? ― quis saber Alexia.

​― Estive com uma enxaqueca terrível, mas felizmente já passou ― explicou Milena, trocando um olhar cúmplice e discreto com Francis.

​― Ainda bem... ― anuiu Alexia.

​O grupo acabou de almoçar a conversar sobre banalidades e, pouco depois, Francis despediu-se delas para resolver um assunto noutro pavilhão. No entanto, ao cortar o corredor exterior, uma voz familiar travou-o novamente:

Querido CoraçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora