6. Hambúrgueres e um SUV!

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​― Feito! ― disse Milena, pousando o telemóvel na cómoda com um estalo seco.

​― Pronto. Então, até logo... ― despediu-se Francis, ajustando a alça da mochila.

​― Está bem. A que horas?

​― À uma e meia.

​― Daqui a uma hora, portanto.

​Após a curta despedida à porta de Milena, Francis cruzou o pátio em direção à sua casa. Milena permaneceu no batente por alguns segundos, fechando a madeira assim que a silhueta dele desapareceu.

O ritmo no quarto tornou-se frenético. Ela começou a arrumar a mochila com pressa, enchendo-a com alguns lanches, garrafas de água e pequenos utensílios práticos, antecipando qualquer imprevisto que uma viagem pudesse trazer. Tomou um duche rápido e vestiu-se com precisão: calças jeans pretas, uma t-shirt branca simples e, por cima, um casaco de moletom largo. Calçou os ténis pretos, prendeu o cabelo e encarou o espelho. Segundo os seus cálculos mentais, estava óptima para o trajecto.

​Ao descer as escadas, percebeu o silêncio da casa; a mãe já saíra. Milena trancou a porta principal pelo lado de fora, escondeu a chave no sítio de sempre e ligou rapidamente à mãe para avisar.

​Sentou-se no pequeno mureto e esperou. Quando olhou para o relógio de pulso, o sangue subiu-lhe às bochechas: estava adiantada quase trinta minutos. Irritada com a própria ansiedade, Milena fechou o punho direito, prestes a dar duas pancadinhas frustradas na testa, mas parou a meio do caminho. A mão de Francis fechou-se suavemente sobre o seu punho, segurando-o no ar. Ela nem o tinha ouvido aproximar-se.

​― Sabia que isto ia acontecer ― disse ele, com um sorriso divertido, soltando-lhe a mão.

​― Isto o quê?

​― Tu. Eu apareço sempre muito cedo para te habituar ao ritmo e para que começasses a fazer o mesmo. E aí estás... a imitar-me.

​― Eu já acordo cedo por natureza! Isto não é de agora ― mentiu ela, ajeitando a mochila nos ombros para disfarçar o embaraço.

​― Sei, sei. Então, vamos? ― Francis fez um sinal com a cabeça e começou a caminhar.

​― Onde é que vamos apanhar transporte?

​― Um amigo meu vem buscar-nos.

​― O quê? E porque é que ele não veio logo com o teu carro?

​― Porque, como já te disse, os tipos da oficina só me vão entregar o carro diretamente a mim.

​― Argh... ― Milena bufou ― Vamos logo.

​Caminharam cerca de quinze minutos sob o sol que começava a castigar o asfalto, até pararem na paragem local. Quatro minutos mais tarde, um SUV branco de vidros escuros travou bruscamente à frente deles. Francis adiantou-se e abriu a porta traseira, dando espaço para Milena entrar com um gesto cavalheiresco.

​― Ei, Josh! Porquê tanta demora, mano? ― reclamou Francis, contornando o capô para se sentar no banco do passageiro.

​― Tive de ir deixar a Gina a casa dela ― respondeu o jovem condutor, mantendo uma mão firme no volante e o outro braço apoiado na janela aberta. Ele olhou pelo retrovisor interior, semicerrando os olhos. ― E quem é ela? A tua namorada?

​― Ah, não... É minha amiga ― respondeu Francis, com um sorriso de canto que Milena não conseguiu decifrar.

​― Entrem mas é, vamos embora ― Josh bateu com a mão na lateral da porta e acelerou assim que Francis fechou a sua.

Querido CoraçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora