12. Algo inesperado - Parte 1

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Um novo dia amanheceu e Milena exibia um sorriso mais radiante do que nunca. Afinal, aquilo que ela tanto esperara que acontecesse na sua vida estava finalmente a realizar-se: estava num relacionamento. A euforia era tanta que a ideia quase a fez esquecer-se da data do calendário.

​Assim que acordou, fez a sua higiene matinal, vestiu-se e desceu para a cozinha. A mãe já lá estava, a organizar os ingredientes para o pequeno-almoço daquela manhã.

​― Bom dia, mami! ― saudou ela, com uma expressão transbordante de alegria.

​― Olá, luz, como é que tu... ― Vera, que estava de costas, não conseguiu terminar a frase. Foi interrompida por um abraço apertado que a filha lhe deu por trás, o que a deixou intrigada. ― Está tudo bem contigo? ― perguntou, desconfiada.

​― Sim, claro. Porquê?

​― A sério que vais fazer-me essa pergunta? ― inquiriu Vera, arqueando uma sobrancelha.

​Milena olhou para o lado, pensativa, e encolheu os ombros.

​― Algo me diz que há um grande motivo por trás desse sorriso. O que é que aconteceu para estares assim, Milena? ― perguntou a mãe, tocando-lhe na testa com a mão cheia de espuma de detergente. O gesto deixou um pequeno rasto branco na pele da jovem, que soltou uma gargalhada.

​― Logo, logo a senhora saberá... ― respondeu dramaticamente, fazendo um gesto misterioso com as mãos, como se fizesse um truque de magia.

​― Tenha óptimas aulas, querida ― desejou Vera, despedindo-se à porta.

​― Obrigada, mãe! Beijo! ― respondeu Milena, saindo apressada ao encontro de Alexia, que passara por sua casa mais cedo para caminharem juntas até à faculdade.

​― Então, Milena, o que é que tens para me contar? ― disparou Alexia, mal começaram a andar.

​― Sobre o quê?

​― Como assim, "sobre o quê"? De que outra coisa é que eu estaria a falar?

​― Sei lá... Talvez do quão incrível o Tony é? ― provocou Milena, com desdém brincalhão.

​― Estou a falar de ti e do Francis! ― retorquiu Alexia, notando imediatamente o sorriso parvo que se desenhou no rosto da amiga, que nem sequer conseguia responder. ― Estás a ver? Só de pronunciar o nome dele, ficas logo a pairar nas nuvens...

​― Está assim tão visível? ― admitiu Milena, rendida.

​― Espera aí... Não me digas que vocês os dois...? ― Alexia deixou a frase no ar, arregalando os olhos. Milena olhou para ela e desatou a rir, confirmando tudo sem precisar de dizer uma única palavra. As duas começaram a dar pulinhos de entusiasmo no meio do passeio. ― Quando é que foi?!

​― Ontem...

​― Uau, Milena! Eu já sabia que isto ia acontecer!

​― Que conversa é essa? ― estranhou Milena, a rir e a semicerrar os olhos.

​― Oh, Lena, já estava mais do que na cara! ― insistiu Alexia, divertida. ― O modo como vocês se olhavam, como conversavam... E depois de tudo o que se passou nas últimas semanas, era inevitável.

​Com o comentário da amiga, a mente de Milena viajou, recordando os detalhes dos dias intensos que tinham antecedido aquela declaração.

​― Lena! ― chamou Alexia, estalando os dedos diante do rosto dela.

​― Quê?

​― Porque é que paraste de andar? ― perguntou, intrigada. O turbilhão de memórias tinha feito Milena estacar em pleno passeio a caminho do campus.

Querido CoraçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora