5. Luar e estrelas!

64 10 174
                                        

― O que foi isso? - perguntou Quentin, sua voz estreitando-se no silêncio do quarto

― Não sei, talvez tenha sido só um pássaro contra o vidro - desculpou-se Milena, sentindo um suor nas palmas das mãos

Tak, tak. Novamente ouviram-se batidas na janela, mais nítidas.

Quentin levantou-se num impulso. Mas antes que ele desse o segundo passo, Milena saltou da cama com uma agilidade impressionante e colocou-se à frente dele, bloqueando o caminho para a janela.

― Não te preocupes... Eu trato desse "pássaro" - instistiu Quentin, tentando desviar-se dela com o cenho franzido.

― Não! Deixa estar!

Num misto de pânico e pressa, Milena destrancou a janela para resolver a situação o mais rápido possível. Mal o trinco cedeu, a vidraça abriu-se de supetão e Francis entrou cambaleando de lado, desajeitado. Ele estava tão pesadamente encostado ao vidro que, com o movimento, perdeu o equilíbrio e caiu para dentro do quarto.

A cambalhota de Francis no tapete foi tão rápida que, antes que Milena ou Quentin conseguissem processar a cena, o rapaz já se tinha impulsionado para cima, de pé, a sacudir a poeira dos joelhos como se nada tivesse acontecido. Um sorriso ladino brincava nos seus lábios.

― Quem é você? - vociferou Quentin, querendo partir pra cima do desconhecido

― Pera ai - disse Milena parando na frente do Francis com as mãos contra o peito do Quentin como se fosse escudo - Quentin, não precisamos... Chegar até esse ponto

― Bem, se ele quiser, podemos? - disse Francis provocando, ajeitando a gola da camisola com uma audácia irritante

― Francis? - exclamou ela, fuzilando-o com o olhar

― O que é que ele está aqui a fazer? Quem é ele, Milena? - exigiu Quentin, os punhos cerrados

― Ele... ele é um amigo meu.

― Yes! - sussurou Francis atrás dela, gesticulando uma breve comemoração silenciosa

― ...e eu pedi-lhe para vir aqui esta noite e... portanto, aqui está ele - completou ela, tentado soar o mais firme possível

― E porquê haverias de querer a presença dele aqui a estas horas? - perguntou apontando para janela aberta, com uma expressão de total incredulidade e ciúme estampado no rosto

― Eu tenho idade suficiente para decidir quem quero no meu quarto - rebateu ela, endurecendo o tom de voz

― Mas este tipo mudou-se pra aí há dois dias... - argumentou Quentin, dando um passo atrás, atordoado com a rejeição

― E depois? O quarto é meu...

― Não me diz que... - olhou pra ele e depois pra ela - ele é seu namorado?

― Opah! - Francis soltou outro suspiro divertido mas costas da moça, divertindo-se com o drama

― E se ele for, algum problema? - disse quase sem paciência.

Quentin estacou. Ele olhou para Milena, depois para o sorriso cínico de Francis, completamente sem palavras. A humilhação e a raiva misturaram-se mas suas feições.

— Sabes que mais? Por favor, saia do meu quarto agora - pediu ela, a voz a baixar para um tom frio e exausto enquanto massajava a testa.

― Milena - tentou Quentin, dando um passo na direcção dela.

― Sai, Quentin. Vai! - ordenou, quase gritando

Quentin engoliu em seco, lançou um último olhar ameaçador a Francis e, 7 segundos depois, cruzou a soleira, batendo a porta atrás de si com uma força que fez os quadros da parede tremerem.

Querido CoraçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora