Capítulo 28

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Pedro

Gabriela me ligou ontem e contou a versão do Alex dos fatos. Sinceramente, eu acredito nele, considerando que eu conheço a ambição dele. E, particularmente, eu o entendo, porque abri mão dos meus desejos pessoais para satisfazer o desejo do meu maior cliente, casando-me com a filha dele.

Gabriela passou pela minha "rejeição" pelo mesmo motivo que passou pela traição do Alex, ela só não sabe o meu motivo, ainda. Estou começando a achar que ela tem um carma com homens que colocam seu trabalho em primeiro lugar. Em minha defesa, eu digo que eu não estou fazendo isso só por mim, porque eu tenho inúmeros trabalhadores que dependem de mim e o maior programa de estágio de direito do país, onde eu auxilio incontáveis estagiários na área. Muitos estagiários que passaram pelo meu programa, vieram de outras cidades para morar em São Paulo só para obter a experiência do meu programa. O meu motivo é maior do que eu e meus desejos pessoais.

Eu só espero que ela não o perdoe porque, sem dúvidas, ela merece muito mais do que um homem que na primeira oportunidade que ele tiver, ele vai escolher o trabalho, novamente.

Hoje é terça-feira, acordei, corri, malhei na academia do prédio, encontrei uns amigos e combinei de encontra-los mais tarde em um barzinho que meu amigo é dono, hoje vai ter uma banda de rock que eu amo.

Cheguei em casa, tomei banho, coloquei uma roupa social, mas sem o terno porque hoje não tenho audiência e vou sair com pessoal direto do escritório, tomei café da manhã e dona Maria vem me dizer que teve uns problemas pessoais e que precisará de uns dias de folga e claro que eu concedo. Vou pedir a funcionária de limpeza do escritório para fazer faxina aqui em casa umas duas vezes por semana e a pago por fora. E comerei fora quando não estiver afim de cozinhar.

Vou ao escritório de carro de aplicativo para não voltar dirigindo do bar. Quando eu chego, Gabriela está agachada pegando alguma coisa na última gaveta da estante de arquivo e a única coisa que eu consigo olhar é a bunda espetacular dela empinada na minha direção. Fico duro na hora. Fazia tempo que eu não me descontrolava por causa dela. Levo alguns segundos encarando a cena e imaginando as cosias mais pervertidas na minha mente, quando ela faz menção de levantar, eu pigarreio chamando a atenção dela.

Ela se vira com a pasta que pegou no arquivo nas mãos e me dá bom dia sem nem perceber o caos que causou dentro da minha cueca, por via das dúvidas, eu coloco a minha pasta na minha frente afim de esconder minha ereção.

- Bom dia Gabriela, como você está hoje?

- Sinceramente, estou bem.

- Vai voltar com o Alex?

- Acho que não, não por não poder perdoá-lo, mas por não confiar que ele não vá fazer a mesma coisa comigo se tiver oportunidade. Mas só vou dar uma resposta definitiva após a minha viagem.

- Eu não ia opinar se fosse voltar, mas já que não vai, eu também não acho que ele vá pensar duas vezes antes de colocar o trabalho à sua frente.

- Mas não quero ficar pensando nisso, quero focar na organização da nossa festa de final de ano e na viagem.

- Já resolveu para onde vai?

- Búzios.

Ela dá uma risadinha de canto de boca, que me dá vontade de beijar a boca dela, e meu Deus, o que deu em mim hoje? Acho que meu lado possessivo em relação a ela está voltando com tudo após o término dela, e eu me recrimino por isso. A última coisa que ela precisa é de mim a desejando de novo.

- Posso saber o porquê desse sorrisinho?

- A melhor viagem que eu já fiz com minhas amigas, quando ainda era solteira, foi para lá. E te garanto que lá é o melhor lugar para ir quando se tem um coração partido. Praia, bebida, baladas, pessoas livres e muitos gringos.

- Você está indo para cachorrada, é?

- Talvez, se me der vontade, estarei no lugar certo.

Eu estou fervendo de ciúmes por dentro, mas me controlo e respondo da forma mais descontraída que consigo:

- Essa eu queria ver.

Ela gargalha e solta:

- Se você não fosse noivo, poderia ir comigo e conseguir umas gringas por lá.

- A última coisa que eu iria querer lá é uma gringa.

- E o que iria ser?

- Deixa para lá – e sorrio maliciosamente para ela.

- Você e seus enigmas.

- Tenho que manter meu lado misterioso.

- Acho no mínimo curioso você manter segredos de mim depois desse tempo todo de convivência.

- É meu charme,

- É frustrante às vezes, isso sim.

- E você ama.

Ela ruboriza e eu sorrio para ela e digo:

- Vou trabalhar.

Quando eu estava entrando no escritório eu lembro do encontro mais tarde e digo a ela:

- Mais tarde vou encontrar uns amigos no bar do Flávio, quer ir comigo?

- Claro, estou arrumada à altura?

- Você está linda, como sempre.

- Eu estou falando sério, engraçadinho, eu vim de saia e blusa hoje. Talvez eu devesse ir à casa e colocar uma calça, pelo ao menos.

- Não precisa. Lá é um barzinho comum.

- Está bem.

Amor proibidoOnde histórias criam vida. Descubra agora