Praying

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Pansy Parkinson POV

Quinta-feira,08 de fevereiro,19h

Não paro de ler aquele post, como se fosse mudar, mas nunca muda.

As palavras de Gina se repetem na minha cabeça: Cedric é um louco por controle. Ela não está errada, mas isso significa que o restante tem que estar certo?

Talvez ele tenha contado para outra pessoa o que eu disse, e essa pessoa escreveu aquilo. Ou talvez seja tudo apenas uma coincidência.

Só que surge uma memória da manhã da morte de Theodore, aparentemente tão insignificante que não tinha passado pela minha cabeça até agora: Cedric tirando a mochila dos meus ombros com um sorriso despreocupado enquanto andávamos pelo corredor juntos.

"Isso é pesado demais pra você gata,eu levo."

Ele nunca tinha feito isso antes, mas não questionei o fato. Por que questionaria?

E um telefone que não era meu foi retirado da minha mochila poucas horas depois.

Não sei o que é pior ,que ele possa ter participado de algo tão horrível, que eu o levei a isso, ou que ele andou fingindo por semanas.

- A escolha foi dele,Pans - argumenta Gina para me lembrar.

- Muitas pessoas levam chifre, e não perdem a cabeça. Veja o meu caso, por exemplo. Eu joguei um vaso na cabeça dele e segui com a minha vida. É uma reação normal. Seja lá o que esteja rolando aqui, não é culpa sua.

Isso pode ser verdade, mas não parece ser verdade.

Então, eu tenho que conversar com Astória, que não foi ao colégio a semana inteira. Tentei mandar mensagens algumas vezes depois das aulas, e novamente depois do jantar, mas ela nunca respondeu. Por fim decido descobrir o seu endereço no diretório escolar e simplesmente visitá-la.

Quando contei a Draco, ele se ofereceu para vir junto, mas pensei que seria melhor ir apenas eu. Astória nunca foi muito com a cara dele.

Ron insiste em me dar carona, mesmo quando digo que ele terá que esperar no carro. Astória nunca vai se abrir sobre qualquer coisa se ele estiver por perto.

- Beleza - concorda ao estacionar do outro lado da rua da casa dela, uma construção grande e de tons escuros. - Mande uma mensagem se a situação ficar esquisita.

- Mando sim - digo, e presto continência ao fechar a porta e atravessar a rua.

Não há carros na garagem dela, mas há luzes acesas pela casa inteira. Eu toco a campainha quatro vezes sem ser atendida e dou de ombros ao olhar para Ron na última tentativa. Estou prestes a desistir quando a porta abre uma fresta e um dos olhos com rímel negro de Astória encara.

- O que você está fazendo aqui?

- Vendo se você está bem. Você não tem aparecido e não está respondendo às mensagens. Tudo bem?

- Ótimo. - Ela tenta fechar a porta, mas meto o pé para impedi-la.

- Posso entrar? - pergunto.

Ela hesita, mas solta a porta e dá um passo para trás, o que me permite empurrar a porta e entrar. Quando dou uma boa olhada nela, quase solto um suspiro de susto. Ela está mais magra do que nunca, e tem urticárias vermelhas e inflamadas cobrindo o rosto e o pescoço. Astória coça o problema na pele constrangida.

- O que foi? Não estou me sentindo bem. Obviamente.

Espio o corredor.

- Mais alguém em casa?

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