Pansy Parkinson Pov
Sábado, 17 de fevereiro, 14h15
Como não posso andar de bicicleta por causa do crânio fraturado e do tornozelo torcido, Gina me leva de carro para a consulta de revisão do médico.
Tudo está sarando do jeito que deveria, embora eu ainda sinta dores de cabeça instantâneas caso mexa a cabeça rápido demais.
O lance emocional vai demorar mais. Metade do tempo, tenho a sensação de que Cedric morreu, e, na outra metade, eu quero matá-lo. Posso admitir, agora, que Gina e Adrian não estavam errados a respeito de como era nosso relacionamento. Ele controlava tudo, e eu permitia. Mas nunca imaginaria que ele seria capaz daquilo que fez no bosque. Meu coração parece que ficou como
o meu crânio logo depois que ele me atacou - como se tivesse sido dividido ao meio por um machado cego.
Também não sei o que sinto em relação a Nott. Às vezes eu fico muito
triste quando penso como ele planejou arruinar a vida de quatro pessoas porque achou que tiramos dele coisas que todo mundo quer: ser bem-sucedido, ter amigos, ser amado. Ser visto.
Mas, na maior parte do tempo, simplesmente desejo que nunca tivesse conhecido Nott.
Harry me visitou no hospital, e eu o vi algumas vezes desde que tive alta.
Estou preocupada com ele. Ele não é uma pessoa que desabafa, mas ele me disse o suficiente a ponto de eu perceber que ele se sentiu bastante inútil por ficar preso.
Venho tentando convencê-lo do contrário, mas não acho que esteja conseguindo entrar na cabeça dele. Eu gostaria que Harry me desse ouvidos, porque, se alguém
sabe como foder a vida quando a pessoa decide que não presta, esse alguém sou eu.
Adrian me mandou mensagens algumas vezes desde que recebi alta há alguns dias.
Ele não parava de dar sinais de que ia me chamar para sair, então eu finalmente tive que dizer que não vai acontecer. É impossível que eu me junte à pessoa que me ajudou a iniciar toda essa reação em cadeia. É uma pena, porque talvez houvesse potencial se a gente tivesse conduzido a situação de maneira diferente.
Mas estou começando a me dar conta de que há coisas que são impossíveis de serem desfeitas, não importa o tamanho das boas intenções.
Tudo bem também. Eu não concordo com minha mãe que Adrian fosse minha última e melhor esperança para evitar o posto prematuro de titia.
Ela não é a especialista que pensa que é em relacionamentos.
Prefiro seguir o exemplo de Gina, que está curtindo a súbita paixão por Luna.
A advogada foi atrás dela após a situação com Harry ser resolvida, e chamou minha irmã para sair. Como Gina disse que não está pronta para namorar ainda, ela não para de interromper sua jornada de trabalho insana para levá-la a programas elaborados e cuidadosamente planejados que não são encontros -
que, ela tem que admitir, está curtindo.
- Não sei se posso levá-la a sério - comenta Gina, enquanto me arrasto até o carro de muletas após o exame. - Quero dizer, só por aquele estilo...
- Eu gosto do estilo dela. Tem personalidade. Além disso, parece um mundo mágico.
Gina dá um sorrisão e afasta uma mecha solta de cabelo da minha testa.
- Eu gosto do seu. Deixe crescer um pouco mais e seremos gêmeas.
Esse é o plano secreto. Venho cobiçando o penteado de Ginny desde o início.
- Eu tenho algo para te mostrar - diz ela ao se afastar do hospital. - Boas notícias.
- Sério? O quê?
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Um de nós...
Misterio / SuspensoCinco adolescentes, diferentes segredos, um crime, todos suspeitos. Quem é o culpado? O menino de ouro, a princesa do baile, o cérebro, o marginal e o aspirante a blogueiro. Cada um com algo a esconder! Mas o quão longe eles iriam para guardar um...
