Capítulo 18

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Matéria extra oficial de domingo: Catarina Batista e sua modernidade na maternidade.

Catarina Batista sempre foi uma mulher à frente de seu tempo. Era uma das principais feministas de São Paulo na década passada, liderava passeatas pedindo igualdade salarial, direito ao trabalho digno e divisão de tarefas domésticas entre homens e mulheres. Lutava pelo direito do voto a todas as mulheres e por sempre lutar por direitos absurdos aos olhos de homens machistas era conhecida como "fera", prova disso é que nunca quis se casar, espantava todos seus pretendentes. 

Catarina nunca quis se casar, mas resolveu colocar suas algemas atreladas a Julião Petruchio, acredito que a pior opção para ela. Ele era seu completo oposto. Ela, uma fina mulher da elite, elegante e deslumbrante. Ele, um rústico do campo, com roupas gastas e ar grosseiro. Uma feminista com um machista, era de se prever que o casamento não daria certo.

Mas ela se viu grávida e mesmo nessa condição impensável de se pedir um divórcio decidiu se separar de Petruchio e ir para Europa viver sua vida deixando o filho com seu ex-marido. Uma atitude completamente moderna a qualquer ver, em qualquer lugar do mundo.

Caros leitores, dei toda essa volta e expliquei toda a situação para chegar ao principal assunto que cerne essa pequena reportagem. Pois Catarina não só se separou grávida e entregou o filho ao ex-marido, ela teve na verdade gêmeos e ficou com a garota para si. Uma maternidade completamente diferente e impensável para qualquer outro membro do sexo mais frágil.

Catarina e Petruchio não dividem mais uma união conjugal, mas dividem os filhos pela metade! Se isso não é ser uma família diferente eu não sei mais qual é. Catarina, uma mulher a frente de seu tempo até mesmo na forma que constrói sua família e cuida de seus filhos. Qual será nosso futuro? 

Jornalista Serafim Amaral Tourinho, editor chefe da Revista feminina.

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Petruchio sentia-se outra pessoa, uma pessoa alegre, feliz e esperançosa com a vida que se abria à sua frente e resolveu, naquela manhã de domingo, não esconder mais nada do filho.

— Tenho algo pra te dizer meu filho.

Júnior o olhou assustado em meio a ordenha. Calixto e Vicenzo estavam cuidando das vacas do outro galpão enquanto eles se encarregavam de um. Júnior não esperava uma boa notícia, estava acostumado com o ruim. Logo pensou que era dinheiro a questão que o pai queria conversar.

— Eu já sei, o prejuízo na loja foi maior que o esperado? Vamo precisar vender alguma vaca leiteira?

Petruchio sorriu com a cabeça dizendo não.

— ...Eu e sua mãe nos encontramo ontem.

— Minha mãe?

O tabu do nome "mãe" era como um fantasma naquela fazenda, se alguma pessoa falasse sobre a mãe dele teria que ser às escondidas para o pai não ouvir. Júnior podia contar nos dedos as vezes que Petruchio conversou consigo sobre Catarina, das vezes apenas uma vez foi sendo franco, das outras sempre dizendo mal dela, com o rancor falando mais alto.

— Eu e sua mãe estamos tentando uma segunda chance.

Petruchio engoliu em seco, sentiu sua mão tremer um pouco ao falar aquilo ao filho, não queria que ele criasse esperanças, ao mesmo tempo ele criava suas próprias expectativas em relação aquela segunda chance e estava tão feliz que queria que  mundo soubesse de sua felicidade.

Segunda chance Histórias para pegar e não largar. Descubra agora