Amada Consciência

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Andrew Deluca

Eu cometi um grande erro! Me deixei levar pela forma como Meredith estava bonita aquela noite e não me controlei quando ela gritou comigo, mostrando um lado dela que eu sei que jamais me mostraria se não estivesse em seu limite. Eu vi os limites dela e gostei deles. Mas eu não deveria me sentir assim, eu não tinha o direito de fazer isso, de ser feliz de novo e de esquecer o que Sam um dia significou. Me odiava ainda mais agora por ter esquecido da existência dela enquanto beijava Meredith.

Saí daquela varanda e fui direto para o meu quarto. Sentei-me em minha cama e olhei para as minhas mãos que há poucos minutos atrás desenharam as curvas de Meredith, explorando cada traço de sua pele, tocando-a com desespero e ânsia. Não pensei em mais nada enquanto a tocava.

— Você gosta dela. — a voz de Sam ecoou em minha cabeça.

Eu sempre "conversava" com ela. Não, eu não via espíritos nem nada do tipo, sabia que só estava conversando com a minha consciência, a qual eu materializei como sendo a minha falecida esposa, já que ela sempre conseguia me guiar pelos melhores caminhos.

— Eu não a mereço.

— Mas quer merecer. Eu não estou mais com você, fui embora há muito tempo. Você deveria seguir em frente e parar de se culpar.

— Foi culpa minha. — esfreguei meus olhos e respirei fundo.

— Acidentes de carro acontecem o tempo inteiro.

— Foi o meu karma. Paguei pelo que fiz.

— O que fez também não foi culpa sua.

— Eu cometi erros naquele maldito exército. Eu feri pessoas inocentes, Sam. Matei pessoas e ninguém nunca me culpou porque eu estava apenas "servindo o meu país". E mesmo quando eu voltei, você estava aqui me esperando, perfeita como sempre, doce e amorosa. Me ajudou com os meus traumas, ficou ao meu lado em todas as noites que eu acordava de um pesadelo pós-traumático e nunca foi capaz de apontar o dedo e me dizer que o que fiz foi errado.

— Você não sabia o que esperar quando resolveu entrar para o exército. Estava lutando pelo seu país, seguia ordens.

— Se as pessoas soubessem como tudo isso é injusto.

— Guerras sempre são injustas. Você era só uma peça no tabuleiro do governo, não fazia ideia de onde estava se metendo e acreditou cegamente estar fazendo a coisa certa. Quando notou que não era bem assim, você voltou para mim. Desistiu de tudo aquilo.

— E por ainda ter você eu achei que jamais deveria rever as minhas ações, então eu errei de novo. Por causa desse erro, eu estou preso à Lana pelo resto da vida.

— Você se importa com ela.

— Sim. Eu prometi que iria estar com ela para tudo, mesmo sem você aqui. Eu venho cumprindo essa promessa. O problema é que a Lana é cheia de caprichos. Parece uma irmã mimada que eu nunca quis ter. — a risada de Sam ecoou em minha mente.

— Você só precisa entender que gosta da Meredith e que não vai conseguir ficar longe dela, já percebeu isso depois desta noite.

— Mesmo se eu tentasse, não posso jogar a minha bagagem sobre ela. Eu tenho picos de depressão o tempo todo, nunca sei quando vou estar totalmente disposto para alguém e Meredith merece uma pessoa que esteja cem por cento com ela. Ela é como um arco-íris em dia de chuva e eu sou como uma nuvem nebulosa que cobre esse arco-íris. Vejo nos olhos dela o quanto ela quer uma história com um final feliz e eu nunca vou poder prometer isso para ela. Eu não sei se um dia vou tirar você da cabeça, Sam. Eu não sei se consigo amar outra pessoa e não estou disposto a iludir a Meredith com falsas expectativas.

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