Melissa

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Amber Grey

Eu sentia como se estivesse saindo de um lugar sufocante. Três coisas boas estavam acontecendo: eu iria me livrar do Will, meus pais iriam se casar e minha mãe estava grávida. Agora era só questão de tempo para que eu voltasse a morar com a minha mãe.

Enviei as fotos das provas contra o Will para o meu pai e na manhã seguinte acordei cedo e comecei a me arrumar para ir até o colégio. Estava cantando no quarto enquanto colocava os meus brincos quando ouvi batidas na porta.

— Estou me arrumando! — gritei.

— Ande rápido, eu tenho que ir até a delegacia. — ele disse. Sorri instantaneamente imaginando do que se tratava.

Peguei a minha mochila e saí do quarto.

— Pronta. — falei passando por Will.

— Não vai me agradecer por não te tirar do colégio? — perguntou enquanto vinha atrás de mim.

— Como está pagando a mensalidade? — virei-me para ele e franzi a testa. Com toda certeza era com o dinheiro sujo que recebia dos bandidos que chantageava.

— Eu economizo desde que comecei a trabalhar. Penso no futuro.

— Poderia gastar com a minha universidade e não com o colégio. — o pressionei.

— Não se preocupe. Há dinheiro o suficiente para o melhor colégio e depois a melhor universidade. — sorriu. — Agora vamos.

Ele me levou até o colégio e enquanto eu caminhava até a entrada, recebi uma ligação de um número desconhecido.

— Alô?

— Amber, eu preciso de ajuda. — era a voz da Bela. — Minha mãe pegou o meu celular, então estou usando o telefone do escritório. O único número que eu sei de cabeça é o seu.

— O que aconteceu? — parei de caminhar.

— Ela soube que estão vindo prendê-la e agora está arrumando as malas dela e as minhas. Ela quer fugir.

— Ela não pode obrigar você a ir.

— Amber, eu estou preocupada. A minha mãe precisa de ajuda e por mais que ela tenha errado e tirado uma parte de mim, eu ainda a amo. Não posso deixar ela sozinha.

— O que você está dizendo é que vai com ela por que ela é louca? — fui direta.

— Basicamente. Se eu estiver perto, ela não vai fazer nada perigoso. Bom... eu acho. Eu só preciso que você avise ao seu pai. Talvez ele chegue aqui antes que a gente saia e possa convencer a minha mãe a se entregar. Ela sempre fez o que ele queria.

— Eu acho que isso não é mais uma verdade. — ouvi ela suspirar pesadamente. — Tudo bem, eu vou avisar ao meu pai e você, enrola a sua mãe, tenta atrasar ela. Mas se ela sair, por favor, não vá com ela.

— Eu tenho que ir.

— Bela, por favor.

— Desculpa, Amber. Ela é a minha mãe. — ouvi alguns murmúrios do outro lado da linha. — Droga, eu tenho que ir. Avise ao seu pai. — e então ela desligou.

Ao invés de seguir até o colégio, eu dei meia volta e chamei um uber pelo aplicativo do celular. Precisava impedir que Bela fugisse junto com a Lana. Sim, a Lana precisava de ajuda porque era completamente louca, tão louca que eu não confiava em deixar a minha amiga com ela naquela situação.

Bitter SweetOnde histórias criam vida. Descubra agora