Enquanto o espaçoporto de Genesis ardia em chamas, os caças rebeldes VR-13 adentraram o portão secundário. O hangar estava quase tomado pelo fogo, enquanto o exército formava rapidamente a sua defesa. Para surpresa dos invasores, os soldados marcianos já estavam a postos com suas megablasters recarregadas, esperando seu pouso para alvejá-los de laser.
Enquanto um pelotão inteiro se voltava aos caças invasores, uma centena de rebeldes atacou pela retaguarda, vindos do lado de dentro da colônia. Uma verdadeira chacina de marcianos e exilados havia tomado seu curso.
Homens e mulheres lutavam com todas as forças por seus objetivos de libertação e glória. De um lado, os marcianos, que se autodeclaravam donos do território por direito político e econômico conquistado pela Corporação Landor. Do outro, uma massa de excluídos pelo sistema, que acreditava com todas as suas entranhas ter o direito à ocupação do território por serem marginalizados políticos e economicamente.
Rubi pousou na ala oeste do hangar, próximo às aeronaves de transporte de carga. O espaçoporto estava caótico, com pessoas correndo e morrendo por todos os lados. Os clarões dos lasers iluminavam o suor de seu rosto por dentro do capacete, numa alegoria anárquica e macabra.
Munida de traje espacial, ela abriu o compartimento de pilotagem e desembarcou do caça, desviando dos tiros de laser que eram lançados pelos soldados. Com destreza, Rubi seguiu seu instinto de sobrevivência e correu para trás de um container, desviando habilmente dos raios. Ao perceber um militar morto ao chão, não hesitou em pegar sua arma blaster para uso pessoal, calibrando ela para tonteio.
Um soldado que se ocultava em um pilar de sustentação insistia em alvejá-la, porém, ela revidou com dois tiros, acertando-o em cheio. Isso fez com que ganhasse tempo o suficiente para observar o caos ao seu redor.
Mesmo em meio a toda pirotecnia, não foi difícil encontrar o velho cargueiro Montenegro, que nem estava mais tão velho assim. O upgrade que recebera deixou sua carcaça mais reluzente e algumas modificações no casco tornaram suas arestas mais suaves. Mesmo depois de tanto tempo de atribulações, Rubi sorriu.
Com cuidado para não ser atingida, ela correu na direção da grande aeronave e conseguiu subir pela rampa de carga, que estava aberta. Seu intuito era averiguar o status do sistema de navegação para seguir com seu plano de salvar Botsume e levar os marcianos prisioneiros de volta à Terra.
Dentro do cargueiro, o layout também havia mudado e os monitores foram todos atualizados com novos softwears e sistema de reconhecimento biométrico de comando. O avanço tecnológico era evidente e isso permitiria uma viagem de cruzeiro mais rápida e segura de volta ao planeta azul.
Ao se aproximar da ponte, Rubi percebeu a presença de um homem. Ele estava de costas, fazendo ajustes no sistema elétrico de suporte de vida. Ela se escondeu por trás de um painel digital e observou, com o canto dos olhos, para averiguar a procedência do tripulante.
Era um engenheiro do espaçoporto, que fazia os últimos retoques na aeronave. Aparentemente, estava desarmado, munido apenas de suas ferramentas de trabalho.
Rubi caminhou lentamente na sua direção, com a arma em punho. Precisava garantir que, caso o engenheiro não fosse o rebelde infiltrado, deveria abatê-lo ali mesmo, antes que fosse entregue aos Landors.
O homem sentiu a presença de Rubi e, num ato reflexo, pegou uma ferramenta longa de aço para atacá-la, mas desistiu ao ver a arma laser apontada para a sua cabeça.
- Por favor, não me mate! - suplicou.
- Quem é você? Trabalha pro Malik? - disse Rubi, de forma direta.
- Eu não sei quem é Malik! Eu juro...
- Você é o infiltrado rebelde? Eu estou com Botsume, irmão do Malik!
O engenheiro acovardado diminuiu seu desespero, e decidiu arriscar ser identificado:
- Eu sou Tennet, trabalho com Botsume no laboratório de Engenharia de Motores! Sou encarregado de restaurar o cargueiro Montenegro para evacuar os marcianos de Genesis!
Rubi se sentiu aliviada, mas ainda assim, não baixou sua guarda.
- Botsume! Onde ele está?
O rosto de Tennet parecia nada favorável. Denunciou seu nervosismo com a transpiração que brotava do rosto.
- Baixe a arma! - ele suplicou, novamente. - Eu não vou machucá-la!
Rubi não hesitou, pois não confiava mais em ninguém. Só em si mesma.
Sem paciência, atirou numa estrutura desimportante, para intimidá-lo.
- Onde está Botsume??
O engenheiro se entregou ao medo, decidindo colaborar, mesmo desconfiado.
- Eu fiquei um tempo sem vê-lo, depois que ele foi capturado pelos Landors! Pensei que iriam matá-lo e que eu seria descoberto em seguida, mas então ele reapareceu há poucos dias. Mas não parecia ser ele mesmo!
- O que quer dizer com isso?
- Ele sempre foi um homem falante, cheio de ideias e pretenções com as novas descobertas! Mas estava quieto, de olhar frio, duro. Era como se fosse ele, parecia ser ele. Mas nunca o vi desse jeito!
Rubi sentiu o coração apertar. Lembrou-se dos gritos de Botsume, quando Twin Landor a arrastou até o compartimento de despressurização para largá-la a ermo no deserto vermelho.
- Dizem os outros engenheiros que fizeram uma experiência com ele, uma experiência genética usando nanorrobôs!
- Que tipo de experiência? - Rubi reprimiu seus sentimentos para que as emoções não a traíssem em seu propósito de salvar Botsume.
- Não sei ao certo, mas... parece que fizeram uma reprogramação mental nele! - Tennet a observou com olhar preocupado. - Ele está do lado dos Landors, agora!
---------------------------
Rubi descobriu que o pai do seu filho está vivo, mas não da forma como esperava.
O que de fato aconteceu com Botsume?
Será que Rubi vai conseguir salvá-lo da Corporação Landor?
Acompanhe os próximos capítulos que se aproximam do final desta saga espacial!
Se curtiu a história, vote e comente pra valorizar a obra! Obrigada. ;-)
VOCÊ ESTÁ LENDO
GENESIS
Science FictionNo século XXIII, os humanos já haviam colonizado a Lua e o planeta Marte. Porém, as consequências da IV Grande Guerra haviam mudado a Ordem Interplanetária, transferindo o poder dos governos falidos para as grandes corporações privadas. Em contraste...
