Capítulo 40

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Milhares de criaturas artrópodas gigantescas emergiram da imensa cratera no centro do hangar. Suas múltiplas pernas articuladas se deslocavam rapidamente feito aranhas, e seus pedipalpos titânicos agarravam e destruiam tudo o que viam pela frente.

Pessoas corriam em direção às naves, que partiam às pressas antes de lotarem todos os espaços possíveis. Marcianos desesperados gritavam em agonia enquanto as escotilhas e portas se fechavam, condenando-os ao veredito irremediável da morte.

O cargueiro Montenegro era uma nave de transporte de carga antigo, com capacidade para centenas de toneladas. Por estar sem mercadoria, poderia comportar cerca de um milhar de pessoas. Mas no caos que se estabelecera no espaçoporto de Genesis com a invasão alienígena, seria milagre salvar uma centena.

Murdock segurou a mão de Rubi e correu em desespero para o hangar, na esperança de chegar ao cargueiro Montenegro ainda com vida. Porém, ao vislumbrar a carnificina humana, ficou paralisado diante de tamanho horror e brutalidade.

Os Narmors não tinham compaixão alguma pelos humanos. Erguiam os corpos frágeis dos marcianos com suas pinças gigantescas e picavam seus membros, devorando o tronco e a cabeça através de suas mandíbulas queliceradas. Sangue jorrava e se misturava ao fogo, tingindo os pilares e o chão do espaçoporto com a cor da morte.

No mesmo instante em que congelou antes de atravessar os portões, Murdock viu Sand Landor correr desajeitado com suas vestes coloridas e esvoaçantes, chamando a atenção dos Narmors feito um outdoor. Com dificuldade de se deslocar, pisou no próprio manto e se estatelou no chão, acertando o rosto em cheio no piso polido. Ao erguer a cabeça, seu nariz sangrou, e a última visão que teve em vida foi a de um narmor monstruoso à sua frente, com a cabeça alongada fitando-o com seus múltiplos olhos.

A criatura horrenda agarrou o corpo de Sand Landor com seu imenso membro em forma de pinça e o partiu ao meio sobre sua cabeça, fazendo com que as duas metades do corpo caíssem dentro de sua boca. Foi possível ver o movimento da mandíbula em deglutição, tão breve quanto o provar de um pequeno petisco.

Botsume estava de pé, imóvel, observando tudo de forma apática e insensível, quase robótica. O monstro percebeu sua presença e se aproximou, analizando-o como se observasse algo além da visão.

Após um breve instante, Botsume movimentou a cabeça positivamente e saiu caminhando de volta para o interior da colônia. Inesperadamente, o monstro o deixou ir e continuou seu intuito de destruição e massacre do povo marciano.

Tomada pelo instinto de sobrevivência, Rubi puxou Murdock de volta ao corredor e parou diante de uma grade da tubulação de ar.

- Vamos por dentro da tubulação e fazemos a volta até a parede anterior ao Montenegro! - seus olhos exprimiam o limite entre a loucura e a vontade de viver. - Ainda temos uma chance de fugir com vida!

Neste momento, um Narmor de menor estatura adentrou o corredor e seguiu determinado em direção aos dois, com os palpos erguidos abrindo e fechando suas pinças para matá-los.

Murdock usou todas as suas forças para erguer o corpo de Rubi até a tela de ar, para que ela abrisse a passagem e entrasse a tempo de se salvar.

- Vá, Rubi! Salve o seu filho e conte aos terrestres o que está acontecendo!

Rubi arrancou a grade com uma força que mal sabia ter, esgueirando-se às pressas no pequeno túnel metálico. Antes que suas pernas entrassem pela passagem, Murdock colocou um pequeno drive digital dentro de sua bota, gritando logo em seguida:

- Leve todas as informações confidenciais do laboratório para o serviço de Ciências e Engenharia do governo terrestre! É tudo o que sabemos sobre eles!

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