6. Eddiemund

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Banhado pelo sol do dia que se estendia o cabelo do Rei brilhava como ouro.

Vestido como mandava a etiqueta da realeza, Eddiemund tinha o tamanho de um guerreiro. Trajava um gibão cinza de alta costura, de tecidos finos vindos do outro continente, com calças justas e bota de montaria. Passaria por um nobre qualquer, apesar disso, se não carregasse nos ombros uma capa longa feita da pele de um urso das neves de verdade. Por onde andava os pelos brancos da capa pintavam o caminho pela lama do chão do pátio externo do castelo, manchando a branquitude mas mantendo a importância de seu símbolo. O homem quase parecia um deles, selvagem e forte, pronto para enfrentar a pior das nevascas.

Vinha acompanhado em seu caminho de um lado pelo capitão da sua guarda-real, sor Clevor, que o escoltava solitário, sempre impenetrável em sua postura de serviço enquanto estava em seu alcance; e do outro, com quem andava de mãos dadas como um casal de vida íntima simples, pela sua mulher e rainha, Roselin, que camuflava seus fracassos pessoais com um doce sorriso de primavera. Da entrada do castelo até os portões da muralha interna da cidade real eles receberam dos servos, dos soldados e súditos todo o respeito que mereciam em reverências formais.

Esperavam-nos lá a carruagem real. Era grande perto das outras comuns, com estruturas reforçadas para que fosse resistente à neve e aos obstáculos trazidos pelo inverno, mas carregava sua beleza nos detalhes talhados na madeira. Trazia a ursa branca coroada dos Ronso, era pintada nas cores de sua Casa, e carregava pêndulos gigantes de gelo eterno, uma pedra comum na região do Vale Derretendo, que refletiam a luz do dia como cristais. Cabiam dez ou mais pessoas dentro, mas eram precisos seis cavalos divididos em duas fileiras de três deles para que ela pudesse sair do lugar em movimento.

Diante dela, aguardando enquanto tinham suas próprias discussões que só cessaram com a chegada do pai, os quatro filhos estavam a postos. O Rei contemplou cada um deles com grande amor, orgulhoso de suas crias e satisfeito com o que haviam feito como família até então.

Adel era seu primogênito e por isso quiçá seu favorito. O príncipe era o legado vivo do pai. Sendo o que mais se parecia com o pai, o rapaz tinha herdado todos os traços dos Ronso. De cabelo loiro e olhos fundos na palidez da cor da terra sempre molhada do reino, seus ombros eram largos e tinha o corpo forte desde criança, nascido para ser um guerreiro que sobreviveria à estação invernal. Em sua cabeça reluzia uma coroa de prata simples e emaranhada, com dentes rígidos de metal que subiam em todo o seu contorno.

Seu nome de batismo era um presente ao falecido irmão mais velho do Rei, Adelasius Ronso, aquele que haveria de sentar no trono como legítimo se estivesse vivo. Eddiemund colocava naquela homenagem a crença de que seria o seu filho o melhor Rei que o Reino da Terra Baixa já teve e era para isso que ele dava ao príncipe o treinamento que precisava. Ensinamentos que aprendo agora, pois antes nunca quis ser Rei, o homem pensava assim, mesmo que tudo fizesse para que fosse lembrado com alegria.

Celes veio ao mundo sendo a segunda filha, uma garota bela como o nascer do sol. Também era legitimamente uma Ronso, sem dúvidas, com seus lindos e volumosos cabelos amarelos iguais aos girassóis e seu par de olhos amarronzados. Na cabeça carregava sua própria coroa, em forma de tiara, fazendo-a ainda mais bela do que já era. O rosto da princesa carregava sempre uma doçura sonhadora, pois estava certamente perdida nas ondas do amor que inundaram seu coração juvenil.

Temia em vê-la perder aquela pureza que reconhecia na filha, pelo amadurecimento e casamento, mas haviam coisas que precisavam ser feitas. Suas obrigações eram mais importantes que seus lamentos pessoais, fazia parte dos seus aprendizados, e nada poderia mudar aquilo.

Embora não fosse pelo medo irracional de uma profecia queimada na pira, o homem lamentava a partida da mais velha da sua própria forma. Se pudesse seguir apenas seu coração, então faria com que a filha estivesse sempre com eles como mandavam suas palavras. Por infortúnio da vida ele era o Rei agora, embora nunca tivesse desejado aquele destino, e por isso precisava agir como um.

O Rei dos ReisHistórias para pegar e não largar. Descubra agora